dossiê MORRO DA PROVIDÊNCIA, O IRAQUE É AQUI



O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse ontem que o envolvimento de militares do Exército na morte de três jovens moradores do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, ocorrida no último sábado (14) comprova “uma visão que é do presidente Lula, majoritária de toda a sociedade, de que as Forças Armadas não são aptas para cuidar de segurança pública”. A informação é da Agência Brasil.

O ministro disse ainda confiar que as Forças Armadas irão adotar todas as providências cabíveis para punir os responsáveis pelo episódio. “Foi uma ação de pessoas sem responsabilidade que agiram por conta própria de maneira marginal”, disse o ministro ao chegar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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O ministro Tarso Genro tem integral razão, mas temo que o presidente Lula e o ministro Nelson Jobim não compartilhem do juízo do titular da Justiça.

É uma temeridade o que o Ministério da Defesa está fazendo ao colocar militares despreparados para fazer segurança em comunidades pobres do Rio, agravado por uma relação não explicada com o senador Bispo Crivella, que tem interesses eleitorais na região do Morro da Providência.

Esse utilitarismo do papel das Forças Armadas mostra um cenário muito obscuro e que passa longe dos valores republicanos. As ações de brutalidade protagonizadas por militares no Rio lembram muito o que acontece no Iraque com as tropas invasoras do presidente George W. Bush.

Mais adiante quando os relatórios da Anistia Internacional apontarem essas graves violações dos direitos humanos no Brasil, o governo federal não terá argumentos para se justificar.

Cf.: Diário Gauche

*Tenente é apontado como o único responsável por crime

“Os depoimentos de 8 dos 11 militares acusados do crime apontam para o tenente Vinícius Ghidetti como único responsável pela operação. Mesmo depois de ter recebido a ordem de um capitão para liberar os rapazes, Ghidetti teria decidido dar um “corretivo” nos jovens.

“Tô cagando para o capitão”, teria dito o oficial, segundo os praças que prestaram depoimento ontem.

Os oito militares foram ouvidos entre 13 horas e 21h30. O delegado Ricardo Dominguez ouviu os acusados para determinar a participação de cada um no episódio. Ele definiria ainda quais seriam indiciados por seqüestro ou por homicídio triplamente qualificado.

Os 11 militares estão detidos no 1º Batalhão desde domingo, quando a Justiça determinou a prisão temporária do grupo por dez dias. Pela manhã, Dominguez havia dito que pretendia pedir a quebra do sigilo telefônico do tenente por suspeitar que o oficial teria feito contato prévio com traficantes da Mineira, antes de levar os rapazes para o morro.”

Último Segundo / AE

Matéria Completa, ::Aqui::

dica: Brasil! Brasil!

*Para pesquisadora, favelas são tratadas como senzalas

A cientista social Silvia Ramos, coordenadora do Cesec (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania), da Universidade Candido Mendes, do Rio de Janeiro, criticou a forma como o projeto Cimento Social foi implantando no morro da Providência, no Rio de Janeiro. O projeto, coordenado pelo Exército, tem como objetivo reformar fachadas e tetos de barracos, e foi colocado em xeque depois que três jovens foram mortos supostamente por traficantes depois que militares os entregaram a criminosos.

Faltou tudo no caso. Faltou planejamento, discussão, orientação e parâmetro. Não se sabe por que eles decidiram levar esses jovens para traficantes de um morro ao lado. Parece que a tragédia foi um resultado inesperado, muito surpreendente, mas foi o resultado previsível de uma coisa que tinha tudo para dar errado", disse.

Ela afirma que a discussão sobre a presença do Exército nas ruas é antiga no país. "Independentemente de qual seja o papel que o Exército teria ou terá na segurança pública, é preciso que ela seja discutido, planejado e articulado com os demais órgãos de gestão de segurança pública. Neste caso, parece que nada disso ocorreu", afirmou.

Segundo a pesquisadora, o grupo de militares acusado de entregar os jovens, que acabaram mortos, para um grupo de traficantes de um morro rival representa o "uso da pior da cultura da polícia do Rio de Janeiro".

"Continuam tratando as favelas no Brasil como trataram as senzalas, os matos e os quartos de empregada. É hora de despertar. Se for para produzir segurança pública em favelas e periferias do Brasil, ou mais especificamente no Rio de Janeiro, desta forma, teremos uma sucessão de tragédias", disse a pesquisadora.

Cf. versão integral em: Vermelho

O Exército e o assassinato de três jovens do morro da Providência

Não sei sua opinião, mas essa história do frio assassinato de três jovens do morro da Providência, no Rio, com a participação de soldados e oficiais do Exército está muito mal contada.

Por que eles levariam os jovens para serem assassinados por facção rival do crime organizado, em outra favela, em vez de eliminar os jovens simplesmente, como parece ter sido a intenção?

Uma resposta a essa questão é capaz de horrorizar aqueles que defendem que o Exército deve participar ativamente do confronto com os narcotraficantes: o tenente, os três sargentos e os sete soldados estavam a serviço dos traficantes do morro da Mineira, e foram até lá entregar-lhes a encomenda.

Outra resposta deixa mal o Exército: na verdade, os militares assassinaram os jovens e a história dos traficantes foi criada apenas para livrar a farda do crime.

A terceira história – a contada por eles – pode até ser a verdadeira, mas é completamente inverossímil. Como um tenente, insatisfeito com a ordem do capitão para que libertasse os jovens, comenta com seus subordinados que quer castigá-los, um dos soldados tem a idéia de entregá-los aos traficantes da favela rival, isso é feito, e depois os corpos são encontrados longe dali, num lixão na Baixada Fluminense?

Qualquer que seja a alternativa, ela só vem reforçar a tese de que não é papel do Exército combater o tráfico de drogas.

Aliás, por falar nisso, o que está fazendo o Exército no morro da Providência, a serviço de um projeto do senador Crivella, que é do partido do vice-presidente José Alencar, e candidato a prefeito do Rio?

E você, sherlockiano leitor, você, minha agathíssima leitora, o que acha disso tudo?

Cf.: Blog do Mello

Comentários

Anônimo disse…
No Rio tem policia sufuiciente para fazer a segurança da Previdencia...
O Exercito é necessario apenas quando ha confrontos ou é prevista alguma "guerra"
O exercito é treinado para combater... Na previdencia eles ficam 24 hs ociosos, nada mais cabivel que o ditado "Cabeça vazia, Oficina do Diabo"
Anônimo disse…
Eu acho que não foi por falta de aviso,quando o exercito entrou aqui no morro(moro na Providencia) a maioria dos moradores foram contra,não por causa do trafico ter ameaçado não e sim pois as pessoas que mais sofrem somos nos moradores,o exercito não é politica e com eles nada mudou o trafico continua e eles maltratam os moradores, a culpa da morte desses jovem é por uma parte da propria comunidade que por MEDO não fizeram denuncias dos mal tratos que já haviam acontecido.
Não sei se é melhor eles aki ou não,pois isso não faz a diferença em relação a segurança ou ao combate ao trafico,mas não queremos mais olhar para os assassinos de nossos amigos.
De quem é a culpa? Crivella porque você não ouviu o povo,poderia fazer a obra,mas para que o exercito,na favela não tem só bandido!!!