terça-feira, 11 de outubro de 2016

irrelevâncias


O que temos?


Com tédio dum lado,
histeria midiotizante de outro,
a TV transmite as rodadas finais 
do novo tipo de Golpe de Estado,
o made in STF:
prende sem provas,
ignora inocência,
prende só com presunções.

Não é por nada não, mas nem tão novo é isso: a Santa Inquisição era um rolo compressor análogo.

Pois bem.

Ante esse cenário, a greve geral do que resta de categorias na área de saúde e educação tem de ser articulada.

E com cuidado para que seu esvaziamento não sirva apenas para legitimar desmanche em curso.

Já pisoteados os jardins.
Já arrombada a porta do vizinho.
Já chutam a nossa porta.
E nada de reação, revolta, nada.
Até quando tal torpor?


***

Engraçado.

Acabo de me dar conta de um outro país da AL cuja elite, por temor do poder popular e lutas sociais com seus inegáveis avanços universalizantes, também deu tiro no pé, caiu de bico e nunca mais se reergueu, golpistas e assassinas ditaduras por lá desde então se alternaram com espasmos de governo civis logo massacrados, um país que também estava "quase lá" quando resolveu virar a casa da mãe Joana, isso tudo há um século: a Argentina, à época conhecida como "a Suíça da AL"!

Bem, talvez a 'ofensa' com ares de praga "vá pra Cuba" devesse ser considerada com mais carinho, sobretudo por quem não tenha nada a perder...

Nas ruas, quando a maioria que se diz de esquerda trata a PEC e tudo o mais com indiferente desdém, diante disso só uma conclusão: a derrota ideológica imposta pelos arautos do inferno neoliberal como arte de governo é tamanha, que há espaço até para posturas e práxis que são sim de direita se autoidentificarem posicionados no espectro político como sendo de esquerda... 

Isso lembra aquela comédia de erros made in USA, a encenada por dois partidos, o dos mesmos de sempre dos tidos como à esquerdae o dos mesmos de sempre dos tidos como mais à direita, ambos encenando uma comédia que defende e impõe as mesmas diretrizes de sempre na relação com o mercado.

Pois é.

Talvez os que digam não haver mais esse negócio de esquerda e direita tenham mesmo razão.

Pelo simples fato de que a distinção só existiria se houvesse esquerda.

Deixou de existir a distinção porque foram derrotadas as forças do campo antagônico antissistêmico socialista, comunista e libertário,

Deixou de existir porque esquerda hoje não passa das dimensões inócuas dos grupelhos, eles mesmo em sua maioria conspurcados por mimimis identitários da dimensão de seus umbigos irrelevantes...

Deixou de existir, mas a turminha feliz alterglobalização dos "vinte centavos, não vai ter Copa, PT é igual ao PSDB" manda beijos e abraços conformistas e resignados e passivos e calados a todos! 

Constrangedor também é o silêncio das panelas selenikes a repousar na geladeira suas últimas rodadas de comida sem trabalho escravo.

Em suma: apertem os cintos o alarme de incêndio não toca, o piloto sumiu e o avião perdeu as asas e está pegando fogo no bagageiro, mas os seriados futebol novela conta pra pagar vão bem obrigado, o chão é lá embaixo mesmo, vamos curtir a queda numa nice, tou indo ali passar um cafezinho, tá servido?


domingo, 2 de outubro de 2016

firulas, facas e futebol




"A cidade acabou de eleger um cara 
que não garante que não tenha escravos em suas empresas. 
Ainda bem que o pais reage contra a corrupção." (aqui)


São Paulo elegeu Dória, o lixo biônico [que diz que não é político] movido a botox e dinheiro do Alckmin [que desqualifica qualquer mobilização sob "acusação" de ser "política"], NO PRIMEIRO TURNO?

Será menos que melancólico o fim da "esquerda" tingido de realismo eleitoral e governabilidade despolitizante.

