pratica radical

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Law and Order numa França novamente com subúrbio em chamas e pelos mesmos motivos tão banais das convulsões sociais de 2005 e 2007

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[fotos e dados copiados do la haine e do contra o capital]

Repete-se a história: há três dias, num subúrbio pobre, jovem descendente de árabes, Mohamed Benmouna, 21, sob custódia policial, obteve êxito em se estrangular com cordão de sapato e "suicidou-se".

Como essas histórias rolam por lá e não colam, o pau come. E de novo o bixo pegou.

Pela terceira noite consecutiva, carros queimados, noites com quebra-paus generalizados, detenção de dezenas de manifestantes.

Será novamente decretado toque de recolher, estado de emergência, suspensão de direitos individuais? As autoridades policiais admitirão o assassinato? Sarkozy virá com algum plano miraculoso de reinserção dos excluídos etc. e tal?

A coisa está no seguinte pé: enquanto o capitalismo realmente existente prossegue o despudorado sucateamento social, prosseguem, também na União Européia, as gigantescas alocações de fundos públicos a subvencionar auxílios a pobres banqueiros, especuladores e cassino financeiro em geral sob dificuldades que, não contornadas por tamanha e somente nesse caso nada deficitária transferência de fundos públicos, certamente provocariam, só então, tais temíveis colapsos sistêmicos.

Eis o papel do Estado hoje: por um lado, protege os interesses da moeda, e, por outro,
law and order, a polícia é lançada sobre a malta, e encarcera os desviantes, não sem uns acidentinhos de trabalho de vez em quando.

As velhas duas perguntinhas sempre tão inconveniente: até quando e o quê fazer?

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Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Ronaldo, gambás ou urubus e o futebol como mercadoria posta pela colonização midiática do imaginário popular

Primeiro, 3 fatos:
(1) Ontem vazou que, em gravação de entrevista a programa da TV Globo, Ronaldo, o pesado camisa 9 dos gambás [SCCP, vulgo Corínthians] teria passado a limpo a história de a torcida do Flamengo [CRF, vulgo urubus] ser a maior do país: tal marca seria obtida mediante indentificação dos torcedores Brasil afora com o Flamengo como segundo time, mas apontado como preferido às custas da nomeação do primeiro em pesquisas de opinião.
(2) Ontem também foi a primeira partida da final do torneio continental Libertadores da América, o portenho Estudiantes x Cruzeiro.
(3) Ontem, uma única partida transmitida com sinal aberto da TV, e, por razões contratuais, por duas e simultaneamente: gambas versus o tricolixo das Laranjeiras, vulgo Fluminense, em partida válida pela nona rodada do Brasileirão, composto por 38 rodadas no total, na qual se disputavam os três pontos e nada mais.

Passo seguinte, direto ao assunto e o fator oculto sob o discurso manifesto: o papel dos meios de comunicação de massa na consolidação do imaginário futebolístico, uma variável não rara ignorada pelos culturalistas relativistas em geral.

Pelo que me lembro, o Flamengo ocupou de modo hegemônico as reportagens sobre jogos de futebol na grade da programação do Canal 100 que passava nos cinemas nos anos 70 e 80, e, desde os 80, das transmissões ao vivo de partidas válidas pelo Brasileirão pela Globo. Desde os 90, contudo, o espaço ocupado pelos urubus é mais e mais ocupado pelo time paulistano da marginal s.n.

Pode-se afirmar, sem medo de errar: a insistência global na transmissão dos jogos do SCCP formará legiões de corinthianos Brasil afora.

Mais uma vez, a questão: tudo que é consumido não apenas gera lucro para alguém, como também, nesse caso específico, impacta o espaço ocupado pelas outras agremiações no imaginário do torcedor, sobretudo fora do eixo Rio-SP.

Não basta pensar tal fenômeno como mera atualização, em nova chave, da consolidação de uma "unidade nacional imaginária" levada a cabo pela Radio Nacional desde o getulismo, e pela TV Globo desde os militares pós-64.

Perguntas sem resposta: afinal, a que serve o ostensivo, explícito e planejado processo de valorização da marca SCCP ou Flamengo? Ou a manutenção do odiado Galvão Bueno nas transmissões esportivas pela mesma emissora?

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Honduras relança em nova chave Doutrina do Ataque Preventivo

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A boa vontade dos Azevedos, Noblats, Mainardis e Globos da vida com o Golpe de Estado em Honduras é um alerta a todos nós.

Os anaeróbicos legitimam o golpe contra o povo hondurenho mediante um "raciocínio" [sejamos caridosos] que, ao invés de tortuoso, desvela algo.

Não se informa o que passou, foi posto pelo e foi imposto ao Presidente Zalaya.

Em seguida, sob o horizonte do apoio popular que reelege Chávez várias vezes, legitimam o golpe como fosse um
arroz que passou do ponto mas até que ficou mais gostoso.

Desconsideremos os elementos falsos que eles enfiam no meio da arenga.

O "raciocínio", uma bola de neve misturada com veneno, agrega premissas inverossímeis e "inaceitáveis" e chega a conclusões apresentadas sem constrangimentos, a fim de legitimar a resistência das classes dominantes à abertura institucional de um mecanismo pelo qual a vontade popular faça valer interesses políticos diferentes dos planejados pelas cúpulas que dominam as instituições locais.

Eis que surgem os
defensores da democracia: eles evitam mudanças que abalem mecanismos "democráticos" pelos quais os interesses da minoria se sobrepõem aos da maioria.

Bola de neve que se preze, o "raciocínio" passa à "análise histórica": Zelaya convocou um plebiscito meramente consultivo a fim de avaliar se o povo quer ou não a eleição de uma Assembléia Nacional Constituinte. Na medida em que tal Assembléia reescreveria todo o arcabouço da sustentação da pirâmide legal, ou seja, a Constituição, a Constituinte [olha a "bola de neve em ação"] abre espaço para eleições
ad infinitum. Logo, a Constituição em vigor precisa manter-se intocada, mesmo ante a mera hipótese de saber se o povo quer "atualizá-la".

