FAÇANHA DE UM BRASILEIRO – o barítono brasileiro Paulo Szot, 38, ganhou o Tony (o Oscar do teatro americano), categoria “ator protagonista de musical”

Não tem nada a ver com economia. Mas, como ninguém é de ferro e tem a ver com uma das minhas preferências pessoais, os musicais da Broadway ou do West End londrino, peço licença para um "off topic" na madrugada. É que o barítono brasileiro Paulo Szot, 38 anos, acaba de ganhar o Tony por sua perfomance na remontagem do musical “South Pacific”, na versão de 2008, em cartaz no Vivian Beaumont Theatre, do Lincoln Center. Vale comemorar e ouvir um pouco do desempenho que deu o Tonuy ao brasileiro (clique aqui).

A vitória de Szot (pronuncia-se ”Chót”) é absolutamente inédita para um brasileiro – ainda mais para um artista cuja carreira floresceu e amadureceu no Brasil. De formação e atuação operística, Szot nasceu em São Paulo e, embora tenha estudado canto em Cracóvia, na Polônia de seus antepassados, só se lançou na cena internacional há cerca de cinco anos – mesmo assim sem jamais deixar de participar de montagens brasileiras.

Szot ganhou o Tony (o Oscar do teatro americano), na categoria “ator protagonista de musical”. Ele desempenha o papel de Emile De Becque, fazendeiro francês numa ilha próxima do Japão, no tempo da Segunda Guerra. “South Pacific” é um clássico do gênero, de autoria de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, eles também autores clássicos da Broadway.

“South Pacific” ganhou o Tony deste ano na categoria “remontagem de musicais” e em outras categorias técnicas. É o primeiro “revival” na Broadway do grande sucesso que estreou em 1949 e encerrou suas apresentações cinco anos depois, tornou-se um clássico do gênero e inscreveu várias de suas canções entre os “standards” da música americana. Sua versão cinematográfica, de 1958, dirigido por Joshua Logan, com os canastrões Rossano Brazzi e Mitzi Gaynor, também fez enorme sucesso.

É de se esperar que a proeza de Paulo Szot impulsione a cena lírica brasileira, que avança, mas sempre lentamente, em meio a dificuldades de toda ordem. E também dê mais força à categoria dos musicais, que só muito recentemente e ainda com escassez de recursos e material humano, começou a ganhar corpo, principal em produções com temas brasileiros e sem os grilhões das franquias importadas da Broadway, ainda predominantes.

Um povo tão musical bem que merece.

Cf.: Blog de José Paulo Kupfer

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