De saída, um lembrete: a palhaçada eleitoral, como casamento, só funciona se houver cumplicidade entre os dois lados.

Serve de consolo lembrar: 

"Não vamos esquecer que o Maluf era um Bolsonaro mais 'polido'. 
E ele já se elegeu para tudo em São Paulo. 
Só perdeu para presidente."?

Não, não serve.

"Progressistas terão amplo material, a partir deste domingo, para avaliar a importância da frente ampla, sem a qual fica difícil enfrentar o golpe", twitta Carta Maior instantes após o oligarca biônico do botox ser eleito prefeito do terceiro maior orçamento da República das Bananas.

"Acredito que a esquerda irá se unir", diz Chico Buarque, em outra tuitada.

Unir-se, mas pelo quê?

Pelo quê mesmo, se, enquanto esteve na liderança do processo político, teve seu golpe de misericórdia desfechado, por mero cramunhão movido a viagra, a golpear a tal ex-querda em suas róseas plácidas gordas hipsters vísceras?




Dica ao andar de baixo: evitar qualquer espécie de dívida de longo ou médio prazo.

Arrocho terá proporções apocalípticas.

A meta que se configura nas políticas de doação das riquezas nacionais como pré-sal, de extermínio dos direitos dentre outros os trabalhistas, do corte radical das verbas para educação e saúde... não deixa margem para dúvidas.

Trata-se de proletarizar e lupenzinar o que resta de "mercado consumidor", voltando a vigorar o modelo pré-30. Submissão cúmplice, humilhação, desfaçatez de classe e extermínio, não nessa ordem, como convém.

As declarações de fé na resistência política são análogas a conselhos para que não compremos objetos de plástico porque não costumam durar muito e não haverá dinheiro para reposição.

À defesa do estado de Direito e das instituições da República vale o mesmo que para os refinamentos vários do mercado consumidor: aproveite e comece a se despedir deles, banho diário e liberdades fundamentais aí incluídos.

Ah, sim, ainda haverá eleições regularmente e sinal de TV aberta para acalentar o sono da galera nos guetos e quebradas.



Aliás, é recomendável votar e depois deixar a TV ligada para abafar o gritos dos linchamentos de ateus, gayzistas, bolivarianos, petralhas, antipatriotas e qualquer preto ou pobre que apareça pela frente das milícias selenike-tramontina-cristãs em suas incursões, e não só à noite e nem só nas quebradas.

Nessa toada, a dúvida se torna: haverá "intervenção" dos marines nos trazendo "toneladas de democracia" ou sequer será preciso isso para nos tornarmos a quinquagésima sei lá qual estrela da bandeira ianque?

Ante catástrofe generalizada que se desenha como "estado de exceção desejado", pouco importa os freixos que pipoquem aqui e ali, consideremos a seguinte premissa: 

"o discurso 'paz e amor' deu é com a faca em nossas goelas anos depois".

Qual a conclusão possível?

Mais precisamente: qual deve ser a postura para que tu seja tratado como gente, um igual, ao invés de carne de segunda a ser moída e rifada a preços amigos a multinacionais e ao grande capital?



A merda está servida.

Bom apetite para nóis tudim.

Recolonização é assim, em todas as frentes.

Mas a gente vota.

Participa.

Ocupa espaços.

Parte para a correlação de forças.

A governabilidade, a chefia da repartição pública, o vereador, o sindicato...

Pelo quê?

Não vamos falar para evitar cisão, perda de apoios.

Vamos disputar espaços.

Qualquer boquinha tá valendo para...

Ops, boquinha não, foi maus aí.

Chama-se "disputar poder".

A merda está à mesa.

Ocupemos nossos lugares na disputa.

E aí, vamos falar de futebol ou de socialismo?





segunda-feira, 12 de setembro de 2016

pesadelos, pactos, lasanhas, flores e guilhotina


Esse motim existe.

