quarta-feira, 17 de agosto de 2016

afinal os dados já foram lançados, mais dados para quê?



afinal, já sabem (1) quem NUNCA investigar, e (2) quem POUCO IMPORTA investigar, porque para ambos já está lavrada a sentença, respectivamente, (1) ilibados (e ai de quem publicar algo) e (2) matáveis (e ai de quem defendê-los, e para eles é necessário mais as tais armas).

Entendeu, ou quer aula de reforço?



domingo, 14 de agosto de 2016

dominicais nada amenas


I
Repara bem nessa linha de chegada, 
recado claro da Lei de Darwin: 
brancos de todo o mundo, não conseguireis fugir!



II
Imagina um mundo que tivesse 100m de costas, 
de lado, com uma perna só etc. 
Um milhão de provas, como na natação. 
Ele, The Bolt, teria tantas medalhas quanto.

*


Um correção: não é alemã, mas dos EUA quem cafetina o símbolo prostituído por Mendes, Toffoli, Fux et caterva...

*


depósito de lixo procura incinerador 
tratar na República dos Bananas, em Higenópolis, Lago Sul e assemelhados

*


basta um nada íntimo ser dito, nem demais no que insiste, arrasta e abana desdito pela fada, travessa safada anjinha

*


o são Longuinho em tempos 
da Adaptação Autoimposta à Era da Emergência: 
tortura infalível promete achar algo perdido

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Diagnóstico de época


O senso comum rosnado nos novos tempos
chacina a somatória de qualquer ideia
ou prática emancipatórias
criadas após o século IV a.C.



Mas, se tudo está perdido,

negócio é meter o dedo na ferida logo duma vez:




Isso para não falar do mais básico,

que é voltar contra os inimigos a sua própria pauta:



quinta-feira, 28 de julho de 2016

próximos passos após o tiro na nuca que todos estamos tomando


"La brutalidad e informalidad de las guerras actuales responden a un momento en el que el capitalismo pierde legitimidad y capacidad de seducción sobre el conjunto de la sociedad. La desigualdad y la exclusión empujan a nuevas formas del ejercicio del poder, que limita su oferta de persuasión a un tercio de la población mientras desarrolla mecanismos de coerción y de limitación democrática para el resto. La legitimación del poder necesitan un proyecto a largo plazo que hoy el capitalismo no tiene, que se está redefiniendo en la administración, la justicia y la educación. Por eso, hoy, el núcleo duro, compuesto por las fuerzas económicas y las fuerzas del orden necesitan dar la cara, salir a la intemperie. Solo los medios de comunicación aparecen como un baluarte efectivo en esta época convulsa. Las guerras asimétricas y las políticas de cerco son expresión de la contundencia con la que se preparan los conflictos." (Ignacio Muro Benayas. Las “guerras asimétricas” que Gramsci no conoció, aqui)

Hora de assumirmos novos recortes para lidarmos com o fim da quase-trégua aberta pela própria Ditadura Militar quando articulou o período que ora se finda, a Nova República. 

O desmanche dos direitos sociais já é fato. 

Fim da isonomia jurídica básica em qualquer democracia foi assumido de vez no modo como nada atinge os tucanos e uma mancha de batom na calça dum petista já é motivo para prisão preventiva. 

A última peça que faltava ser assumida, já é favas contadas: a cassação dos direitos políticos dos dissonantes é uma questão de tempo. 

Já estamos sob guerra civil com as chacinas aleatórias de pretos e pobres há tempos nas quebradas. 

Com a nova fase instaurada com o Golpe de Abril, um golpe civil-midiático-jurídico-policial, se fez picadinho do pacto social que ainda dava algum alento aos sobreviventes desses massacres nas quebradas.

Se faz picadinho daquilo que, a duras penas, os mantinha com a perspectiva de integração no espaço político e econômico, ainda sob o registro restrito e frágil  das políticas compensatórias e focalizadas.

Ante esse quadro, o que temos sinalizado de concreto como embate, enfrentamento e superação, precisamente? 

Basta-nos a mera fantasia de repor o status quo ante, como se o problema não fosse o fim de um ciclo histórico que o teve como último e esterilizado capítulo? 

O fim desse ciclo o encontrou de tal modo reduzido à impotência da mera governamentalidade que foi soterrado por esse bando de múmias e zumbis que vimos sair em andrajos retóricos de propostas. 

