A força e a fraqueza do projecto neoliberal europeu

O economista político F. A. Hayek, uma das grandes referências intelectuais do fundamentalismo de mercado no século XX, defendeu, nos anos setenta, a ideia de que a promoção política da expansão das forças de mercado, o desmantelamento progressivo do Estado Social e o fim das políticas keynesianas de pleno emprego exigiriam um poder político em larga medida blindado às pressões democráticas, ou seja, uma democracia atrofiada e de muito fraco alcance. Actualmente, vários cientistas sociais, de Perry Anderson a Alain Supiot, têm precisamente defendido que os arranjos institucionais da União Europeia, as normas legais que os enquadram e as prioridades políticas que deles emanam podem ser entendidas como a materialização do projecto de Hayek: uma elite política transnacional, dotada de instrumentos para substituir a economia mista, único terreno onde uma democracia forte alguma vez floresceu, por uma ordem capitalista crescentemente pura. O resto pode ser lido no Jornal de Negócios.

Cf.: Ladrões de Bicicletas

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