Cotidianamente.

Em todos os lugares.

Chama-se bater as metas, todas a metas, e se atingir as metas, dobrar as metas.

Próxima meta?

Derrubar o pato manco da cadeira presidencial por alguma firula jurídica.


Na foto, Pato Manco na primeira semana após Golpe de Abril, num de seus típicos momentos de grandeza.


Por um acordo de lideranças do Senado, após Renan VOLUNTARIAMENTE chamar o PSDB para um PACTO CIVIL PELA GOVERNABILIDADE DEMOCRÁTICA.

Colocar o Vampiro na presidência, sem prazo para sair.

Esse pacto cancela as presidenciais de 2018, sendo abençoado e benzido pelo ser anódino que tomou posse no STF hoje.

Qual ser? Aquele agraciado ainda outro dia com medalha medalha medalha pela Famiglia Marinho.

A Famiglia que de fato manda e desmanda no país.

Manda e desmanda apenas para representar e impor na pauta do dia, do mês, do ano, do século, para sempre, os interesses yankees.

Yankees que assim vão empurrando com a barriga a conta do seu colapso por mecanismos de recuperação econômica via recolonização da AL, e parcelas cada vez maiores do Oriente Médio, África, Ásia e Europa.

Processo de recolonização que, aqui na Botocúndia, não precisou disparar um único peido dum tiro.

Bastou doar algumas tramontinas, camisas da selenike e patos de plástico amarelo.

E, claro, vender, a preço de ouro, farta munição para repressão urbana dos descontentes pelos dispositivos militares.

Pelas polícias cada vez menos transparentes.

Por PMs que são cada vez mais o soberano nessa jornada de horrores que inaugura o fim desse ex-Estado-nação.

E tem gente que ainda enxerga, nesse imbroglio todo, algo como disputa por hegemonia.

É a turminha que sonha o mais gostoso dos sonhos na Matrix do Estado de Direito Realmente Existente.

A turma que sabe ser a lasanha falsa, mas degustam-na assim mesmo, "para ocupar espaços" em busca daquele tipo de reconhecimento que agracia a todos, embora o ditadorzinho paranaense faça parecer valer só para um dos partidos que disputam o botim.

Turma cuja maioria está à frente de TVs ou nos panfletos dos Frias e Mesquitas da vida devorando e regurgitando a pauta e firula do dia, mas com segmentos aí nos bastidores a legitimar o esbulho "disputando espaços", em busca daquele tipo de reconhecimento idem, ibidem.

Tem a turminha que fica ou batendo tambor, ou na célula da organização ou ainda os hipsters às voltas com o umbigo de suas particularidades em redes pluriversas horizontalizadas antilogocêntricas deseuropeizadas (desculpem os neologismos, mas tudo somado, é isso que nos apresentam, e ai de quem ouse não enunciar suas diversidades, não posso fazer nada), galera que, no frigir dos ovos, não serve sequer para dispersar forças, grupúsculos que sempre foram, são e serão.

Tem também os fundamentalistas cristãos aí a impor o retorno ao século IX a.C de modo cada vez mais eficaz.

Em suma, estamos na roça:


Para dizerem que não falei das flores:



domingo, 4 de setembro de 2016

Porcomunas y otras cositas más


Hoje, na manifestação da Paulista, os Porcomunas.

O que não evita reconhecer ser comum aquele torcedor de futebol, ao menos nesse país, e não me refiro aos meros simpatizantes, mas o que vai ao estádio, veste a camisa etc. – e isso vale para os de qualquer time  mais que reacionário, ser sim efusivo propagador das teses da direita, ou mesmo as da extrema-direita quando em situações-limite. 

Eis aí duas categorias sociais encharcadas de senso comum fascistóide: motorista de táxi e torcedor que vai a estádio. 