Destaque-se aqui o "Escola Sem Partido", malgrado ser apenas um dos adereços esfarrapados ostentados, pois são os que atacam a universidade mais de perto.

É sim o fim de um ciclo e sem volta: estamos sob uma guerra de massacre das nossas posições, conquistas, direitos, instituições arduamente construídos em quase um século de enfrentamentos [lembrar que a CLT é do período getulista].

Os direitos sociais estão sendo pisoteados nessa guerra civil declarada pelos Mendes, Cunhas, Editora Abril, Moros, PF, STF, Globo, Temer, Folha de S.Paulo, PSDB et alli

Estão sendo triturados com requintes de crueldade por zumbis políticos que saíram de suas tumbas e esgotos com a força dos dinossauros em fúria.

O aleatório dos massacres por milícias em chacinas sem julgamento nem culpabilidade desenhada virando técnica de gestão urbana, o modo como se coleta provas contra black blocks e as prisões arbitrárias fundadas em denúncias pela República  Moro é o tira-gosto do prato principal que tá chegando e a dilatação anal dos paneleiros já é conhecida, então pode-se fazer o que quiser que aceitarão calados. 

Já se assiste ao retorno de reações pré-políticas: começou a temporada das ações desesperadas com os robins woods os mais diversos começando a vicejar, com a volta do banditismo social... Os que roubaram caminhão-pipa para distribuir água nos municípios sob seca no interior paulista e periferias da Grande São Paulo foram apenas os primeiros dessa nova leva.

Enquanto isso, o pessoal dos guetos da "minha diferença minhas regras", claro, baterá palma, ao menos enquanto conseguirem se lembrar para que mesmo é que serve a palma da mão que não seja para tirar sebo do umbigo de suas particularidades desejantes.

E nós, a turminha do contra que insiste em tomar a contradição básica que é a sociabilidade imposta pelo capitalismo como contradição dominante que metaboliza esse conjunto aparentemente dissonante e diverso de tantas manifestações sem nexo nem correia de transmissão direta citadas aqui?

Ademais, como lidar com uma reação popular menor ainda do que o muxoxo resignado emitido pela torcida canarinha quando o juiz apitou o fim do sete a um há cerca de dois anos?



quarta-feira, 27 de julho de 2016

Vida danificada? Dos farelos que temos, duvido que ainda haja espaço para o pensamento



Olha, de boa, o Sensacionalista vai ter de fechar.

Depois do "leite de barata" mais nutritivo que leite de búfala (sic) e cuja produção já está a caminho, agora... "Máquina consegue transformar urina em água potável"


Os pesquisadores explicam que o dispositivo foi testado em um festival de música que durou 10 dias. Eles conseguiram coletar resíduos suficientes para obter mil litros de água potável. Segundo eles, a substância deve ser usada para preparar cerveja.


Para o futuro, a ideia é instalar o equipamento, em versões maiores, em locais de alto tráfego de pessoas, como aeroportos e estádios."


Aí vem aquelas dúvidas mais bestas: lá pela décima vez que for mijada, ela será então quase um diamante das cervejas? e a cada nova degustação, a cerveja, por já ter sido mijada antes, a cada nova rodada será ela então metamijada?  


"Meta"mijada? Isso abre nova frente aos programas de pós-graduação com olhar multidisciplinar, agora também em diálogo com a área de gastronomia e degustação.


Sabe o Adorno, que já denunciava a vida danificada, e apontava em Kafka o mérito de tomar como matéria de sua obra exclusivamente o que é recusado pela realidade?


Pois é... 


Enquanto isso, do outro lado do mundo...


quinta-feira, 14 de julho de 2016

dualismo terrorista na Era da Exceção


o importante aos Estados é o equilíbrio fiscal 
x
multidões de miseráveis aderem a todas as formas de fundamentalismos

Enquanto o pensamento dominante for "mais polícia aumenta segurança", e que "é tudo uma questão de aumentar a vigilância", o colapso só agrava.

Quanto ao ataque em Nice, como convém, fiquei observando as minhas próprias reações ao assistir o vídeo postado pelo wikileaks [link]. 

São cenas fortes que vemos após passagem do caminhão. [aqui, o video dele passando].

Primeira impressão é lembrar que são daquelas cenas comuns a lugares bombardeados, com civis estraçalhados pelo chão por dezenas de metros a fio, que é uma cena cotidiana a palestinos ou sírios ou líbios ou sudaneses ou ucranianos...

Que esse tipo de cena agora também é parte do cotidiano de franceses ou ingleses.

