segunda-feira, 12 de setembro de 2016

pesadelos, pactos, lasanhas, flores e guilhotina


Esse motim existe.

Cotidianamente.

Em todos os lugares.

Chama-se bater as metas, todas a metas, e se atingir as metas, dobrar as metas.

Próxima meta?

Derrubar o pato manco da cadeira presidencial por alguma firula jurídica.


Na foto, Pato Manco na primeira semana após Golpe de Abril, num de seus típicos momentos de grandeza.


Por um acordo de lideranças do Senado, após Renan VOLUNTARIAMENTE chamar o PSDB para um PACTO CIVIL PELA GOVERNABILIDADE DEMOCRÁTICA.

Colocar o Vampiro na presidência, sem prazo para sair.

Esse pacto cancela as presidenciais de 2018, sendo abençoado e benzido pelo ser anódino que tomou posse no STF hoje.

Qual ser? Aquele agraciado ainda outro dia com medalha medalha medalha pela Famiglia Marinho.

A Famiglia que de fato manda e desmanda no país.

Manda e desmanda apenas para representar e impor na pauta do dia, do mês, do ano, do século, para sempre, os interesses yankees.

Yankees que assim vão empurrando com a barriga a conta do seu colapso por mecanismos de recuperação econômica via recolonização da AL, e parcelas cada vez maiores do Oriente Médio, África, Ásia e Europa.

Processo de recolonização que, aqui na Botocúndia, não precisou disparar um único peido dum tiro.

Bastou doar algumas tramontinas, camisas da selenike e patos de plástico amarelo.

E, claro, vender, a preço de ouro, farta munição para repressão urbana dos descontentes pelos dispositivos militares.

Pelas polícias cada vez menos transparentes.

Por PMs que são cada vez mais o soberano nessa jornada de horrores que inaugura o fim desse ex-Estado-nação.

E tem gente que ainda enxerga, nesse imbroglio todo, algo como disputa por hegemonia.

É a turminha que sonha o mais gostoso dos sonhos na Matrix do Estado de Direito Realmente Existente.

A turma que sabe ser a lasanha falsa, mas degustam-na assim mesmo, "para ocupar espaços" em busca daquele tipo de reconhecimento que agracia a todos, embora o ditadorzinho paranaense faça parecer valer só para um dos partidos que disputam o botim.

Turma cuja maioria está à frente de TVs ou nos panfletos dos Frias e Mesquitas da vida devorando e regurgitando a pauta e firula do dia, mas com segmentos aí nos bastidores a legitimar o esbulho "disputando espaços", em busca daquele tipo de reconhecimento idem, ibidem.

Tem a turminha que fica ou batendo tambor, ou na célula da organização ou ainda os hipsters às voltas com o umbigo de suas particularidades em redes pluriversas horizontalizadas antilogocêntricas deseuropeizadas (desculpem os neologismos, mas tudo somado, é isso que nos apresentam, e ai de quem ouse não enunciar suas diversidades, não posso fazer nada), galera que, no frigir dos ovos, não serve sequer para dispersar forças, grupúsculos que sempre foram, são e serão.

Tem também os fundamentalistas cristãos aí a impor o retorno ao século IX a.C de modo cada vez mais eficaz.

Em suma, estamos na roça:


Para dizerem que não falei das flores:



domingo, 4 de setembro de 2016

Porcomunas y otras cositas más


Hoje, na manifestação da Paulista, os Porcomunas.

O que não evita reconhecer ser comum aquele torcedor de futebol, ao menos nesse país, e não me refiro aos meros simpatizantes, mas o que vai ao estádio, veste a camisa etc. – e isso vale para os de qualquer time  mais que reacionário, ser sim efusivo propagador das teses da direita, ou mesmo as da extrema-direita quando em situações-limite. 

Eis aí duas categorias sociais encharcadas de senso comum fascistóide: motorista de táxi e torcedor que vai a estádio. 