O que tal racicínio oculta?

Que a única Constituinte "aceita" é a convocada em momentos de refluxo dos movimentos sociais. Aí sim, como diz a personagem "Lontra" da TV,
poooooode.

Voltemos: como se não bastasse,
envenenam o poço [o nome de outra "falácia" que a gente aprende no colégio], ou seja, associam negativamente o processo a algo já demonizado pelas oligarquias midiáticas latino-americanas: Zelaya fará tal como Chávez [e os anos de doutrinação midiática apresentam Chávez como o Mano Capeta da democracia, quando é o exato contrário da imagem que fantasiam].

Pronto, eis o ponto de chegada das cambalhotas argumentativas sem trapézio: é legítmo o golpe contra a democracia, porque só assim defendemos a democracia.

Pena que esse circo de horrores não traga inovações no roteiro: Pinochet, Castelo Branco, Videla e respectivos capachos no Legislativo, Judiciário e porta-vozes midiatizados entoaram o mesmo mantra por décadas a fio.

Deu no que deu.

O que se passa, então?

O que se passa é, vamos aos dados:
(1) 85% do que Honduras vende é para os EUA;
(2) o único país da Américas que não retirou o embaixador foi os EUA;
(3) Clinton, a hilária, ante a pergunta acerca de boicote dos EUA, diz que são contrários ao golpe, mas que não podem romper os acordos, ou seja, os negócios continuam como se nada estivesse acontecendo;
(4) os militares hondurenhos nunca deram um passo sem anuência e participação direta dos EUA até hoje, noves fora todos terem passado pelo centro de formação dos gorilas
made in USA, a "Escola das Américas";
(5) um Zelaya cada vez mais próximo à ALBA, Chávez, Cuba etc. bate de frente com o que Obama pensava ser a sua política para a AL.

Conclua agora o leitor qual é a
mão invisível que sustenta o patético golpe [hoje o chancelar de lá, em dupla manifestação de preconceitos, não só chamou Obama de negrito que não sabe nada, como também mandou o presidente da Espanha ir engraxar sapatos].

O que se passa em Honduras atualiza a doutrina Hitler/Bush da agressão preventiva.

No caso, à própria idéia de democracia popular.

O que faz desse Golpe algo a temermos, a combatermos, e um
experimento a ser denunciado, perseguido e que resulte no encarceramento, destituição e julgamento de todos os envolvidos no Golpe de Estado.

Basta acompanharmos em SP a adesão indiscriminada de largos setores sociais, extra ou intra-USP, à invasão policial e massacre efetuado pela PM
, em 9.6.2009, contra os manifestantes que os ameaçavam ao darem as mãos ao redor dos polícias. Em nome da democracia, leiloaram a autonomia do espaço universitário ou perseguem manifestações organizadas como meras ações de grupelhos a serem exterminados. O que dizer do Conselho Universitário [C.O, sic], órgão máximo composto pelos mandatários titulares, instância decisória da USP, 0,8% da comunidade, a escolher quem é reitorável? Somando as personagens, o adido militar e a lontra: é nosso grupelho, então... poooodeee!

Voltando ao golpe, vamos ao que interessa, as formas de dominação: a política de recolonização explícita do espaço iraquiano pelos EUA mostra o quanto "velhas soluções" podem ser repostas e legitimadas a qualquer momento.

O que impedirá a saída dos gorilas da caserna por aqui? O que impede o retorno dos Golpes de Estado como política de gestão dos conflitos mediante seu extermínio, tal como se fez no decorrer do século XX?

A mobilização popular organizada, sobretudo a levada a cabo por movimentos antissistêmicos, anticapitalistas e revolucionários?

Serão eles os que "puxarão" ou "situarão" o centro do debate em algum ponto tal que a solução hondurenha permaneça "deslocada", fora do espectro das "soluções possíveis"?

A luta continua. Malgrado Obama, lulismo de resultados e assemelhados.
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Honduras, o Palmeiras e os últimos 3/4 da Gestão Belluzzo

Lá, como cá, todos em compasso de espera

Cá, como lá, não se sabe direito a quantas andam as negociações.

Em ambos os casos, algumas evidências. A ação dos gorilas hondurenhos [devidamente adestrados por décadas de simbiose com os establishment militar e neocon made in USA], mais acuados que Sadam escondido na toca, desmascara preferências golpistas e antipopulares das famiglias midiáticas e dos habituais porta-vozes dos grupos sociais e políticos por toda a AL.

E cá, como em qualquer outra agremiação futebolística, todos estamos reduzidos à minoridade só uma vez rompida com a experiência da democracia corintiana. A Nação Alviverde é mero rebanho a atualizar e realizar, mediante a sua paixão, a transformação de tudo em mercadoria nos dias que correm.

Quanto à repressão, não nos preocupemos: há violência da PM, Judiciário tendencioso [aqui, o promotorzinho bambi que nos persegue é o último capítulo da farsa], elites partidárias golpistas e lugares comuns midiáticos a estigmatizarem todos os que, descontentes com a palhaçada, digam não, lá como cá.

A diferença é que os mortos hondurenhos, tal como as centenas de desabrigados de Maranhão a Manaus não são tão mortos nem tão desabrigados como os twiter-anglicizados iranianos "where is my vote?" e encorpadas catarinenses de barriga branca.

Palmeiras, Belluzzo e a história que não se repete

Pagamos fortunas nas bilheterias, lojas oficiais, cardiologista e terapias [do bar ao divã, a depender do freguês].