Você já viu um torcedor que seja fanático militante pelo time e
, ao mesmo tempo, sensível a questões sociais, militante em lutas emancipatórias, partidário de causas políticas anticapitalistas? 

Pois é, somos minoria.

Quanto a mim, minha paixão por futebol veio por vias tortas: sabe aquela história de primeiro amor que resulta num gigantesco Titanic enfiado goela abaixo? Pois foi assim que meu amor ao Palmeiras deitou raízes, para compensar, no amor ao Alviverde Imponente, aquele longínquo e pontual déficit estrutural no campo afetivo feminil... Se é verdade ou se é mentira eu não sei, só sei que foi assim.

Falando em histórias mal contadas, isso me lembra os unicórnios gambásticos e flamenguistas: são aqueles torcedores que fecham os olhos às dezenas de escancaradas ações mafiosas que sustentam os percursos de seus times, e o fazem sob pretexto de fantasiada identificação popular ou, no caso alvinegro, repetição de um mitologema referindo-se ao fracassado experimento de 18 meses de duração já muitas décadas atrás nomeado "democracia curintiana".

No caso desses dois times, isso permite uma conclusão: quem pensa que só em Brasília há golpistas, engana-se. 

Que o diga o último julgamento do STJD [detalhes, aqui], sobre o qual só se pode dizer uma coisa: virou regra a palhaçada que foi [leia aqui] a sessão do Senado de lobos que golpearam mandato de 54 milhões de votos em 2014 para a presidência da República dos Bananas.



Falando em gambá, não custa lembrar que somos adversários, e o inimigo comum é a equipe do Panetone do Jardim Leonor.



domingo, 28 de agosto de 2016

caminhão de lixo atropela os floquinhos


Esse senhor? A quem esse caminhão de lixo pensa que engana? Desde que abraçou discursinho moralistinha-fascistóide lá em 2006... estivesse eu em BSB, e teria feito campanha pelo voto nulo, mas jamais que o tomaria na conta de mal-menor... Votei no Haddad, mas anulei voto no Suplicy, o mais tucano dos petistas, na eleição ganha pelo vampiro. O que dizer a quem elegeu esse trate aí, ao supô-lo "progressista"? O mesmo sobre a aposta lulo-dilmista de "conciliação sem atritos": bem feito para quem comeu ou ainda se nutre da sopinha azeda e aguada da "governabilidade". Incrível. Galera vota e avalia um objeto, pauta, time de futebol, partido político pelo que ele foi um dia, há décadas, ou pelo que alega sê-lo. E se satisfaz fazendo vistas grossas às evidências factuais que dementem a fantasia de que se nutre a bela alma... Bem, I'm so sorry, babies, a história nunca poupa as belas almas. Os Floquinhos estão descobrindo que política é guerra de extermínio. Atônitos floquinhos que estão vendo a grama crescer pela raiz em meio às trevas que os soterram: bem-vindos ao deserto do real. Vida Longa e Próspera na Republiqueta que resolveu dar a rasteira nos que deliraram ser possível omelete sem ovos quebrados. Quebraram. E foram os nossos. As belas almas perderam. Mas os derrotados foram nóis tudim. Mas no problem. Daqui trinta anos mais um grupo revisionista social-democrata de direita conseguirá hegemonia. E vai tapar o sol com a peneira e as goteiras nas favelas causadas pelos próximos seis governos de extrema-direita. Aí quando a goteira diminuir, novo golpe. Aí anos anos depois, outro golpe. Aí anos anos depois, outro golpe. Costuma ser assim nas aldeias sem-história nem memória [ao leitor do Viveiros de Castro que vier me encher o saco com pensamento ameríndio rizomático em redes pluriversas antilogocêntricas deseuropeizadas et caterva, faça-o logo, enquanto ainda tem financiamento para tais fraseologias]. Foi isso que se passou aqui. Com GV, JK, Jango, e agora Dilma. Apenas elites em sua desfaçatez de classe a golpear e esbulhar o que encontre pela frente. Aplaudida por uma classe mediotizada preocupada em garantir algum farelo do botim dos esbulhos. Parabéns a todos os envolvidos, e boa semana. Ou?