E que, tal como o ataque às Torres Gêmeas, temos ali algo da ordem do cinematográfico, que fala muito à imaginação urbanóide, bastante explorada naquele primeiro filme do Spielberg, O Acossado.

É o tipo de cena que faz a pessoa pensar que (1) podia ser ela ali e (2) caminhões são mesmo muito perigosos, como a gente não pensou nisso antes?

Eis que, se após as Torres Gêmeas não podemos mais nem embarcar com um mísero cortador de unha, não tardará a surgirem novas e absurdas proibições agora envolvendo veículos de grande magnitude.

Agora, acabar com o padrão de acumulação de riqueza e poder em vigor há seissentos anos, nada, né?

Denunciar a última volta no torniquete com a qual o capitalismo nos asfixia de vez em sua escalada irracional após ascensão de Tatcher e Reagan ao poder desde os anos 80 ninguém quer, né?

Mexer com o grande elefante bêbado que é a financeirização da riqueza, que é a precarização dos direitos sociais, que é a mão invisível do Reino da Mercadoria que está na sala de nossas casas, vidas e traseiros, por gerações a fio zoando nóis tudo, isso ninguém fala, né? 

Quantos milhares terão de morrer até as pessoas se derem ao trabalho de assumir o custo político que é abandonar o modelo de sociabilidade imposta pelo deus do Livre Mercado, e seus quatro Cavaleiros do Apocalipse, os tão adorados São Propriedade Privada, São Mais-Valia, Santa Finança e São Precariato?

domingo, 10 de julho de 2016

Mensagem do Dia


Em 1º lugar, #ForaTemer
em 2º lugar, cultive ratos e algum dels, 
leia a Veja, 
seja feliz 
e morra sob tutela!

sábado, 9 de julho de 2016

quando a balbúrdia não é opção, mas falta de

O mesmo vale para tantas profissões: a impotência ante o tempo longo em que nada acontece, sem alegria, acaba por satisfazer seu vazio com frivolidades sentimentais ou posturas políticas débeis e reacionárias! 

Como suportar a angústia posta por essa temporalidade?

Eis o desafio dos nossos tempos: como lidar com a balbúrdia da recusa a descrever o tamanho de nossos enigmas que se satisfaz em recitar suas certezas?

(1) não basta sua mera negação, 

(2) a meta é buscar o novo 

(3) sem a mera postura nem reativa nem adesista.

(4) o que implica assumir o fim da propriedade privada, a defesa da representação política direta, o laicismo nas relações interssubjetivas e o grau zero na ordenação das coisas e pessoas.

É longo o caminho a ser percorrido.

Bom sábado a nóis tudim!

sábado, 2 de julho de 2016

a crítica crítica em paz consigo mesma quando suas opções culturalizantes fazem vistas grossas à ordem do econômico, político, histórico e coletivo




Já faz um tempinho que a moda entre gente muito bem intencionada que se acha de esquerda é denunciar o colonialismo cultural dos intelectuais de costas para a produção de seu povo, sua terra, sua gente. A moda, no caso, é denunciar o que não passaria de uma aclimatação local de pautas e categorias adequadas à experiência social e às demandas dos povos dos países centrais etc. e tals.

É de se elogiar a pretensão militante de negativar algo naturalizado em um registro positivado, e de fato muita e má ciência é feita para defender interesses que são de uma dada classe social, voltada para a produção de mercadorias e riquezas que atendem a poucos.

É realmente importante denunciar a captura do intelecto e categorias postos a girar em relação de gravitação por forças e interesses externas ao território [brasileiro, periférico, africano, terceiro-mundista etc.] .

Pena que as coisas não sejam assim tão simples. 

Sejamos materialistas, e vejamos como isso se dá no campo da filosofia: é triste, é chato, é de se lamentar, mas poder institucional é assim que funciona. 

Se a universidade, ou a produção científica tem seu eixo a girar por demandas, padrões de medida ou critérios internacionalizados filtrados pelo neoliberalismo, que a tudo precariza e submete ao seu controle, não é suspendendo as leituras de Habermas ou Aristóteles ou Foucault ou Hobbes ou Hegel ou lógica modal ou história da filosofia que vamos resolver o problema.

Se se trata de questionar a gravitação periferia-centro, então que se tome as questões políticas e econômicas como foco das lutas, ao invés de meramente se historicizar e culturalizar antagonismos intracientíficos.