Você já viu um torcedor que seja fanático militante pelo time e
, ao mesmo tempo, sensível a questões sociais, militante em lutas emancipatórias, partidário de causas políticas anticapitalistas? 

Pois é, somos minoria.

Quanto a mim, minha paixão por futebol veio por vias tortas: sabe aquela história de primeiro amor que resulta num gigantesco Titanic enfiado goela abaixo? Pois foi assim que meu amor ao Palmeiras deitou raízes, para compensar, no amor ao Alviverde Imponente, aquele longínquo e pontual déficit estrutural no campo afetivo feminil... Se é verdade ou se é mentira eu não sei, só sei que foi assim.

Falando em histórias mal contadas, isso me lembra os unicórnios gambásticos e flamenguistas: são aqueles torcedores que fecham os olhos às dezenas de escancaradas ações mafiosas que sustentam os percursos de seus times, e o fazem sob pretexto de fantasiada identificação popular ou, no caso alvinegro, repetição de um mitologema referindo-se ao fracassado experimento de 18 meses de duração já muitas décadas atrás nomeado "democracia curintiana".

No caso desses dois times, isso permite uma conclusão: quem pensa que só em Brasília há golpistas, engana-se. 

Que o diga o último julgamento do STJD [detalhes, aqui], sobre o qual só se pode dizer uma coisa: virou regra a palhaçada que foi [leia aqui] a sessão do Senado de lobos que golpearam mandato de 54 milhões de votos em 2014 para a presidência da República dos Bananas.



Falando em gambá, não custa lembrar que somos adversários, e o inimigo comum é a equipe do Panetone do Jardim Leonor.



domingo, 28 de agosto de 2016

caminhão de lixo atropela os floquinhos


Esse senhor? A quem esse caminhão de lixo pensa que engana? Desde que abraçou discursinho moralistinha-fascistóide lá em 2006... estivesse eu em BSB, e teria feito campanha pelo voto nulo, mas jamais que o tomaria na conta de mal-menor... Votei no Haddad, mas anulei voto no Suplicy, o mais tucano dos petistas, na eleição ganha pelo vampiro. O que dizer a quem elegeu esse trate aí, ao supô-lo "progressista"? O mesmo sobre a aposta lulo-dilmista de "conciliação sem atritos": bem feito para quem comeu ou ainda se nutre da sopinha azeda e aguada da "governabilidade". Incrível. Galera vota e avalia um objeto, pauta, time de futebol, partido político pelo que ele foi um dia, há décadas, ou pelo que alega sê-lo. E se satisfaz fazendo vistas grossas às evidências factuais que dementem a fantasia de que se nutre a bela alma... Bem, I'm so sorry, babies, a história nunca poupa as belas almas. Os Floquinhos estão descobrindo que política é guerra de extermínio. Atônitos floquinhos que estão vendo a grama crescer pela raiz em meio às trevas que os soterram: bem-vindos ao deserto do real. Vida Longa e Próspera na Republiqueta que resolveu dar a rasteira nos que deliraram ser possível omelete sem ovos quebrados. Quebraram. E foram os nossos. As belas almas perderam. Mas os derrotados foram nóis tudim. Mas no problem. Daqui trinta anos mais um grupo revisionista social-democrata de direita conseguirá hegemonia. E vai tapar o sol com a peneira e as goteiras nas favelas causadas pelos próximos seis governos de extrema-direita. Aí quando a goteira diminuir, novo golpe. Aí anos anos depois, outro golpe. Aí anos anos depois, outro golpe. Costuma ser assim nas aldeias sem-história nem memória [ao leitor do Viveiros de Castro que vier me encher o saco com pensamento ameríndio rizomático em redes pluriversas antilogocêntricas deseuropeizadas et caterva, faça-o logo, enquanto ainda tem financiamento para tais fraseologias]. Foi isso que se passou aqui. Com GV, JK, Jango, e agora Dilma. Apenas elites em sua desfaçatez de classe a golpear e esbulhar o que encontre pela frente. Aplaudida por uma classe mediotizada preocupada em garantir algum farelo do botim dos esbulhos. Parabéns a todos os envolvidos, e boa semana. Ou?