Somos mero rebanho a sustentar processos decisórios e grupos políticos, que se transformaram em feudos mas sem quaisquer das obrigações dos suseranos, à frente de departamentos de futebol ante toda a, no caso, Nação Alviverde.

Hondurenhos ou palmeirenses, punhados de dois ou três Cipullos [Cipullo é o diretor de futebol do Palestra trás do que rola desde antes de Belluzzo virar presidente] se impõem ante os demais sem mais aquela. Se, por um lado, só nos resta torcer para que Belluzzo seja nossa versão de Frederico II, O Grande, o prussiano rei iluminista que impôs goela abaixo dos podres poderes do reino o que havia de melhor, por outro, a história só se repete como farsa.

Que tal os conselheiros e diretores serem pressionados a serem algo mais que conspiradores de folhetim ou massa de manobra eleitoral?

É quando "novos personagens entram em cena": a mídia palestrina.

Resta à mídia palestrina alargar, popularizar, massificar, institucionalizar e fortalecer o espaço conquistado nas interlocuções com o Rei-Economista, sob pena de algo como um 18 de Brumário qualquer atropelar e reverter esse diálogo e tudo o que de bom possa ser implantado no biênio da gestão Belluzo, 1/4 da qual acaba de virar história.

O processo de escolha do novo técnico é a oportunidade para escaparmos do vexame kantiano: não podemos fazer vistas grossas e silenciarmos ante o Rei, "para evitar fortalecer o adversário".

E esse jogo, como poderia dizer o bigodudo para além do bem e do mal, não é para fracos. À LUTA!

Já basta a sinuca de bico enfrentada pelo filósofo de Königsberg. Já basta os descaminhos atravessados pela militância e por movimentos sociais diversos: acuados pelo lulismo de resultados, acabam por silenciar muitas das críticas a fim de não jogar água nos moinhos tucanofascista, privatistas, financistas, antinacionais.

Emancipação social, tal como o ser em Aristóteles, manifesta-se de múltiplos modos.

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Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

pancadaria na USP e a pergunta: a que serve a militarização dos órgãos de vigilância social?

PM avança, atira e joga bombas contra estudantes
anteontem na USP

coxinhas de plantão na frente do prédio da Reitoria,
a pedidos do gov... ou melhor, da magnífica reitora

defesa da democracia no dos outros é refresco [imagem copiada do RI...
falando em RI, negócio da China é eles comprarem
por U$57 a tonelada do minério de ferro,
e venderem um calçado plástico descartável
by "Nike" pelo dobro do preço; mas essa é outra história]

O blá-blá-blá acerca da banalização do uso de piquetes ou ocupações nas mobilizações propostas por movimentos sociais justifica, alguns bem-intencionados, outros nem tanto [aqui, para os sem-UOL], o uso da força policial para a restauração da "ordem democrática".
Para um relato dessa "restauração" em ato, veja-se, por exemplo, o que publicado pelo professor Pablo Ortolado na Carta Maior.


Quem quiser acompanhar o que lá se passa, recomenda-se o blog DCE Livre Ocupado. Uma postagem do Demétrio Toledo apresenta e critica, no Blog do Guaciara, o enredo completo dessa ópera bufa tucana, cujo mérito, devemos todos reconhecer, foi "agregar" um movimento até então bem fraquinho.

E veja o que saiu há pouco no blog do Paulo Henrique Amorim, o
Conversa Afiada, o tratamento do assunto no imprensalão chapa-branca e tucano... entregando o responsável pelo espancamento dos estudantes:

Saiu na Folha (*), pág. C4:

“Serra afirma que Polícia Militar não exagerou no confronto… A mobilização, queixa-se (Serra), é alimentada pela imprensa, que, na sua opinião, deu destaque excessivo a um conflito iniciado por cem pessoas.”

Saiu no Estadão, pág. A18, reportagem de Renata Cafardo:

“Reitora se comportou de forma diferente em 2007. Na 1ª. greve que enfrentou, Suely Vilela impediu que PM interviesse, o que teria gerado críticas de Serra… Um ano depois, em evento com reitores, o governador a teria cumprimentado e dito: ‘Este ano, a senhora não vai deixar invadirem a reitoria novamente, não é ?’, contou uma professora que não quis que seu nome fosse publicado.”

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A que serve a militarização dos órgãos de vigilância social?


Com as ações violentas da polícia, sobretudo em estados governados por políticos tucanos, serve para restaurar ou manter o ordenamento de um jogo jogado por regras congeladas impostas por alguns participantes com papéis autoatribuídos segundo posições privilegiadas a se reproduzirem em cada rodada de "repactuação" ou legitimação do tal jogo.

Há momentos em que lhe interessa recusá-las, as regras do jogo, como quando se recusam a abrir rodadas de negociações com entidades ou grevistas, rodadas em que as reivindicações são apresentadas de modo pacífico.

Uma recusa nada democrática, segundo as próprias regras do jogo que defendem.

Ou não, depende dos interesses envolvidos.


Em tempos de democracia identificada como representativa, tal jogador tem um olho na repercussão midiática e eleitoral das ações truculentas de sua polícia.

Sua ação visa sobretudo ao cálculo do aumento do grau de confiança do capital político junto aos financiadores de campanhas eleitorais – único e propalado momento em que todos, incluindo o andar de baixo, participariam do jogo.

Ou seja, um olhar voltado aos detentores do poder real, quais sejam, as grandes empresas e seus porta-vozes, usualmente não- institucionalizados.

Resta-nos a questão principal, e que nos leva a um dos dois pilares que sustentam a ideologia do Estado moderno.

Desde o Leviatã hobbesiano até as Constituições em vigor mundo afora, defende-se o monopólio estatal da violência.