A conquista que tal postura garante é a irrelevância científica, tecnológica e conceitual de quem entre nesse jogo [que, diga-se de passagem, é uma invenção plantada com DNA e genoma franco-americano estruturalista-descontrutivista-anahistórico, com diferentes graus de misturas e combinações, com espaço para temperos analíticos e heideggerianos em combinações de sabores tão facilmente identificáveis quanto a jaca ou o jiló servidos em pastas na torrada].

Muito interessante pleitear autonomia no campo das ideias. 

Mas se é de autonomia que se trata, faça-se a revolução comunista e se crie mecanismos e instituições que, com muita sorte, talvez em três ou cinco gerações consigam superar o estágio larval na produção de conhecimento, ciência e tecnologia.

Estamos por ora condenados à confusão mental que pleiteia ao campo conceitual, à produção intelectual, às categorias ou temas, NOTE-SE QUE APENAS NAS HUMANIDADES, uma autonomia que, vá lá que fosse, quando muito poderia, e com os muitos equívocos que lhe é própria, ser pleiteada como fosse da ordem da construção de artefatos e obras que expressem certa tradição cultural.

Enquanto a agência espacial brasileira não consegue colocar nem um clips em órbita, e nas ditas hard sciences sequer dinheiro para manter um supercomputador ligado existe, na mais hard das áreas da humanidades [as aplicadas são fofas, tem método, objeto, meta e aplicação social do saber produzido, claro se for só pró-sistêmico e visando garantir a capacidade de aeração do inferno social], na filosofia, mais precisamente e que é o recorte aqui desse texto,  ou somos [quando muito] tíbios e meros comentadores de texto, ou [a regra geral] nem isso, apenas banalizadores de chavões encharcados de intuicionismo voluntarista, hedonista e atomizado a costurar mosaicos disformes de certezas fundadas em intuições e fantasias.

O que se passa por contestação da colonização da academia é de um despudor de fazer corar a "direita" clássica, que, sólida que foi um dia, soube tecer o perfil e pressupostos de modelos de produção de verdades fundados ou na experiência comum ou na tradição ou no hábito e fim.

O que se passa hoje por esquerda crítica crítica, com suas denúncias pós-modernas da captura de nosso imaginário e capacidade de pensar pelo que é estranho ou descolado de nossa "realidade", é a composição de uma colcha de frases de efeito atravessada por uma subjetividade arrogante, narcisista, anticoletiva, dessolidarizada e hipster que, ao invés do comon sense ou da experiência, dá ainda outro passo atrás em relação a esses dois limites empiristas, e funda o que se passa por saber crítico crítico sobre as coisas, as pessoas e as instituições sociais nas particularidades de seus juízos críticos críticos graças aos quais temos diagnósticos "descoladésimos" ostensivamente de costas para as instâncias coletivas, seculares e internacionais de construção de demandas, lutas, pautas, estratégias, histórias, soluções de questões que afligem o andar de baixo da sociedade, o habitado por suas diaristas, garçons, carregadores, motoboys, atendentes e zeladores.

E nos é servido um caldo crítico crítico que pouco se lixa e sequer se incomoda com sua ignorância sobre o que é, como vive, como se reproduz, do que se alimenta essa "escória" que, não por acaso, vem a ser os que lhes dão as condições materiais de passarem horas em papers, congressos e carreiras a denunciar o colonialismo cultural ou a dependência de paradigmas conceituais de outras paragens temporais ou espaciais.

Ocorre que, ao invés de se buscar a superação das condições sociais que viabilizam a reprodução desse estado das coisas que se almeja denunciar e que de fato aflige o pessoal da cozinha,  o foco acaba sendo a circulação ensimesmada de denúncias e militâncias agerridas a compartilhar – entre outros iguais nessa desfaçatez que é sim uma desfaçatez de classe – suas certezas moleculares, rizomáticas e em rede sobranceiras e bem fornidas.

O que se passa por esquerda crítica crítica, hoje de novo, vai dormir tranquila e de barriga cheia e – ao repousar sua cabeça cheia de frases feitas sobre questões seculares, afetivas, socioeconômicas, de classe, étnicas, de gênero, não raro com os cabelinhos encharcados de teísmo antissecular e antilaico – não se poupará um resmungo antes de dormir o sono dos combatentes em paz com a consciência, o resmungo que esvazia, denuncia, duvida e combate seus moinhos de vento em nome de um ser social coletivo que, por um lado, antropologiza a "mãe-terra", e, por outro, é um "coletivo" que se materializa ali, na cama quente que é lugar mais gostoso, graças à voz do Eu-Bela-Alma ali deitado, mas que poderia estar lecionando, publicando, dando entrevistas a entrelaçar ambas essas pontas, se pondo a falar em nome de um universal fundado na natureza, e de um particular que é a mônada leibniziana do eu-que-sei.