A Usurpadora do Cramunhão e o Vampiro Entreguista





Estrondoso sucesso do Pilot que foi ao ar com Golpe de Abril
(só não se sabe aonde)
leva à macabra estreia nessa terça.
E f*-se o resto,
ou seja, nóis tudim.

Seguem nas lixeiras da história
os empalados tramontinos a defender o status quo.
Escravos que são, nada impolutos,
a vez deles chegará. Covardes, aguardem.

Enquanto isso, a máfia judiciária garante a todos
vaga na corrida ribanceira abaixo rumo ao passado
que se recusa a deixar de ser presente.

"Medalha medalha medalha", no caso,
é "reajuste auxílio abono subsídio linha de crédito",
mas só para eles.

Aos demais, precarização e fim dos direitos.
Quem não reclamar talvez fique vivo.
Talvez. Pouco importa isso aos tramontinos da janela dos esgotos.





À maioria importa apenas a governabilidade
de seus quintais, cercadinhos, prisões.
E resta a pergunta:
Republiqueta de mierda, hasta cuándo?


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

afinal os dados já foram lançados, mais dados para quê?



afinal, já sabem (1) quem NUNCA investigar, e (2) quem POUCO IMPORTA investigar, porque para ambos já está lavrada a sentença, respectivamente, (1) ilibados (e ai de quem publicar algo) e (2) matáveis (e ai de quem defendê-los, e para eles é necessário mais as tais armas).

Entendeu, ou quer aula de reforço?



domingo, 14 de agosto de 2016

dominicais nada amenas


I
Repara bem nessa linha de chegada, 
recado claro da Lei de Darwin: 
brancos de todo o mundo, não conseguireis fugir!



II
Imagina um mundo que tivesse 100m de costas, 
de lado, com uma perna só etc. 
Um milhão de provas, como na natação. 
Ele, The Bolt, teria tantas medalhas quanto.

*


Um correção: não é alemã, mas dos EUA quem cafetina o símbolo prostituído por Mendes, Toffoli, Fux et caterva...

*


depósito de lixo procura incinerador 
tratar na República dos Bananas, em Higenópolis, Lago Sul e assemelhados

*


basta um nada íntimo ser dito, nem demais no que insiste, arrasta e abana desdito pela fada, travessa safada anjinha

*


o são Longuinho em tempos 
da Adaptação Autoimposta à Era da Emergência: 
tortura infalível promete achar algo perdido

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Diagnóstico de época


O senso comum rosnado nos novos tempos
chacina a somatória de qualquer ideia
ou prática emancipatórias
criadas após o século IV a.C.



Mas, se tudo está perdido,

negócio é meter o dedo na ferida logo duma vez:




Isso para não falar do mais básico,

que é voltar contra os inimigos a sua própria pauta:



quinta-feira, 28 de julho de 2016

próximos passos após o tiro na nuca que todos estamos tomando


"La brutalidad e informalidad de las guerras actuales responden a un momento en el que el capitalismo pierde legitimidad y capacidad de seducción sobre el conjunto de la sociedad. La desigualdad y la exclusión empujan a nuevas formas del ejercicio del poder, que limita su oferta de persuasión a un tercio de la población mientras desarrolla mecanismos de coerción y de limitación democrática para el resto. La legitimación del poder necesitan un proyecto a largo plazo que hoy el capitalismo no tiene, que se está redefiniendo en la administración, la justicia y la educación. Por eso, hoy, el núcleo duro, compuesto por las fuerzas económicas y las fuerzas del orden necesitan dar la cara, salir a la intemperie. Solo los medios de comunicación aparecen como un baluarte efectivo en esta época convulsa. Las guerras asimétricas y las políticas de cerco son expresión de la contundencia con la que se preparan los conflictos." (Ignacio Muro Benayas. Las “guerras asimétricas” que Gramsci no conoció, aqui)

Hora de assumirmos novos recortes para lidarmos com o fim da quase-trégua aberta pela própria Ditadura Militar quando articulou o período que ora se finda, a Nova República. 