O exercício desse monopólio pelo Estado é identificado sem mais como a militarização no controle da sociedade, da aplicação das suas decisões e da solução de conflitos. Conflitos entre jogadores com posições distintas são, em tese e não só formalmente, inerentes ao jogo democrático que os funda e possibilita, mas na prática, reprimidos a ferro e fogo pelo agente político instituído como defensor de tal ordenamento segundo encaminhamentos que o governante defensor do status quo democrático, seu grupo de apoio, o soberano de fato, bem entenderem.

Um rápido exame, contudo, e o exercício histórico desse monopólio é identificado inscrito nas cicatrizes dos de sempre situados do outro lado do porrete democratizante, os movimentos sociais emancipatórios ou meramente "fora de controle".

Salvo um Al Capone ou outro raramente encarcerado nesses séculos todos, a bem-aventurança é garantida a todos os do andar de cima da sociedade, a seus acólitos e agregados. E nem falir mais eles falem...

Exemplos? A gigantesca e trilhionária transferência de fundos públicos aos sócios do capitalismo de cassino nos últimos meses do banquete americano. Por aqui? Basta acompanhar a novela da criminalização do policial e juiz que ousaram colocar os negócios de um dos babyboomers locais sob suspeição jurídica, uma novela tocada pelos órgãos superiores da magistratura e legislativos, com alguns de seus membros tão afoitos em desqualificarem seja os procedimentos, seja o próprio arcabouço legal que fundamenta e legitima os procedimentos do juiz e do delegado ousados em sua imprudência ao encarcerarem, sem nenhuma violência e totalmente respaldados pelas leis em vigor, o chefe da quadrilha nos termos do mesmo Estado de Direito brandido pelos defensores até, se for o caso, da violência policial... contra quem?

É aí que entra o pau no lombo do resto. Na turma do dissenso, desde que "não-amigo" [nos termos de Schmitt].

Por um lado, a formalização de garantias e direitos garante a perpetuação, entre seres sociais impotentes ou castrados pelo "jogo democrático", das instâncias de controle, perseguição e premiações diversas.

Por outro, quando o "jogo formal" não evita a emergência de desacordos ou não cala os descontentes, vem o "conteúdo" do jogo em vigor: a "pedagogia da porrada em quem estiver na frente".

E dá-lhe pancadarias e chacinas contra sem-terra, zapatista, iraquiano, favelado, pobre, suburbano, deprimido, preto, avós de desaparecidos, mulheres sem-véu, torcedor de futebol, marcha da maconha ou em qualquer outro que atravesse o caminho da dona Democracia.

Pouco importa qual é o bordão bola-da-vez a legitimar as repressões.

Pode ser
em nome do "combate ao comunismo", da "segurança", dos "direitos de propriedade", do "combate ao terror", do "direito de ir e vir".

Curto e grosso, indo direto ao que interessa na resposta à pergunta posta, um blog serve pelo menos para isso.

O interesse que se solidifica mediante o jogo democrático visa a conformidade coletiva aos imperativos da sociedade de consumo, do mercado e da espetacularização das vidas vazias.

Quanto à militarização dos órgãos de vigilância social, ela serve aos que, tal como gangues ou máfias, se apropriam privadamente das conquitas sociais advindas da extração e apropriação dos lucros advindos da exploração social do trabalho humano.

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Voltando à pancadaria na USP.

Impressiona a capacidade de catalização dum debilitado movimento estudantil com os esvaziados movimento sindical dos funcionários e dos professores [debilitados pela apatia generalizada discente e docente, perante a vida no campus ou fora dela] que o desgoverno tucano paulista, ano após ano, propicia mediante o encaminhamento autoritário da gestão das universidades.

Um autoritarismo não só policial: também é autoritario o modo como conduz, seja nos gabinetes dos secretários do governo, seja nas reuniões dos Conselhos Universitários, o desmantelamento e privatização das instituições universitárias.

A çabedoria tucana da Chuíça brasileira... Não tarda o dia em que até o cruzamento da Paulista com a Consolação será pedagiado e a medida defendida pelos penas-paga da mídia oligárquica como çábia çolussão tucana ao caos no transporte público paulista.


imagem de um dos quase 300 km de congestionamento
em SP ontem, novo recorde para os quase 800km
medidos pela CET-DSV, batido às 19:00h

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Aos que busquem coesão e coerência nesse ou em outros textos semelhantes, recomendo-lhes buscarem-na mediante análise dos argumentos, não apenas lógico-formal e não nos patamares sociais em que Estado de Direito fez água desde sempre e há séculos, não entre os que, por gerações a fio, mesmo dispostos à troca de equivalentes com o comprador de seus trabalhos, são tratados como lixo descartável a cada crise do capitalismo.

Que busquem a coesão e coerência nos panfletos publicados na Imprensa Livre. Nas diretrizes postas por agências de fomento e financiamento multilaterais. Entre os defensores do livre mercado e das políticas públicas restritas à ordem e vigilância social.

Façamos votos para que tais aportes críticos possam colaborar para que, no futuro, textos como os desse blog, dentre outros, possam ser lidos como documentos de um tempo histórico extinto, um tempo em que os absurdos tratados por esses textos terão sido formas sociais dominantes e passivamente tratadas como justas, legítimas e defendidas pelos homens de bem. Que São Serapião ilumine esses críticos em sua labuta. Alvíssaras!

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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

queda do AF-447, realeza midiática e seu acesso a fundos públicos e o retorno da pergunta: como é a mídia rumo ao socialismo?

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A oligarquia midiática informa haver um príncipe brasileiro entre os mortos do voo AF-447 RJ-Paris.

Sinto informar: no Brasil não há príncipe nem herdeiro real nem nada assemelhado desde que se tornou uma República.

Mas não é o que parece.

Essa história de herdeiro do trono traz duas mensagens, uma manifesta e outra latente.