A Usurpadora do Cramunhão e o Vampiro Entreguista





Estrondoso sucesso do Pilot que foi ao ar com Golpe de Abril
(só não se sabe aonde)
leva à macabra estreia nessa terça.
E f*-se o resto,
ou seja, nóis tudim.

Seguem nas lixeiras da história
os empalados tramontinos a defender o status quo.
Escravos que são, nada impolutos,
a vez deles chegará. Covardes, aguardem.

Enquanto isso, a máfia judiciária garante a todos
vaga na corrida ribanceira abaixo rumo ao passado
que se recusa a deixar de ser presente.

"Medalha medalha medalha", no caso,
é "reajuste auxílio abono subsídio linha de crédito",
mas só para eles.

Aos demais, precarização e fim dos direitos.
Quem não reclamar talvez fique vivo.
Talvez. Pouco importa isso aos tramontinos da janela dos esgotos.





À maioria importa apenas a governabilidade
de seus quintais, cercadinhos, prisões.
E resta a pergunta:
Republiqueta de mierda, hasta cuándo?


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

afinal os dados já foram lançados, mais dados para quê?



afinal, já sabem (1) quem NUNCA investigar, e (2) quem POUCO IMPORTA investigar, porque para ambos já está lavrada a sentença, respectivamente, (1) ilibados (e ai de quem publicar algo) e (2) matáveis (e ai de quem defendê-los, e para eles é necessário mais as tais armas).

Entendeu, ou quer aula de reforço?



domingo, 14 de agosto de 2016

dominicais nada amenas


I
Repara bem nessa linha de chegada, 
recado claro da Lei de Darwin: 
brancos de todo o mundo, não conseguireis fugir!



II
Imagina um mundo que tivesse 100m de costas, 
de lado, com uma perna só etc. 
Um milhão de provas, como na natação. 
Ele, The Bolt, teria tantas medalhas quanto.

*


Um correção: não é alemã, mas dos EUA quem cafetina o símbolo prostituído por Mendes, Toffoli, Fux et caterva...

*


depósito de lixo procura incinerador 
tratar na República dos Bananas, em Higenópolis, Lago Sul e assemelhados

*


basta um nada íntimo ser dito, nem demais no que insiste, arrasta e abana desdito pela fada, travessa safada anjinha

*


o são Longuinho em tempos 
da Adaptação Autoimposta à Era da Emergência: 
tortura infalível promete achar algo perdido

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Diagnóstico de época


O senso comum rosnado nos novos tempos
chacina a somatória de qualquer ideia
ou prática emancipatórias
criadas após o século IV a.C.



Mas, se tudo está perdido,

negócio é meter o dedo na ferida logo duma vez:




Isso para não falar do mais básico,

que é voltar contra os inimigos a sua própria pauta:



quinta-feira, 28 de julho de 2016

próximos passos após o tiro na nuca que todos estamos tomando


"La brutalidad e informalidad de las guerras actuales responden a un momento en el que el capitalismo pierde legitimidad y capacidad de seducción sobre el conjunto de la sociedad. La desigualdad y la exclusión empujan a nuevas formas del ejercicio del poder, que limita su oferta de persuasión a un tercio de la población mientras desarrolla mecanismos de coerción y de limitación democrática para el resto. La legitimación del poder necesitan un proyecto a largo plazo que hoy el capitalismo no tiene, que se está redefiniendo en la administración, la justicia y la educación. Por eso, hoy, el núcleo duro, compuesto por las fuerzas económicas y las fuerzas del orden necesitan dar la cara, salir a la intemperie. Solo los medios de comunicación aparecen como un baluarte efectivo en esta época convulsa. Las guerras asimétricas y las políticas de cerco son expresión de la contundencia con la que se preparan los conflictos." (Ignacio Muro Benayas. Las “guerras asimétricas” que Gramsci no conoció, aqui)

Hora de assumirmos novos recortes para lidarmos com o fim da quase-trégua aberta pela própria Ditadura Militar quando articulou o período que ora se finda, a Nova República. 