O desmanche dos direitos sociais já é fato. 

Fim da isonomia jurídica básica em qualquer democracia foi assumido de vez no modo como nada atinge os tucanos e uma mancha de batom na calça dum petista já é motivo para prisão preventiva. 

A última peça que faltava ser assumida, já é favas contadas: a cassação dos direitos políticos dos dissonantes é uma questão de tempo. 

Já estamos sob guerra civil com as chacinas aleatórias de pretos e pobres há tempos nas quebradas. 

Com a nova fase instaurada com o Golpe de Abril, um golpe civil-midiático-jurídico-policial, se fez picadinho do pacto social que ainda dava algum alento aos sobreviventes desses massacres nas quebradas.

Se faz picadinho daquilo que, a duras penas, os mantinha com a perspectiva de integração no espaço político e econômico, ainda sob o registro restrito e frágil  das políticas compensatórias e focalizadas.

Ante esse quadro, o que temos sinalizado de concreto como embate, enfrentamento e superação, precisamente? 

Basta-nos a mera fantasia de repor o status quo ante, como se o problema não fosse o fim de um ciclo histórico que o teve como último e esterilizado capítulo? 

O fim desse ciclo o encontrou de tal modo reduzido à impotência da mera governamentalidade que foi soterrado por esse bando de múmias e zumbis que vimos sair em andrajos retóricos de propostas. 

Destaque-se aqui o "Escola Sem Partido", malgrado ser apenas um dos adereços esfarrapados ostentados, pois são os que atacam a universidade mais de perto.

É sim o fim de um ciclo e sem volta: estamos sob uma guerra de massacre das nossas posições, conquistas, direitos, instituições arduamente construídos em quase um século de enfrentamentos [lembrar que a CLT é do período getulista].

Os direitos sociais estão sendo pisoteados nessa guerra civil declarada pelos Mendes, Cunhas, Editora Abril, Moros, PF, STF, Globo, Temer, Folha de S.Paulo, PSDB et alli

Estão sendo triturados com requintes de crueldade por zumbis políticos que saíram de suas tumbas e esgotos com a força dos dinossauros em fúria.

O aleatório dos massacres por milícias em chacinas sem julgamento nem culpabilidade desenhada virando técnica de gestão urbana, o modo como se coleta provas contra black blocks e as prisões arbitrárias fundadas em denúncias pela República  Moro é o tira-gosto do prato principal que tá chegando e a dilatação anal dos paneleiros já é conhecida, então pode-se fazer o que quiser que aceitarão calados. 

Já se assiste ao retorno de reações pré-políticas: começou a temporada das ações desesperadas com os robins woods os mais diversos começando a vicejar, com a volta do banditismo social... Os que roubaram caminhão-pipa para distribuir água nos municípios sob seca no interior paulista e periferias da Grande São Paulo foram apenas os primeiros dessa nova leva.

Enquanto isso, o pessoal dos guetos da "minha diferença minhas regras", claro, baterá palma, ao menos enquanto conseguirem se lembrar para que mesmo é que serve a palma da mão que não seja para tirar sebo do umbigo de suas particularidades desejantes.

E nós, a turminha do contra que insiste em tomar a contradição básica que é a sociabilidade imposta pelo capitalismo como contradição dominante que metaboliza esse conjunto aparentemente dissonante e diverso de tantas manifestações sem nexo nem correia de transmissão direta citadas aqui?

Ademais, como lidar com uma reação popular menor ainda do que o muxoxo resignado emitido pela torcida canarinha quando o juiz apitou o fim do sete a um há cerca de dois anos?



quarta-feira, 27 de julho de 2016

Vida danificada? Dos farelos que temos, duvido que ainda haja espaço para o pensamento



Olha, de boa, o Sensacionalista vai ter de fechar.