Fala-se de boca cheia em desocupados que fazem as vezes de herdeiros do trono real, descendentes do arremedo de monarquia há 120 encerrada com a instauração do regime republicano presidencialista.

E segue o cortejo.

Ainda outro dia o Rei Pelé colocou a mãe no meio do seu quiproquó com lo hermano Maradona.

Xuxa é a rainha do baixinhos em queda livre na audiência de seus lixos na TV Globo.

Ontem estreou no Flamengo, em partida pelo Brasileirão, Imperador Adriano, também
alcunhado Imperatriz em sua temporada bambi.

Luiz Gonzaga é rei do forró, autor do que deveria ser o hino nacional brasileiro, a Asa Branca.

Há o boca de sovaco Privatizando Henrique Cardozo, o príncipe dos sociólogos, sob cujo reinado o espaço econômico brasileiro regride à condição de plataforma de valorização do capital altamente volátil à procura de retornos sem riscos nem custos... tal como quando isso aqui ainda era uma monarquia descaradamente submissa ao Império Britânico.

Hoje, o descaramento é o mesmo, mudou sim a fidelidade, agora... voltada aos interesses norte-americanos ao invés de ingleses.

A mensagem latente, como costumam sê-lo, é muito mais eloquente.

Há 5 famílias reais nesse país.

Os Frias, Marinhos, Saads, Civitas e Mesquitas, proprietários dos 5 grupos midiáticos que controlam e pautam aquilo que passa por mídia e indústria da formação das consciências no Brasil.

Uma oligarquia midiática autoinstituída portadora de privilégios que a distingue dos demais meios de comunicação audiovisual.

Prova: hoje, um dos porta-vozes da realeza realmente existente, o Lixão da Barão, ou melhor, a Folha de S.Paulo [Força Serra Presidente], denuncia o aumento, entre 2003 e 2007, de 499 para 2.597 o número de órgãos de imprensa a receber o mesmo montante de verbas publicitárias no decorrer do governo Lula.

Conforme lemos no blog do Eduardo Guimarães, um porta-voz da famiglia Frias defende a distribuição da verdinha entre os mesmos de sempre como exercício da democracia. E a repartição de verbas por um número maior de veículos, o descentramento, a pulverização da verba para além dos grandes veículos seria prova de lulismo a subornar a imprensa e comprar apoio, entre blogueiros inclusive [pergunta-se Eduardo: será o caso de processarmos o Lixão por difamação?].

Pior ainda é a solução proposta pelo entulho disfarçado de jornalista do Lixão: o governo só deveria dar dinheiro aos que já tem muito porque esses não precisam.

Collor, o sicofanta canastrão, usou bordão parecido para se eleger presidente em 1989, e deu no que deu, diga-se de passagem.

Mas não é isso o que importa, e sim, ressaltar uma das faces do cinismo neoliberal latente na mensagem: apedreja o estado social mas depende de fundo públicos para não falir – que o diga a GM, dentre outros, nos EUA.

O pena-paga publicou seu libelo hoje, no mesmo dia em que fechou o primeiro grande jornalão brasileiro na Era da Internet, o Gazeta Mercantil.

No mesmo dia em que saíram dados acerca da queda de vendagem dos jornalões nacionais, com índices de queda com duas casas decimais, um deles com queda de 25%.

As quedas nas vendagens e índices de audiência são eloquentes.

E hoje, tais impérios do audiovisual lançam suas tertúlias aristocráticas ao ar.

Aos mais de 250 mil desabrigados pelas chuvas no Nordeste, "assustados" com as notícias acerca dos 30 casos de gripe suína no Brasil alardeados nas TV.

Em meio à bancarrota iminente nos negócios, famiglias lançam apelos de reserva de mercado na distribuição de verbas da publicidade oficial.

E nós, a turma do contra, pedra sobre pedra, como ocuparemos o vazio deixado?

Dia a dia, centímetro a centímetro, o que contrapomos a isso tudo?

Ou seremos surpreendidos mais uma vez pela apropriação desse vazio por algum bem-sucedido esquema de reprodução das estruturas de poder e dinheiro a suprimir, reprimir e silenciar a produção e circulação de ideias, conhecimento, práticas culturais e formação do ser social coletivo emancipado, radical e socialista?

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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Links Recomendados [atualização]

Atualizou-se a seção dicas de páginas de notícias, análises, críticas, informes. Recomenda-se um mergulho em busca de tesouros diversos!

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Lulismo de resultados, politicismo, a perspectiva do trabalho, a crítica chasiniana da analítica paulista e perguntas sem resposta

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"A crítica chasiniana à analítica paulista", de Vânia Noeli Ferreira de Assunção e Lúcia Ap. Valadares Sartório, recém-publicada na Verinotio, uma revista online de educação e ciências humanas, retoma algumas idéias de Chasin acerca de um quarteto teórico por ele designado "analítica paulista", formado pelas teorias da dependência, do autoritarismo, da marginalidade e do populismo, com passagens pelo acervo crítico do Iseb, Cepal, PCB, dentre outros.

As autoras, de modo bem didático e sem baratear o que está em jogo, apontam os pressupostos imanentes às críticas dos que ignoraram a passagem pela particularidade local assumida pelo conflito entre as classes sociais envolvidas no confronto entre capital e trabalho no Brasil.

Tanto os teóricos do populismo, quanto os cepalinos / isebianos, quanto os analíticos uspianos, bem como a constelação de descendentes e filhotes deles todos, acabaram por perder o bonde conceitual da história, já que,
ao chafurdarem não raro em cenas de weberianismo explícito, tipos ideais e recortes segundo afinidades eletivas por elas elencadas, deixam escapar a particularidade posta às e pelas classes fundamentais!