Para não serem acusados de fazendeiros do ar, o resmungo requentado em retórica tropicalista de uma geléia geral naturaliza, na ordem do pensamento e do discurso, um destinatário que nunca se sabe muito bem quem ou o que é, num tom que agencia um lugar discursivo mais próprio aos argelinos sob a colonização francesa,a palestinos sob o estado sionista de Israel, a judeus em campos de concentração, uma postura que é sim racista, elitista, misógina e tudo o mais, já que os sujeitos sociais em nome dos quais se fala continua ali, na área de serviço tocando a bandinha enquanto suas certezas desfilam na avenida da ideias.

Restam os "seres matáveis" nas quebradas do planeta-favela. Como a eles a história é congelada, a política esvaziada, a economia transformada em categoria metafísica, nosso crítico crítico borrifa-lhes, na conta de bálsamo pacificador, a denúncia do "culpado" de suas desventuras, instituído como o mano capeta que lhes impõe fissuras que resultaram na captura das populações e territórios por espaços nacionais do núcleo central do sistema.

Realmente, como é fácil, gostoso, e faz bem ao amor-próprio ser assim tão interessado em superar o atual estado de coisas. 

Próximo passo será o quê? 

Puxar-se pelos cabelos para ver se consegue levitar? 

É bom que aprenda rápido a fazer isso: o cavalo [vulgo "pessoal da cozinha"] já está submerso na areia movediça e esses cavaleiros da redenção filosofante planetária também já estão até a cintura imersos – é melhor se apressarem em escreverem mais textos a denunciar os logocentrizados eurobrancos falocratas submissos porcos capitalistas feios, sujos, malvados, carecas e fedidos antes que seja tarde demais.


sexta-feira, 10 de junho de 2016

não é porque você diz que existem Et's...


Não, miga, não tenho nenhum minuto para ouvir a palavra da "Filosofia Marciana sobre Ética Alien", nem sobre gatinhos, nem sobre pensamento venuseríndio.

Quando a pessoa escreve defendendo existência de ET's, nem por isso o restante dos terráqueos sairá por aí dizendo que ET existe. 

Quando o jornalista usa sua coluna mostrando que os deuses eram astronautas, vá lá que seja, criaram lá um espaço no jornal reservado para esse tipo de especulação.





Daí a querer que o pessoal da astronomia, física ou arqueologia subscreva suas especulações, lamento informar, baby: ferida narcísica é realmente algo difícil mesmo de lidar.

O mesmo vale para o desmanche da governabilidade fundada na Nova República, para a captura das democracias pelo sistema poder-dinheiro, para suicídio de aluno, para a vacuidade do que se leciona ou para as ilusões perdidas.

O caldo entorna quando o que interessa é defender o ganha-pão das crianças.

Quando se quer enfiar goela abaixo dos incautos a gororoba servida.

Quando se desdenha do sentido e da consistência do que defende – já que a relevância nem entra em cena aqui.

Como seria o mundo das ideias se a consistência dos enunciados fosse um filtro para o que se escreve, para o se defende nas tribunas dos parlamentos ou dos tribunais de juri?

Ademais, fosse a tessitura conceitual um critério a que se submetesse as diversas manifestações das fraseologias produzidas, quão alentada seria a lista de lero-lero que não teria ganho o espaço que conquistou.

Mas as coisas funcionam de outro jeito.

O que conta é a capacidade de articular acordos, apoios, financiamentos bolsas e credenciamento.

Pouco importa o conteúdo do que se diga ou faça.

(1) E seguimos aí a gastar tinta, papel, horas, recursos públicos e privados com jornalista, tribuno ou professor adjunto que, sobranceiros e bem-fornidos, proliferam a algaravia.

(2) E ai de quem questione seus espaços ou resultados: entra em cena a defesa da pluriversidade horizontalizada com gravações e prints denunciando a colonização falologocêntrica branca europeia totalitária feia vermelha... [a lista de imprecações tende ao infinito].

(3) E não é porque o relógio de alguns está parado que se deve calar o som das horas da história que passam sobre nossas cabeças.   