Depois do "leite de barata" mais nutritivo que leite de búfala (sic) e cuja produção já está a caminho, agora... "Máquina consegue transformar urina em água potável"


Os pesquisadores explicam que o dispositivo foi testado em um festival de música que durou 10 dias. Eles conseguiram coletar resíduos suficientes para obter mil litros de água potável. Segundo eles, a substância deve ser usada para preparar cerveja.


Para o futuro, a ideia é instalar o equipamento, em versões maiores, em locais de alto tráfego de pessoas, como aeroportos e estádios."


Aí vem aquelas dúvidas mais bestas: lá pela décima vez que for mijada, ela será então quase um diamante das cervejas? e a cada nova degustação, a cerveja, por já ter sido mijada antes, a cada nova rodada será ela então metamijada?  


"Meta"mijada? Isso abre nova frente aos programas de pós-graduação com olhar multidisciplinar, agora também em diálogo com a área de gastronomia e degustação.


Sabe o Adorno, que já denunciava a vida danificada, e apontava em Kafka o mérito de tomar como matéria de sua obra exclusivamente o que é recusado pela realidade?


Pois é... 


Enquanto isso, do outro lado do mundo...


quinta-feira, 14 de julho de 2016

dualismo terrorista na Era da Exceção


o importante aos Estados é o equilíbrio fiscal 
x
multidões de miseráveis aderem a todas as formas de fundamentalismos

Enquanto o pensamento dominante for "mais polícia aumenta segurança", e que "é tudo uma questão de aumentar a vigilância", o colapso só agrava.

Quanto ao ataque em Nice, como convém, fiquei observando as minhas próprias reações ao assistir o vídeo postado pelo wikileaks [link]. 

São cenas fortes que vemos após passagem do caminhão. [aqui, o video dele passando].

Primeira impressão é lembrar que são daquelas cenas comuns a lugares bombardeados, com civis estraçalhados pelo chão por dezenas de metros a fio, que é uma cena cotidiana a palestinos ou sírios ou líbios ou sudaneses ou ucranianos...

Que esse tipo de cena agora também é parte do cotidiano de franceses ou ingleses.

E que, tal como o ataque às Torres Gêmeas, temos ali algo da ordem do cinematográfico, que fala muito à imaginação urbanóide, bastante explorada naquele primeiro filme do Spielberg, O Acossado.

É o tipo de cena que faz a pessoa pensar que (1) podia ser ela ali e (2) caminhões são mesmo muito perigosos, como a gente não pensou nisso antes?

Eis que, se após as Torres Gêmeas não podemos mais nem embarcar com um mísero cortador de unha, não tardará a surgirem novas e absurdas proibições agora envolvendo veículos de grande magnitude.

Agora, acabar com o padrão de acumulação de riqueza e poder em vigor há seissentos anos, nada, né?

Denunciar a última volta no torniquete com a qual o capitalismo nos asfixia de vez em sua escalada irracional após ascensão de Tatcher e Reagan ao poder desde os anos 80 ninguém quer, né?

Mexer com o grande elefante bêbado que é a financeirização da riqueza, que é a precarização dos direitos sociais, que é a mão invisível do Reino da Mercadoria que está na sala de nossas casas, vidas e traseiros, por gerações a fio zoando nóis tudo, isso ninguém fala, né? 

Quantos milhares terão de morrer até as pessoas se derem ao trabalho de assumir o custo político que é abandonar o modelo de sociabilidade imposta pelo deus do Livre Mercado, e seus quatro Cavaleiros do Apocalipse, os tão adorados São Propriedade Privada, São Mais-Valia, Santa Finança e São Precariato?

domingo, 10 de julho de 2016

Mensagem do Dia


Em 1º lugar, #ForaTemer
em 2º lugar, cultive ratos e algum dels, 
leia a Veja, 
seja feliz 
e morra sob tutela!

sábado, 9 de julho de 2016

quando a balbúrdia não é opção, mas falta de

O mesmo vale para tantas profissões: a impotência ante o tempo longo em que nada acontece, sem alegria, acaba por satisfazer seu vazio com frivolidades sentimentais ou posturas políticas débeis e reacionárias! 