O modo como Chasin reconstituiria os pressupostos não-assumidos liberal-democratas que organizam as leituras e críticas pré- e pós-64 é bem incisivo.

O quarteto teórico, de avassaladora influência sobre a esquerda brasileira até hoje, teria perdido o pé tanto da distinção quanto do nexo local mantido ante o capitalismo em geral, suas inscrições locais, a sua relação com classes dominantes e seus aparatos institucionais e ideológicos, uma carência pseudocompensada por oxímoros teóricos empirista-idealistas que não retomaremos aqui, e a cuja demolidora reconstituição
pelas autoras remetemos o leitor.

Para avançar, proponho uma questão: teriam as experiências dos trabalhadores no embate direto com a superexploração do trabalho fundamentado mediações meramente "politicistas" que viabilizaram aliança entre partidos aliados com o petismo/lulismo de resultados político-institucionais nos anos 89-2002?


E aí é que o artigo nos faz pensar, seja no "chão concreto", seja nas alternativas que aponta.


Pois houve quem, munido de recorte chasinista,
durante o ano de 2001, pré-Lula presidente, apoiasse Serra e se contrapusesse ao lulismo como ponto de chegada desse processo iniciado nos anos 80. Será que tal postura não incide também na prática do liberalismo com sinal trocado? Não implicaria assumir uma negação indeterminada da liberdade abstrata pressuposta pelos "novos personagens" envolvidos e produzidos num histórico de lutas antissistêmicas desde lá os anos 80? Não implicaria negar a experiência concreta dos autoinstituídos sujeitos no decorrer das lutas dos anos 70-90 ["quando os novos personagens entram em cena"]?

O que se viu, em 2001, então seria um debate em que todos os contendores, cada um a seu modo, incidiriam no limite denunciado por Chasin, o de instituir um cenário politicista para avaliar as relações de conflito entre os grupos sociais antagônicos?

O singular nisso é que estamos falando de um período em que todos estamos de acordo em acusar a direita de promover a despolitização da economia, tornando-a uma esfera cada vez mais "independente" do processo de lutas políticas e cada vez mais inacessível à alternância real no poder, um processo cujo ápice inicia-se com o desmanche monetarista-neoliberal do Estado e sua captura por interesses privatistas e financistas posto em marcha como pauta política por agências de fomento ou financiamento e grupos políticos representantes de
interesses econômicos hegemônicos em escala global desde meados dos anos 70. Um imbroglio que parece se passar em algum ponto distante da galáxia, caso nos detenhamos aos marcos do artigo [que, no entanto, o colocou sob mira telescópica ao refazer as linhas gerais da relação com o capital estrangeiro proposta pela teoria da dependência, porém, tal como o objeto da análise, deixa escapar (na conclusão que não foi escrita porque escaparia ao propósito das autoras?) a “possibilidade de traduzir teoricamente o laço real que ata o país ao capitalismo mundial”.

Voltemos, assim, ao artigo realmente existente, para repor, na esteira da leitura proposta pelas autoras, a exigência chasiniana de dar conta da "base material da existência": quando O'Donnell associa o perfil tecnológico do processo econômico em curso com categorias como autoritarismo, não estaria ele tentando romper a cisão entre economia e política?

E mais: se O'Donnell encontra essa aliança nos setores de bem de capital e indústria de base, como ficaria o resto do setor produtivo?

E novas perguntas podem ser formuladas agora: qual a verdade do que é posto pelo campesinato e toda a luta no campo, com seus pressupostos um tanto jacobinos e paulinos acerca da propriedade e da justiça/igualdade na terra, respectivamente? E quanto aos deserdados urbanos sem-lugar na exploração formal pelo capitalismo avançado mas com tempo e espaço assegurado e não-categorizado pela teoria social, marxista ou não, no processo produtivo e de circulação de riqueza?

Para usar as categorias de Chasin, esse contingente agrário e urbano é o "chão concreto" da "entificação" das relações de trabalho e do circuito de reprodução do capital, ao mesmo tempo, são conflitos e formas de apropriação da riqueza socialmente produzida da qual a parca etnografia produzida basta para desvelar como o solo místico mas estéril as categorias analíticas, empiristas, dogmáticas, liberais, revolucionárias, libertárias, fascistas, autonomistas ou qualquer outra que vise um efetivo e não-dogmático nem delirante processo de crítica, conscientização, mobilização e ruptura social hoje.

As autoras tiveram pleno êxito ao mostrarem a ingenuidade da defesa abstrata de algo como "democracia em geral" que passa correndo enrolada na toalha de ponta a ponta em diferentes palcos teóricos, bem como a ingenuidade de renunciar à "perspectiva do trabalho" ao criticar as formas de exploração social pelo capitalismo e seus agentes locais.

Encerram o texto apontando o laço de sangue que une PSDB e o PT, como os que capitularam diante da 'usina do falso' em que se constitui o capitalismo atual.

Como militante no confronto das idéias, o final do texto é combativo.

Aonde chegamos com a retomada das idéias do "quarteto nada fantástico"?

As autoras encerram a revisão proposta com uma defesa da "retomada da razão do trabalho, como potência central de uma dada ação política, que faz política para além da mera razão política".

E conduzem o leitor à defesa de uma ação política como "movimento social que visa à matriz e por seu meio o complexo da sociabilidade que ela engendra e mantém".

Até quando permaneceremos presos a mantras tão místicos quanto os arrefecidos corpus teóricos criticados?

Estendamos então a sugestão posta por elas: considerando-se o movimento social e matriz capital x trabalho dos conflitos, como entender e transformar o complexo da sociabilidade que engendra e mantém o PCC [não só o chinês, como também o que se faz presente nas periferias paulistanas], a mc'donaldização do ensino superior, o nerdismo consumista, o colapso da sociabilidade e a depressão como sintoma ou o planeta favela?