(4) Fez dodói na formiguinha? Que dóóóóóó!

aos demais, Courage. De nossas derrotas vive o sonho dos que lutam. 







quinta-feira, 9 de junho de 2016

República das Bananas 003 - EDREX é o "universal concreto" do "universal abstrato" Haiti.


Piada pronta esse placar imposto pelo Brasil contra Haiti ontem na Copa América ontem.

Já que o temerário Golpe de 2016 fez desse quase-Estado um Haiti pro resto mundo, "de 7x1 em 7x1, a velha máxima de que O HAITI É AQUI nunca fez tanto sentido" (1).

"O 7 x1 é a metáfora da política externa do Serra: fala fino com a Alemanha e fala grosso com o Haiti" (2).

Mas como esse é o quase-Estado com espírito ameríndio caranguejo em que a festa resolve tudo, "depois do fim da corrupção, o Brasil também celebra o fim do trauma com o 7x1. Está tudo resolvido neste país." (3

Tanto que já tem peixão da Casa Grande articulador do golpe achando um absurdo alguém ir preso só por causa por causa de corrupção: "Estão banalizando o pedido de prisão", diz defesa de Jucá e Sarney (4).

Claro: prisão é para preta que rouba margarina ou preto flagrado com garrafa de pinho sol solto na rua.

Tudo (como sempre e é bom dizê-lo antes que um sinistro do STF me interpele) dentro da maior legalidade na Matrix do EDREX, do Estado de Direito Realmente Existente.





terça-feira, 7 de junho de 2016

República dos Bananas, 002


quem não reagiu continua vivo 
(Xuxu, Picolé de).


Então Janot pediu prisão de Renan e tornozeleira eletrônica para Sir Ney, o mais ancião dos coronéis da ditadura militar?

Não bastava ser a barbárie: com os novos e ilibados #sqn tiranetes no comando da máquina de moer gente que será o aparato repressivo-judicial-midiotizante no trato com lutadores sociais [vide desocupação ontem de uma ocupação aqui, tropas policiais a um passo de adquirirem aquele molejo gostoso das tropas sionistas na Palestina], a velha guarda do mandonismo patriarcal-patrimonialista e seus herdeiros serão presos?

Duvido...  

Gilmar Dantas vai chamá-los e latir: lindos, vou perguntar mais uma vez: e então, Dilma caiu ou não? vocês que sabem, depois não digam que não quis ajudar.

Nessa de "vamos dar chance pra eles governarem", já recuamos sessenta anos, já atingimos o patamar de faroeste trash anos 50.

Onde juiz, delegado e chefe do executivo inventam ou interpretam a lei como bem entendem e contra quem bem quiserem.

Na cena final o fazendeiro honesto com nove dedos acaba pendurado na árvore balançando ao vento.

Já sabemos o segundo episódio da série, por analogia com as muitas décadas de hegemonia da quadrilha mexicana conhecida como PRI, que teve em suas mãos o judiciário e a mídia, e cuja terra arrasada reduziu o território mexicano às cinzas que ardem até hoje.

Aqui?

Aposto em 50 anos de Pax Tucana.

E quem não reagir continua vivo, mas sabe como é, tem os danos colaterais, que pena que milhares tenham de morrer...

Ou? Bem, voltarei aos meus estudos, tchau!


sábado, 4 de junho de 2016

um exemplo de quando a ausência de solidariedade reproduz a forma de uma dominância encharcada de impunidade



A PM fuzilou com tiro na cabeça um moleque de dez anos [quem atirou, atirou no moleque, não na criança fofa].

A mãe do moleque assassinado: "não vai adiantar nada", enquanto aguardava liberação do corpo. 

O que impressiona é a ausência de comoção social que fertiliza contatações resignadas como a dessa família.

Que se passa quando o povo negro, pobre, das quebradas, os suspeitos de injustiçados como nunca simplesmente não se levantam em protesto a interromper – por algumas semanas que fosse – a truculenta e impune "normalidade" instaurada como curso regular das coisas?

A renúncia à reação – por mais caótica, apolítica ou cegamente violenta que pudesse ser –, eis o gargalo que ninguém entende, segue-se ao "ponto", ao acontecimento [no sentido que lhe empresta Badiou] que instaura uma escolha binária a partir do qual temos OU a resignação brasileira usual do povo das quebradas [salvo as exceções de praxe a manter a escrita da regra geral] OU subúrbios pegando fogo tocando o terror dias a fio como quando a polícia fuzila pretos ou filhos de imigrantes – pouco importa o tamanho de sua ficha corrida – entre os franceses, ingleses, alemães, ianques [idem, ibidem]...