Como suportar a angústia posta por essa temporalidade?

Eis o desafio dos nossos tempos: como lidar com a balbúrdia da recusa a descrever o tamanho de nossos enigmas que se satisfaz em recitar suas certezas?

(1) não basta sua mera negação, 

(2) a meta é buscar o novo 

(3) sem a mera postura nem reativa nem adesista.

(4) o que implica assumir o fim da propriedade privada, a defesa da representação política direta, o laicismo nas relações interssubjetivas e o grau zero na ordenação das coisas e pessoas.

É longo o caminho a ser percorrido.

Bom sábado a nóis tudim!

sábado, 2 de julho de 2016

a crítica crítica em paz consigo mesma quando suas opções culturalizantes fazem vistas grossas à ordem do econômico, político, histórico e coletivo




Já faz um tempinho que a moda entre gente muito bem intencionada que se acha de esquerda é denunciar o colonialismo cultural dos intelectuais de costas para a produção de seu povo, sua terra, sua gente. A moda, no caso, é denunciar o que não passaria de uma aclimatação local de pautas e categorias adequadas à experiência social e às demandas dos povos dos países centrais etc. e tals.

É de se elogiar a pretensão militante de negativar algo naturalizado em um registro positivado, e de fato muita e má ciência é feita para defender interesses que são de uma dada classe social, voltada para a produção de mercadorias e riquezas que atendem a poucos.

É realmente importante denunciar a captura do intelecto e categorias postos a girar em relação de gravitação por forças e interesses externas ao território [brasileiro, periférico, africano, terceiro-mundista etc.] .

Pena que as coisas não sejam assim tão simples. 

Sejamos materialistas, e vejamos como isso se dá no campo da filosofia: é triste, é chato, é de se lamentar, mas poder institucional é assim que funciona. 

Se a universidade, ou a produção científica tem seu eixo a girar por demandas, padrões de medida ou critérios internacionalizados filtrados pelo neoliberalismo, que a tudo precariza e submete ao seu controle, não é suspendendo as leituras de Habermas ou Aristóteles ou Foucault ou Hobbes ou Hegel ou lógica modal ou história da filosofia que vamos resolver o problema.

Se se trata de questionar a gravitação periferia-centro, então que se tome as questões políticas e econômicas como foco das lutas, ao invés de meramente se historicizar e culturalizar antagonismos intracientíficos.

A conquista que tal postura garante é a irrelevância científica, tecnológica e conceitual de quem entre nesse jogo [que, diga-se de passagem, é uma invenção plantada com DNA e genoma franco-americano estruturalista-descontrutivista-anahistórico, com diferentes graus de misturas e combinações, com espaço para temperos analíticos e heideggerianos em combinações de sabores tão facilmente identificáveis quanto a jaca ou o jiló servidos em pastas na torrada].

Muito interessante pleitear autonomia no campo das ideias. 

Mas se é de autonomia que se trata, faça-se a revolução comunista e se crie mecanismos e instituições que, com muita sorte, talvez em três ou cinco gerações consigam superar o estágio larval na produção de conhecimento, ciência e tecnologia.

Estamos por ora condenados à confusão mental que pleiteia ao campo conceitual, à produção intelectual, às categorias ou temas, NOTE-SE QUE APENAS NAS HUMANIDADES, uma autonomia que, vá lá que fosse, quando muito poderia, e com os muitos equívocos que lhe é própria, ser pleiteada como fosse da ordem da construção de artefatos e obras que expressem certa tradição cultural.