Ou serão meramente empiricistas os estudos e reformistas as práticas acerca dessas instâncias de produção de valor e circulação de seres sociais desmonetizados mas geradores de valor para além de categorias hegemônicas que servem para mostrar o fundo falso que sustenta tais práticas, mas que deixa escapar a verdade à qual elas servem?

Talvez os demais textos da revista, sabe-se lá se na longa entrevista de um lúcido Lukács aos 85 anos, e, por uma espécie de divisão intelectual do trabalho, avancem em direção a tais respostas.

Ademais, dentre todas as "particularidades" teóricas enumeradas, ficou de fora o analiticismo uspiano desdobrado, hoje, dentre outros, nos textos de Ruy Fausto, que, já fomos avisados, tem a pretensão de "nos iluminar" a todos os que se situam à esquerda do
status quo...


[NOTA: noves fora a impressão de tais leituras muito abrangentes correrem o risco de serem apenas um Reinaldo Azevedo com sinal trocado, mas essa já é outra história; acerca de quais leituras muito abrangentes essa nota se refere, aos meus 5 leitores resta a liberal-democrática, abstrata e alienada liberdade de escolha.]

Para encerrar. Numa carona com vários colegas do Seminário das Quartas, um dos colegas, que viveu boa parte do período coberto pela crítica chasiniana, tratando de outras questões, às voltas com sua participação em um debate organizado pelo C.A. acerca de democracia, sistemas de representação política e quejandos, estava a lembrar que, para o período pré-64, no debate político em geral, por exemplo, em cartilhas do PCB, inexistiam referências a democracia – quando muito, falava-se em liberdades democrático-burguesas, num sentido pejorativo e como anexo. E sequer a direita do período se preocupava com a questão, seu foco era antes a preservação das liberdades individuais. Prosseguiu meu interlocutor: tampouco consta que fôssemos liberticidas ou coisa do gênero, apenas a queda de braço na esquerda pautava o debate em torno de questões mais essenciais, como, por exemplo, a ruptura, revolução, transição para o socialismo etc. Valendo-me da pista sugerida, então falar hoje em democracia, ou tomá-la como categoria a organizar uma crítica, seria apenas mais um sintoma de o quanto a agenda burguesa estaria impondo ao debate categorias estranhas à tradição da esquerda combativa dos quadros pré-64. Retomo a conversa para me perguntar até que ponto a leitura de Chasin, nos termos propostos pelas autoras, estaria imersa nesses ares do tempo, ao encontrar uma noção imanente de democracia em sistemas teóricos que estão para além da democracia como conceito-fundante [parágrafo adicionado à 1:06h de 28 de maio].


Domingo, 24 de Maio de 2009

Seria o genocídio ecológico? [tirinha do malvados.com]

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copiado do malvados.com

Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Depoimentos no orkut de Gilmar Mendes [imagem]

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"A gente se qualifica pelos amigos que tem e pelos inimigos quer cria" - apresentação do perfil num orkut fake de Gilmar 'Dantas' Mendes, abaixo [clique na imagem para ampliá-la, hospedada no blog do Paulo Henrique Amorim; deliciosos os "depoimentos" de FHC, Serra, Dantas e outros!]





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Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Liberdade by USA [cartum]

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Porco Velho é que faz partida boa - "Ele é um monstro", aponta Belluzzo

Sobre o épico de ontem à noite na Ilha do Retiro [aqui, dois links para o youtube, ambos copiados da mídia palestrina: 1. com a narração de José Silvério, e, ao final, uma palavrinha de nosso presidente Belluzzo; 2. para uma gravação feita no meio da torcida palestrina, atrás do gol e sem cortes depois desde a primeira defesa], três premissas e uma conclusão:

1. Após Marcão defender três gol certos que classificariam o Barueri de Recife às quartas de final da Libertadores-2009 e levar a partida pros pênaltis [sem rancores, para sempre se lembrem do nosso presente aos 104 anos que eles comemoram hoje];


2. Após Marcão agarrar três pênaltis e presentear o Barueri de Recife de volta com o lugar reservado aos Bragantinos da vida após seus 15 minutos de fama [recado ao Beltrão, o vice que não pensa no que fala: time grande é conhecido pelo nome, é maluquice e pleonasmo falar em Palmeiras de São Paulo, Vasco do Rio, ou Cruzeiro de Belo Horizonte];


3. Após Marcão dar sobrevida ao Warderburgo Luxerley como estrategista de armações medíocres ao custo de mais de milhão de reais mensais aos cofres do Palestra [os 500 mil reais que ele ganha, mais os 600 mil pagos a seus auxiliares não bastaram para o Çábio abafar a saída de bola do adversário, tal como o fez ao desclassificar o Colo Colo em Santiago semana passada],


4. Podemos concluir: Porco Velho continua a dar conta do recado [ao contrário de certo personagem da Disney jogador de hockey de joelhinho na hora de tomar seus frangos no La Bambinera].


Por fim, o grito de guerra palestrino atrás do gol nos momentos dos chutes do Sport:

PUTA QUE O PARIU
É O MELHOR GOLEIRO DO BRASIL,
MARCOS!


Nota: antes de passarmos pelos uruguaios, teremos de ir à casa de um Inter que não é tudo isso que se diz, e em casa ganharemos do sem-caráter que teme bola, e que ostenta títulos, ao invés de conquistá-los em campo, como quando manobra nos bastidores contra os mexicanos, como ao garfar 14 pontos no Brasileirão-2008, ou 12, no 2007... [a lista é longa].

Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Impeachment? Gilmar Dantas quer fechar o Congresso por mau funcionamento e se autoinstitui o papel de regulação positiva

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Eis que sua alteza Gilmar Dantas resolveu fechar o Congresso por mau funcionamento, segundo o próprio alega, ao mesmo tempo em que se autoinstitui um papel de regulação positiva dos outros poderes da República - figura constitucional delirante à qual somam-se tantas outras aberrações que justificam pressão generalizada pelo seu impeachment.

