Mais resistências a reduzir as desigualdades, resistência que marca – e mancha – a sociedade brasileira


Tem gente que não entende por que a renda é tão concentrada no Brasil. Mas não é tão difícil entender quando se constata a férrea e histórica resistência das elites tupiniquins em ceder um pedacinho que seja do osso. A toda hora é possível localizar um pouco da explicação para a vergonhosa desigualdade de renda brasileira.

A mais recente jóia dessa reluzente coroa é a idéia de remeter o reajuste do valor da Bolsa Família à lama das ações com objetivo eleitoreiro. Então tá, como temos eleições de dois em dois anos, a cada mandato, vamos impedir que os governos executem políticas públicas sociais por metade deles. Se vale o argumento de que ações sociais em anos de eleição são, antes de tudo, eleitoreiras, não haveria outro jeito de não governar eleitoreiramente.

Talvez fosse mesmo caso de deixar de acrescentar R$ 2 à bolsa mínima mensal de R$ 18 e – onde já se viu? – R$ 14 à bolsa máxima de R$ 172 por mês do Bolsa Familia. Afinal, serão R$ 400 milhões a menos no superávit primário de um ano, ainda que o desembolso efetivo fique na metade, pois a outra metade está sobrando nos cofres do programa. Onde vamos parar com essa gastança?

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Além disso, o reajuste de 8% agora definido nem cheira a alta dos preços dos alimentos, item que absorve mais da metade do orçamento mensal dos beneficiários do Bolsa Família. O aumento de preços dos alimentos, em 12 meses, passa, em média, de 15% (veja na arte do “Estadão”, reproduzida acima, como a inflação dos alimentos atinge mais os países pobres do que os ricos).

Cf. versão integral em: Blog de José Paulo Kupfer

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