Esse ponto é alguma coisa enraizada no sistema de formação da dominação local que se encaixou muito bem na reprodução local dos desmandos de classe, étnicos e de gênero, perpassados todos pelo mata-esfola imposto ao mundo do trabalho 

A declaração da mãe desperta na gente a certeza de presenciarmos em ato um bom exemplo de quando a ausência de solidariedade – que ela sabe que não virá e a família será alvo de represálias na calada da noite e fim, caso resolva chiar – reproduz a forma de uma dominância encharcada de impunidade.

Essa ausência de solidariedade é  "O Ponto": quando se renuncia à revolta, a escolha foi imposta pelo abandono/tibieza/desprezo de formas de solidariedade coletiva a quem foi golpeado pelo desmando.

Tal ausência nutre a opção pela renúncia  a garantir TAAAANTA impunidade aos que pisoteiam direitos... que até mesmo golpes de estado são dados a vomitarem a certeza cuspida e escarrada na nossa cara de que a regra é impunidade que as décadas de aposentadoria e reconhecimento social sempre garante aos infratores de praxe, pouco importa a envergadura de seus coturnos, togas, títulos [títulos aqui no sentido tecido na arqueologia do ódio à democracia proposta por Rancière].

O repertório da dominância dos interesses privados e relações pessoais sobre formas articuladas e impessoais de solidariedade [cf. sobretudo capítulo um de Raízes do Brasil, do Buarque de Holanda] de classe, étnicas... e lista é mais longa que o número de estrelas no céu em noite de lua nova no cerrado em época de seca.

A quem se console com a possível datenização das consciências, meramente pautada pela mídia, lamento informar: a midiatização a naturalizar a violência difusa contra segmentos sociais apenas repercute algo que é o estofo de valores presentes de modo difuso cf. Silvia Viana, aqui, dentre outros:



Viana foi peremptória no debate em mesa com Vladimir Safatle na Semana de Filosofia da UnB recentemente, a mídia só "organiza" valores cotidianos que respaldam a truculência.

Pode até lhes dar forma, mas não os inventa, insistiu Viana.

Pode até pautar as "formas consentidas" em moda na estação, mas o truque só funciona porque encontra caixa de ressonância nas consciências pessoais embrutecidas por séculos de práticas e resignações e desfaçatez com formas orgânicas de interações coletivas sempre presentificadas em ações e opções e silêncios e trabalho selvagem em "rituais de sofrimento" devidamente espetacularizados.

Deve ser isso que os sociólogos querem descrever quando falam em "sociedades autoritárias" que servem de pressuposto para certas formas de governo de coisas e pessoas centradas no extermínio puro e simples de quem ouse discordar.


quarta-feira, 1 de junho de 2016

o que NÃO fazer


Como é fofo o discurso alarmista ante a m* jogada no ventilador para todos os lados na política nacional.

Como são agudos os gritos de desconforto ante, por exemplo, a balela que é o “escola sem partido” pautar o que será a educação nacional daqui pra frente.

Como realmente são realmente tocantes os gritos desesperados lançados aos quatro ventos em toda a “internet de esquerda” e fóruns de mídia sociais os mais diversos chocados com os bárbaros a começarem o desmonte, captura e enquadramento ideológico das bases da educação nacional sob os dogmas fundamentalistas fascistas, de mercado e cristão, SIMULTANEAMENTE, cf. isso, link

Vamos ao que interessa: o que NÃO fazer?

Aos que se conformaram na instanciação de demandas por mudanças sociais sob recorte meramente institucionalizado, o que se vê por aí é... pânico e torpor.

Contudo garantias institucionais em lugares que sequer passaram por revoluções burguesas são mero sorvete ao sol.

Na primeira discordância sentida pelo status quo ante, no primeiro aperto que passam, é golpe e fim: essa foi sempre a escrita nesses trópicos.

Logo, a surpresa ante golpe e desmanche em curso é um dos frutos de um esquecimento básico – e também um de seus capítulos – que leva ao fim da política, que é abandonar o lugar, hora, cenário de luta, organização e mobilização quando envolve práticas, interesse e coletivos formados pelos diretamente interessados, tudo substituído pelo “vamos fazer a coisa certa, vamos votar direitinho, vamos defender nossos direitos, e, caso os especialistas nos enganem, entremos com uma ação judicial”.