Enquanto a agência espacial brasileira não consegue colocar nem um clips em órbita, e nas ditas hard sciences sequer dinheiro para manter um supercomputador ligado existe, na mais hard das áreas da humanidades [as aplicadas são fofas, tem método, objeto, meta e aplicação social do saber produzido, claro se for só pró-sistêmico e visando garantir a capacidade de aeração do inferno social], na filosofia, mais precisamente e que é o recorte aqui desse texto,  ou somos [quando muito] tíbios e meros comentadores de texto, ou [a regra geral] nem isso, apenas banalizadores de chavões encharcados de intuicionismo voluntarista, hedonista e atomizado a costurar mosaicos disformes de certezas fundadas em intuições e fantasias.

O que se passa por contestação da colonização da academia é de um despudor de fazer corar a "direita" clássica, que, sólida que foi um dia, soube tecer o perfil e pressupostos de modelos de produção de verdades fundados ou na experiência comum ou na tradição ou no hábito e fim.

O que se passa hoje por esquerda crítica crítica, com suas denúncias pós-modernas da captura de nosso imaginário e capacidade de pensar pelo que é estranho ou descolado de nossa "realidade", é a composição de uma colcha de frases de efeito atravessada por uma subjetividade arrogante, narcisista, anticoletiva, dessolidarizada e hipster que, ao invés do comon sense ou da experiência, dá ainda outro passo atrás em relação a esses dois limites empiristas, e funda o que se passa por saber crítico crítico sobre as coisas, as pessoas e as instituições sociais nas particularidades de seus juízos críticos críticos graças aos quais temos diagnósticos "descoladésimos" ostensivamente de costas para as instâncias coletivas, seculares e internacionais de construção de demandas, lutas, pautas, estratégias, histórias, soluções de questões que afligem o andar de baixo da sociedade, o habitado por suas diaristas, garçons, carregadores, motoboys, atendentes e zeladores.

E nos é servido um caldo crítico crítico que pouco se lixa e sequer se incomoda com sua ignorância sobre o que é, como vive, como se reproduz, do que se alimenta essa "escória" que, não por acaso, vem a ser os que lhes dão as condições materiais de passarem horas em papers, congressos e carreiras a denunciar o colonialismo cultural ou a dependência de paradigmas conceituais de outras paragens temporais ou espaciais.

Ocorre que, ao invés de se buscar a superação das condições sociais que viabilizam a reprodução desse estado das coisas que se almeja denunciar e que de fato aflige o pessoal da cozinha,  o foco acaba sendo a circulação ensimesmada de denúncias e militâncias agerridas a compartilhar – entre outros iguais nessa desfaçatez que é sim uma desfaçatez de classe – suas certezas moleculares, rizomáticas e em rede sobranceiras e bem fornidas.

O que se passa por esquerda crítica crítica, hoje de novo, vai dormir tranquila e de barriga cheia e – ao repousar sua cabeça cheia de frases feitas sobre questões seculares, afetivas, socioeconômicas, de classe, étnicas, de gênero, não raro com os cabelinhos encharcados de teísmo antissecular e antilaico – não se poupará um resmungo antes de dormir o sono dos combatentes em paz com a consciência, o resmungo que esvazia, denuncia, duvida e combate seus moinhos de vento em nome de um ser social coletivo que, por um lado, antropologiza a "mãe-terra", e, por outro, é um "coletivo" que se materializa ali, na cama quente que é lugar mais gostoso, graças à voz do Eu-Bela-Alma ali deitado, mas que poderia estar lecionando, publicando, dando entrevistas a entrelaçar ambas essas pontas, se pondo a falar em nome de um universal fundado na natureza, e de um particular que é a mônada leibniziana do eu-que-sei.

