COMUNICAÇÃO NA ERA DA INTERNET: Livro debate comunicação, cibercultura e argumentação

É preciso resgatar a comunicação e suas conexões com o mundo social do calabouço em que estão sufocadas, sem ceder à tentação de uma hipotética ordem democrática e participativa. Essa é uma das idéias centrais do livro "Crenças e tecnologias: ensaios de comunicação, cibercultura e argumentação", de Luis Carlos Lopes.

O sociólogo Philippe Breton defende que a informática precisa ser pensada, fora dos lugares comuns, dos modismos e da lógica dos interesses. Para ele, os computadores, as novas tecnologias digitais e a internet têm invadido nosso cotidiano, incluindo nisto as pessoas mais pobres e as mais ricas. Mais do que uma técnica, sustenta Breton, trata-se de uma forma de pensamento, o pensamento informacional, que vem se impondo progressivamente em todo vasto mundo das mídias.

O livro “Crenças e tecnologias: ensaios de comunicação, cibercultura e argumentação” (EdUFSCar/Sulina, R$ 23,00), de Luis Carlos Lopes, compartilha das mesmas idéias e procura aplicá-las aos usos da informática e da televisão. Somando-se ao debate proposto por Breton, Lopes propõe alternativas às posições tecnofílicas, que ambos consideram hegemônicas.

O texto de Luis Carlos Lopes é resultado de uma pesquisa exploratória das realidades brasileira e francesa no domínio do uso social dos recursos informáticos. Além disso, são discutidos os significados renovados do conceito de ciência, de tecnologia e dos princípios da razão ocidental.

No prefácio, Dênis de Moraes define assim a idéia-chave do livro: é preciso resgatar a comunicação e suas conexões com o mundo social do calabouço em que estão sufocadas, sem ceder à tentação de uma hipotética ordem democrática e participativa. Segundo o diagnóstico do autor, no cenário midiático atual, mergulhado em imagens e transmissões instantâneas de dados, as interlocuções, trocas e influências genuínas entre as pessoas perdem consistência e humanidade. Assim, o vertiginoso progresso tecnológico dos últimos anos não conduz, necessariamente, a uma melhor comunicação.

Cf. versão integral em: Agência Carta Maior

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