O desmanche dos direitos sociais já é fato. 

Fim da isonomia jurídica básica em qualquer democracia foi assumido de vez no modo como nada atinge os tucanos e uma mancha de batom na calça dum petista já é motivo para prisão preventiva. 

A última peça que faltava ser assumida, já é favas contadas: a cassação dos direitos políticos dos dissonantes é uma questão de tempo. 

Já estamos sob guerra civil com as chacinas aleatórias de pretos e pobres há tempos nas quebradas. 

Com a nova fase instaurada com o Golpe de Abril, um golpe civil-midiático-jurídico-policial, se fez picadinho do pacto social que ainda dava algum alento aos sobreviventes desses massacres nas quebradas.

Se faz picadinho daquilo que, a duras penas, os mantinha com a perspectiva de integração no espaço político e econômico, ainda sob o registro restrito e frágil  das políticas compensatórias e focalizadas.

Ante esse quadro, o que temos sinalizado de concreto como embate, enfrentamento e superação, precisamente? 

Basta-nos a mera fantasia de repor o status quo ante, como se o problema não fosse o fim de um ciclo histórico que o teve como último e esterilizado capítulo? 

O fim desse ciclo o encontrou de tal modo reduzido à impotência da mera governamentalidade que foi soterrado por esse bando de múmias e zumbis que vimos sair em andrajos retóricos de propostas. 

Destaque-se aqui o "Escola Sem Partido", malgrado ser apenas um dos adereços esfarrapados ostentados, pois são os que atacam a universidade mais de perto.

É sim o fim de um ciclo e sem volta: estamos sob uma guerra de massacre das nossas posições, conquistas, direitos, instituições arduamente construídos em quase um século de enfrentamentos [lembrar que a CLT é do período getulista].

Os direitos sociais estão sendo pisoteados nessa guerra civil declarada pelos Mendes, Cunhas, Editora Abril, Moros, PF, STF, Globo, Temer, Folha de S.Paulo, PSDB et alli

Estão sendo triturados com requintes de crueldade por zumbis políticos que saíram de suas tumbas e esgotos com a força dos dinossauros em fúria.

O aleatório dos massacres por milícias em chacinas sem julgamento nem culpabilidade desenhada virando técnica de gestão urbana, o modo como se coleta provas contra black blocks e as prisões arbitrárias fundadas em denúncias pela República  Moro é o tira-gosto do prato principal que tá chegando e a dilatação anal dos paneleiros já é conhecida, então pode-se fazer o que quiser que aceitarão calados. 

Já se assiste ao retorno de reações pré-políticas: começou a temporada das ações desesperadas com os robins woods os mais diversos começando a vicejar, com a volta do banditismo social... Os que roubaram caminhão-pipa para distribuir água nos municípios sob seca no interior paulista e periferias da Grande São Paulo foram apenas os primeiros dessa nova leva.

Enquanto isso, o pessoal dos guetos da "minha diferença minhas regras", claro, baterá palma, ao menos enquanto conseguirem se lembrar para que mesmo é que serve a palma da mão que não seja para tirar sebo do umbigo de suas particularidades desejantes.

E nós, a turminha do contra que insiste em tomar a contradição básica que é a sociabilidade imposta pelo capitalismo como contradição dominante que metaboliza esse conjunto aparentemente dissonante e diverso de tantas manifestações sem nexo nem correia de transmissão direta citadas aqui?