Para mais detalhes, cf. link para página de Paulo Amorim, que sugere a Temer e Sarney atravessarem a Praça dos Três Poderes, e fecherem o STF por mau funcionamento, já que lá os processos emboloram por anos a fio nas gavetas dos Supremos Togados.

Quando Gilmar Dantas assume legislar no lugar do legislativo, ele se autoinstitui, enquanto presidente dos STF, um papel que configura crime contra a ordem jurídica instituída, com o agravante ser um crime cometido por quem deveria zelar com rigor pela
sua defesa.

Sendo assim, segue-se uma proposta de encaminhamento de pauta para mobilizações populares organizadas:


1. É hora de acabar com a vitaliciedade do cargo: que seus cargos tenham duração limitada a dez anos, não renovável, e uma quarentena de igual período que impeça o exercício de uma série de funções no setor privado e outras tantas públicas também [o estrelismo midiático de alguns STF mostra a necessidade de restrição de conquistas simbólicas derivadas da notoreidade durante exercício do cargo, um capital simbólico facilmente convertível em plataforma para troca de favores com o Executivo ou Legislativo, durante seu exercício, ou em ponto de partida para carreira própria quando saísse do cargo].

2. Já que Sua Majestade admite que os STF devam legislar, pois então que o povo tenha a prerrogativa de esolhê-los mediante votação direta;


3. Se os STF se atribuem o direito de legislar, por analogia, então, que os representantes eleitos possam julgar os processos empilhados nas gavetas dos STF;

4. Que se derrube a Súmula Dantas, a que regula o uso de algemas, porque fica evidente que Sua Majestade esteve a legislar em causa própria, já que...


5. É tempo de defendermos não apenas o seu impeachment, como também


6. Sua prisão por violação de cláusulas constitucionais que garantem a tripartição dos poderes e a inviolabilidade de suas respectivas atribuições.

Para encerrar, em tempos marcados por exceções que viram regras e por medidas administrativas que fazem as vezes de leis, não raro a violar restrições constitucionais [a CC5 que retira do BC a monopólio da movimentação financeira em moeda estrangeira, por aqui, ou a decisão do chefe da polícia londrina, que passa a atirar sem problemas nem restrições em quem bem entenda no metrô, alhures], é bom evitarmos que a Constituição vire a Casa da Mãe Joana.

Para ficar num caso mais recente: há poucas semanas, Michel Temer cogitara poder, mediante medida administrativa, interpretar o dispositivo constitucional que impõe a obstrução da pauta de votações do legislativo quando vencido o prazo de votação de uma MP, atribuindo-se uma função restrita ao STF e ao colegiado de deputados que só pode aprovar alguma alteração com certa maioria e mediante votação em plenário [
link para matéria detalhando a coisa toda, aqui].

Depressão e temporalidade da subjetividade fraturada na época do capitalismo turbinado pelo desmanche da política como esfera de conflitos

.

seu tic-tac descia a rua,
compasso acelerado,
tarde da noite.

não queria soar deprimido;
parecia então compulsivo -
relógio, para os íntimos.


Paulo Arantes, Vladimir Safatle e Christian Dunker conversaram hoje, com Maria Rita Kehl, num debate de lançamento de seu novo livro, O tempo e o cão - a atualidade das depressões.

A originalidade de Kehl é, com base em Freud, Lacan e no que seus pacientes levam para o divã mas não só, tomar a depressão como uma estrutura funcional e sintoma social de um tipo de capitalismo marcado pela aceleração do tempo e no qual o tempo lento e o desmanche social instaurado pelo deprimido seriam uma resposta - da qual o próprio deprimido desconhece o sentido, aliás, e que cabe à análise fazê-lo apropriar-se, pela linguagem, desse sentido, não só nomeá-lo, mas, sobretudo,
responsabilizar-se por ele enquanto sujeito que constrói esse resposta um tanto esquisita mas tão familiar a todos nós.

Deprimidos de todo o mundo, uni-vos - um bordão talvez jocoso, mas didático para evocar o que o andar de baixo tem a ganhar caso se tocasse e mudasse a voltagem da resposta que, quando a via escolhida é a depressão como estrutura funcional, da resposta encharcada de impotência e tristeza inscritas a fórceps sobre a história da
própria psiqué de estatura reduzida por farelos práticos do tipo nada adianta fazer pois não adianta nem quero fazer nada mesmo.

Resta uma brecha, como lembrou Marco Aurélio, dentre outros, a da sociabilidade que, bem ou mal, movimentos organizados como o MST buscam generalizar.

Mas para isso, arrisco agora, teríamos de nos ver com um projeto político para além da resignação angustiada ou da reatualização narcísica de dogmas ou mantras que um dia funcionaram, mas que hoje nada dizem da realidade e do curso do mundo, o qual, dentre outras novidades, como reforçou Arantes, é tocado sim por uma sociabilidade pautada por um tempo cada vez mais acelerado para a realização das tarefas.

Questão que poderia se desdobrar, e bem poderia me orientar na leitura do livro, ao menos a essa hora da madrugada e ainda sob impacto dos ecos do debate fresco na memória: o que se passa quando, com a anulação de distinções clássicas como tempo de lazer e tempo de trabalho, ou entre esse e o do não-trabalho, quando, mesmo com o cara desempregado ou precariamente inserido em rodas informais ou até ilegais de geração de farelos e esmolas que lhe garantam o pão de cada dia, quando esse indivíduo fracassa,
que se passa quando ele perde a paciência por ser o único responsabilizado pelo próprio fracasso?

...

QUENTINHA, FRESQUINHA

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