Entre a repressão do neoliberalismo e a imaginação utópica dos povos. Entrevista com Boaventura de Sousa Santos

Enquanto os chefes de Estado da Europa e da América Latina se reuniram em Lima, “protegidos” por grades e milhares e milhares de policiais, para a 5ª Cúpula Oficial entre as duas regiões, a Universidade Nacional de Engenharia foi o cenário da Cúpula dos Povos Enlaçando Alternativas 3. Ativistas das duas regiões se reuniram para discutir alternativas ao neoliberalismo, para a criação de um mundo mais justo, democrático e solidário. O ativista-pesquisador português Boaventura de Sousa Santos foi um dos participantes mais conhecidos e queridos.

“A América Latina é uma peça chave nas estratégias econômicas atuais das empresas transnacionais e dos governos do Norte global”, diz Sousa, para em seguida completar: “Este processo de re-enfocar a América Latina foi acelerado pelo fracasso da guerra do Iraque”.

Para Sousa Santos, “o chamado Pós-Consenso de Washington é pós, porque os neoliberais já não confiam somente na economia, e, portanto, aplicam a guerra e a luta contra o terrorismo para manter o sistema de desigualdade a nível global”.

O sociólogo português aposta na radicalização da democracia. “Devemos mudar as lógicas do poder, e para isso as lutas democráticas são cruciais. Estas lutas são radicais, porque estão fora das lógicas tradicionais da democracia. Sustento que devemos aprofundar a democracia em todas as dimensões da vida”.

Sousa Santos teme que a perversão do processo de reestruturação neoliberal desemboque naquilo que ele chama de “fascismo social”, isto é, “o risco de viver em sociedades que são politicamente democráticas, mas socialmente fascistas”.

Boaventura de Sousa Santos é Diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, em Portugal, onde também é professor de Sociologia. Trabalha como Distinguished Legal Acholar na Universidade de Wisconsin, Madison, e integra o Conselho Consultivo do Programa Democracia e Transformação Global, em Lima. Além disso, está profundamente envolvido nos processos do Fórum Social Mundial e da Universidade Popular de Movimentos Sociais.

Foi entrevistado por Raphael Hoetmer, do Programa Democracia e Transformação Global. A entrevista encontra-se no sítio ALAI, América Latina en Movimiento, 9-06-2008. A tradução é do Cepat.

Cf. versão integral em: Instituto Humanitas Unisinos

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