Ademais, como lidar com uma reação popular menor ainda do que o muxoxo resignado emitido pela torcida canarinha quando o juiz apitou o fim do sete a um há cerca de dois anos?



quarta-feira, 27 de julho de 2016

Vida danificada? Dos farelos que temos, duvido que ainda haja espaço para o pensamento



Olha, de boa, o Sensacionalista vai ter de fechar.

Depois do "leite de barata" mais nutritivo que leite de búfala (sic) e cuja produção já está a caminho, agora... "Máquina consegue transformar urina em água potável"


Os pesquisadores explicam que o dispositivo foi testado em um festival de música que durou 10 dias. Eles conseguiram coletar resíduos suficientes para obter mil litros de água potável. Segundo eles, a substância deve ser usada para preparar cerveja.


Para o futuro, a ideia é instalar o equipamento, em versões maiores, em locais de alto tráfego de pessoas, como aeroportos e estádios."


Aí vem aquelas dúvidas mais bestas: lá pela décima vez que for mijada, ela será então quase um diamante das cervejas? e a cada nova degustação, a cerveja, por já ter sido mijada antes, a cada nova rodada será ela então metamijada?  


"Meta"mijada? Isso abre nova frente aos programas de pós-graduação com olhar multidisciplinar, agora também em diálogo com a área de gastronomia e degustação.


Sabe o Adorno, que já denunciava a vida danificada, e apontava em Kafka o mérito de tomar como matéria de sua obra exclusivamente o que é recusado pela realidade?


Pois é... 


Enquanto isso, do outro lado do mundo...


quinta-feira, 14 de julho de 2016

dualismo terrorista na Era da Exceção


o importante aos Estados é o equilíbrio fiscal 
x
multidões de miseráveis aderem a todas as formas de fundamentalismos

Enquanto o pensamento dominante for "mais polícia aumenta segurança", e que "é tudo uma questão de aumentar a vigilância", o colapso só agrava.

Quanto ao ataque em Nice, como convém, fiquei observando as minhas próprias reações ao assistir o vídeo postado pelo wikileaks [link]. 

São cenas fortes que vemos após passagem do caminhão. [aqui, o video dele passando].

Primeira impressão é lembrar que são daquelas cenas comuns a lugares bombardeados, com civis estraçalhados pelo chão por dezenas de metros a fio, que é uma cena cotidiana a palestinos ou sírios ou líbios ou sudaneses ou ucranianos...

Que esse tipo de cena agora também é parte do cotidiano de franceses ou ingleses.

E que, tal como o ataque às Torres Gêmeas, temos ali algo da ordem do cinematográfico, que fala muito à imaginação urbanóide, bastante explorada naquele primeiro filme do Spielberg, O Acossado.

É o tipo de cena que faz a pessoa pensar que (1) podia ser ela ali e (2) caminhões são mesmo muito perigosos, como a gente não pensou nisso antes?

Eis que, se após as Torres Gêmeas não podemos mais nem embarcar com um mísero cortador de unha, não tardará a surgirem novas e absurdas proibições agora envolvendo veículos de grande magnitude.

Agora, acabar com o padrão de acumulação de riqueza e poder em vigor há seissentos anos, nada, né?

Denunciar a última volta no torniquete com a qual o capitalismo nos asfixia de vez em sua escalada irracional após ascensão de Tatcher e Reagan ao poder desde os anos 80 ninguém quer, né?

Mexer com o grande elefante bêbado que é a financeirização da riqueza, que é a precarização dos direitos sociais, que é a mão invisível do Reino da Mercadoria que está na sala de nossas casas, vidas e traseiros, por gerações a fio zoando nóis tudo, isso ninguém fala, né? 

Quantos milhares terão de morrer até as pessoas se derem ao trabalho de assumir o custo político que é abandonar o modelo de sociabilidade imposta pelo deus do Livre Mercado, e seus quatro Cavaleiros do Apocalipse, os tão adorados São Propriedade Privada, São Mais-Valia, Santa Finança e São Precariato?

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