Giovanni Arrighi, entrevista – A interconexão entre a crise de alimentos, da acumulação excessiva e financeira

O mercado asiático, sem dúvida, caminha para se tornar a grande potência mundial nos próximos anos. As explicações para a mudança nos rumos da economia global podem ser encontradas nas teorias de Adam Smith, afirma o economista italiano Giovanni Arrighi. Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, ele explica que “a análise feita por Smith acerca dos limites de empresas de grande escala em comparação com divisões de trabalho entre unidades de produção menores é útil para explicar o recente ressurgimento da terceirização, bem como o deslocamento do epicentro da acumulação de capital para a Ásia Oriental”.

Essa nova conjuntura econômica que se apresenta, comenta o pesquisador, não garante uma melhoria de bem-estar para a população mundial. “Se os governos continuarem a fazer concessões ao capital em concorrência uns com os outros, como fizeram nas décadas de 1980 e 1990, o bem-estar dos povos continuará a sofrer a despeito de melhorias na riqueza nacional”, assegura.
Considerando os prejuízos já alcançados pela crise norte-americana, o economista observa que os danos podem ser ainda maiores, mesmo com a intervenção do FED. Para ele, a intercessão do Branco Central americano causa efeitos ambíguos: “resolve alguns problemas (por exemplo, impedindo colapsos súbitos e grandes como o da década de 1930), mas cria outros, como o fomento da irresponsabilidade financeira entre empresas que, com ou sem razão, acham que a mão invisível do Estado irá intervir para salvá-las de seus maus investimentos”. Se não bastasse a situação de insegurança no cenário economico, alerta, a crise alimentícia tem se apresentado como “parte integrante da crise da acumulação excessiva”. Se ignorada, “a crise dos alimentos poderá ter efeitos mais desastrosos para o bem-estar do que a crise financeira”.

Arrighi acaba de publicar o livro Adam Smith em Pequim (São Paulo: Boitempo, 2008), no qual ele propõe propõe uma releitura de A riqueza das nações, de Adam Smith, em face da ascensão da China como potência mundial, fenômeno que está modificando o tabuleiro das relações internacionais. Arrighi enfatiza as previsões de mais de dois séculos, feitas pelo economista escocês, sobre uma sociedade mundial de mercado baseada numa maior igualdade entre as civilizações. Com base na teoria do desenvolvimento econômico de Adam Smith, ele analisa a transferência do centro econômico para a Ásia oriental.

Cf. versão integral em: MST

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