Para não serem acusados de fazendeiros do ar, o resmungo requentado em retórica tropicalista de uma geléia geral naturaliza, na ordem do pensamento e do discurso, um destinatário que nunca se sabe muito bem quem ou o que é, num tom que agencia um lugar discursivo mais próprio aos argelinos sob a colonização francesa,a palestinos sob o estado sionista de Israel, a judeus em campos de concentração, uma postura que é sim racista, elitista, misógina e tudo o mais, já que os sujeitos sociais em nome dos quais se fala continua ali, na área de serviço tocando a bandinha enquanto suas certezas desfilam na avenida da ideias.

Restam os "seres matáveis" nas quebradas do planeta-favela. Como a eles a história é congelada, a política esvaziada, a economia transformada em categoria metafísica, nosso crítico crítico borrifa-lhes, na conta de bálsamo pacificador, a denúncia do "culpado" de suas desventuras, instituído como o mano capeta que lhes impõe fissuras que resultaram na captura das populações e territórios por espaços nacionais do núcleo central do sistema.

Realmente, como é fácil, gostoso, e faz bem ao amor-próprio ser assim tão interessado em superar o atual estado de coisas. 

Próximo passo será o quê? 

Puxar-se pelos cabelos para ver se consegue levitar? 

É bom que aprenda rápido a fazer isso: o cavalo [vulgo "pessoal da cozinha"] já está submerso na areia movediça e esses cavaleiros da redenção filosofante planetária também já estão até a cintura imersos – é melhor se apressarem em escreverem mais textos a denunciar os logocentrizados eurobrancos falocratas submissos porcos capitalistas feios, sujos, malvados, carecas e fedidos antes que seja tarde demais.


sexta-feira, 10 de junho de 2016

não é porque você diz que existem Et's...


Não, miga, não tenho nenhum minuto para ouvir a palavra da "Filosofia Marciana sobre Ética Alien", nem sobre gatinhos, nem sobre pensamento venuseríndio.

Quando a pessoa escreve defendendo existência de ET's, nem por isso o restante dos terráqueos sairá por aí dizendo que ET existe. 

Quando o jornalista usa sua coluna mostrando que os deuses eram astronautas, vá lá que seja, criaram lá um espaço no jornal reservado para esse tipo de especulação.





Daí a querer que o pessoal da astronomia, física ou arqueologia subscreva suas especulações, lamento informar, baby: ferida narcísica é realmente algo difícil mesmo de lidar.

O mesmo vale para o desmanche da governabilidade fundada na Nova República, para a captura das democracias pelo sistema poder-dinheiro, para suicídio de aluno, para a vacuidade do que se leciona ou para as ilusões perdidas.

O caldo entorna quando o que interessa é defender o ganha-pão das crianças.

Quando se quer enfiar goela abaixo dos incautos a gororoba servida.

Quando se desdenha do sentido e da consistência do que defende – já que a relevância nem entra em cena aqui.

Como seria o mundo das ideias se a consistência dos enunciados fosse um filtro para o que se escreve, para o se defende nas tribunas dos parlamentos ou dos tribunais de juri?

Ademais, fosse a tessitura conceitual um critério a que se submetesse as diversas manifestações das fraseologias produzidas, quão alentada seria a lista de lero-lero que não teria ganho o espaço que conquistou.

Mas as coisas funcionam de outro jeito.

O que conta é a capacidade de articular acordos, apoios, financiamentos bolsas e credenciamento.

Pouco importa o conteúdo do que se diga ou faça.

(1) E seguimos aí a gastar tinta, papel, horas, recursos públicos e privados com jornalista, tribuno ou professor adjunto que, sobranceiros e bem-fornidos, proliferam a algaravia.

(2) E ai de quem questione seus espaços ou resultados: entra em cena a defesa da pluriversidade horizontalizada com gravações e prints denunciando a colonização falologocêntrica branca europeia totalitária feia vermelha... [a lista de imprecações tende ao infinito].

(3) E não é porque o relógio de alguns está parado que se deve calar o som das horas da história que passam sobre nossas cabeças.   

(4) Fez dodói na formiguinha? Que dóóóóóó!

aos demais, Courage. De nossas derrotas vive o sonho dos que lutam. 







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