dossiê – TRATADO DE LISBOA PARA O CAIXOTE DO LIXO DA HISTÓRIA APÓS O NÃO IRLANDÊS

«O ministro da Justiça irlandês admitiu já a vitória do 'não' no referendo ao Tratado de Lisboa, confirmando os números que estão a ser divulgados pela imprensa» (Público). Boas notícias. Assim se confirma como o anti-democrático vanguardismo liberal das elites políticas e económicas europeias, que procura limitar a democracia para expandir o alcance das forças de mercado, esbarra sempre nos países onde os cidadãos podem fazer uso, em referendo, da arma do voto.

Cf.: Ladrões de Bicicletas

*Referéndum: Pese al «no» irlandés, la UE de los capitales mantiene el "tratado" – x Soledad Galiana

Lo inimaginable ha ocurrido en Irlanda, el único estado de la Unión Europea en el que los ciudadanos han podido votar, ya que el resultado muestra un claro rechazo al Tratado de Lisboa y a la reforma de la EU

Cf. versão integral em: La Haine

*Ainda não é desta que vão aprender

O “não” venceu o referendo irlandês ao Tratado de Lisboa. Seria uma boa notícia se eu acreditasse que os eurocratas e os líderes europeus aprendiam com os erros. Mas não aprendem. Vão continuar as repetições de referendos até que ganhe o “sim”; as aprovações em parlamento do que foi chumbado em referendo; e tratados simplificados que são a mesma coisa do que foi rejeitado pelo voto popular. Vão continuar os remendos, os truques e as chantagens. Até que um dia percebam que a construção europeia precisa de mais democracia. Precisa dos europeus.

Cf.: Arrastão

*O Não da Irlanda ao Tratado de Lisboa - Vitória dos Povos da União Europeia

O NÃO da Irlanda ao Tratado de Lisboa não foi apenas uma vitória do seu povo - tem o significado de uma vitória dos povos da União Europeia.
Durante semanas a aprovação foi apresentada como certeza por sondagens encomendadas pelo governo de Dublin. Mas, nos dias que precederam o referendo, Bruxelas foi invadida pelo medo. O temor da recusa do Tratado pelos irlandeses levou os dirigentes das potencias hegemónicas da UE com o apoio dos principais media do Continente a promover pressões ilegítimas para forçar o resultado que permitiria, finalmente, impor a 470 milhões de europeus de 27 países a Constituição (agora recauchutada) que há dois anos fora rejeitada pelos povos francês e holandês, por ampla maioria.
Manobras de chantagem foram utilizadas com despudor numa campanha generosamente financiada pelo grande capital. Até o presidente George Bush, em tournée pela Europa, achou oportuno intervir e apelar ao SIM.
A Irlanda criava a Bruxelas um problema incontornável porque era o único país da União Europeia no qual o referendo sobre o Tratado não podia ser evitado por ser exigência constitucional. Nos demais, em ritmo acelerado, 18 Parlamentos já o haviam aprovado, e os restantes estavam prestes a imitá-los. As classes dominantes tinham tirado conclusões do NÃO francês e holandês, concluindo pela necessidade de impedir que os povos se pronunciassem em referendo por um Tratado que faz do neoliberalismo a ideologia da União Europeia. Transferindo a ratificação para Parlamentos onde as maiorias alternantes representam os interesses do capital, os governos dos 27 procuravam resolver o problema, privando os povos do exercício do direito a manifestar a sua opinião sobre matérias de fundo constitucional e soberania.
O objectivo, felizmente, não foi atingido graças à excepção irlandesa.
O povo de Bertrand Russell derrotou no referendo, por maioria expressiva, um Tratado que limitava a soberania nacional, lhe impunha uma politica exterior comum de comprometimento com guerras imperialistas, submetia à ditadura de Bruxelas a politica financeira, sectores fundamentais da economia como as pescas e a agricultura, e as políticas sociais, que abalam o continente.
O NÃO irlandês inviabiliza a aplicação do Tratado como os governantes da Alemanha, da França e do Reino Unido sublinharam insistentemente nos seus apelos pelo SIM.
Mas seria uma ingenuidade esperar que eles, respeitando compromissos assumidos, arquivem de vez o seu projecto. A decisão anunciada pelo inglês Gordon Brown de submeter o Tratado a ratificação assume, por si só, um carácter provocatório.

Cf. versão integral em: ODiário.info

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