Deu no que deu: a fantasia de uma sociedade democrática formada por pilares institucionais que só crescem, sobem e evoluem foi atropelada por um pilarzão que “cresce para baixo”.

Eis que descobrimos atordoados que a casta dirigente optou por conhecida cambalhota a refundar o velho capítulo das reviravoltas conservadoras entre sociedades atrasadas e colônias de impérios.

Eis que nos damos conta de que essa casta nos recoloca no rodapé da história, ao transformar esse território de vez em mera franquia para negócios de lucro fácil e rápido entre cupinchas e o resto que se dane.

Eis que do dia para a noite a emergente potência regional retorna a passos largos ao estágio de não-nação porque resolveu abortar a saída de sua condição de quase-Estado.

Mais ou menos nessa linha, que sirva de curativo esse banho de água fria de dezesseis minutos que Paulo Arantes [in: "Paulo Arantes - Crise política no Brasil de 2016: história, economia e relações internacionais".] despeja nos floquinhos de esquerda assustados sem saberem o que dizer:




Pois bem.

O risco agora é esse olhar em pânico – agora com olhos marejados após trinta anos de embriaguez com o doce néctar de valores e modelos conceituais importados “da parte do mundo que deu certo” –, para não perder o chão de suas fantasias, é passar a prantear o atraso do “nosso povo”, de “nossas elites”.

O risco agora é os agora “órfãos da democracia” se tornarem os novos “desiludidos da política”, e repetirem o padrão usual das belas almas (nesse como em outros casos): virar os olhinhos para o alto enquanto emitem amadeiradas notas de desconforto político gourmet com a “concretude imunda” que nos asfixia.

O risco agora é os tão-conscientes partirem para o convívio com o Jardim das Ideias Perdidas a serem replantadas em um cotidiano apaziguado, conformado, passivo, mas cheios de dados e balanços históricos a provarem “como sempre acertamos mas o rolo compressor do mundo passou por cima”.

O risco é a resignação na torre de marfim do desespero silenciado autoimpor-se voto de silêncio malgrado rigoroso regime de padecimentos materiais que se anunciam em todas as políticas sociais.

Isso se não aderir pura e simplesmente, sob a fachada de realismo político travestido em bordões como o do gif abaixo:


video

O risco é a formação de nova classe de intelectuais militantes, algo como hippies da beira-mar do reino do espírito, especializados  em entortarem arames toscos de supostos preceitos modernosos e edificarem rebotalhos de bricolages que se passariam  por arte se fossem apenas os hippies de beira-mar, mas, como são intelectuais no reino animal do espírito, nos venderão ciência, política, padrões de medida, análises de conjuntura e diagnósticos estruturais com os velhos tecidos importados da metrópole, antenados que são.

O risco é termos de lidar, entre os poucos que se importarem em resistir, com regras de ação de costas para o mar da ação política tecida pelos diretamente concernidos em conexões com determinações materiais muito bem consolidadas e em bases que estão há muito tempo aí mas pouca gente atinou seu alcance.

O risco é o voluntarismo dos abnegados derrotados pela marcha dos acontecimentos mais uma vez esquecer que ou ação política tome como ponto de partida o ponto de vista, voz e corpos da massa dos esfolados de sempre e silenciados como nunca, ou então seguiremos a repetir o padrão de silenciá-los sob o discurso de quem sabe qual é a coisa certa a ser feita, para depois ficar com a brocha na mão pendurado na janela porque a escada das alianças para a governabilidade  mudou de lado do muro.

O risco é a descoberta da falta de categorias para lidar com o vazio imposto com o esfarelamento do tapete em que adormecemos todos nesses trinta anos ao som de fantasias institucionalizantes e voluntaristas.

O risco é a descoberta sob nossos pés do chão cortante da dominação sem freios nem vaselina arrastar-nos a todos a mil por hora ladeira abaixo nessa gigantesca conflagração mundial entre os dois modelos de capitalismo da leitura conservadora que o Paulo citou, e nos limitarmos a gritar, gritar, gritar “ai que medo, ai que medo, ai que medo, ai começou, ai começou, ai começou”, como se alguém de fato estivesse interessado em ouvir nossos lamentos.



A esses todos os "desiludidos da política", bem-vindos ao deserto do real, teu pior pesadelo já começou.


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