MPF: QUEM SÃO OS TORTURADORES DO DOI-CODI ?

A revista Carta Capital desta semana tem uma reportagem sobre o delegado Dirceu Gravina, que, apesar de ser acusado de integrar o grupo de torturadores do DOI-CODI, o centro de torturas que havia em São Paulo, ocupa um cargo público, como delegado em Presidente Prudente, interior de São Paulo (clique aqui).

Uma ação dos procuradores do Ministério Público Federal (MPF) Marlon Alberto Weichert e Eugênia Augusta Fávero pode impedir que Gravina continue a ocupar o cargo de delegado. A ação proposta pelo MPF, já acolhida pela Justiça Federal, em São Paulo, impede, aliás, que todos os torturadores do Regime Militar ocupem cargos públicos.

Paulo Henrique Amorim entrevistou a Dra. Fávero e o Dr. Weichert no programa Entrevista Record, da Record News, nesta terça-feira, dia 24. O Dr. Weichert disse que um dos objetivos da ação é de tornar conhecidos os nomes de todos os torturadores que atuaram no DOI-CODI.

“Quem são os demais torturadores do DOI-CODI. É só o Ulstra? É só o Aldir Maciel? É só o delegado Gravina, que foi identificado por acaso por uma ex-torturada? Não. É evidente que o Exército tem essas informações completas, que o Exército tem a grade de presos, ou seja, quem esteve preso de quando a quando”, disse Weichert.

A União é ré na ação justamente por omissão, porque não identifica os torturadores. Mas, segundo a Dra. Fávero, a Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, subordinada à Secretaria Especial de Direitos Humanos, do Governo Federal, já se manifestou a favor da ação do Ministério Público Federal.

“Tem uma peculiaridade: a União é privilegiada entre os réus, não só nessa ação, em qualquer ação. Ela pode decidir ficar ao lado do Ministério Público como autor... a Comissão dos Mortos e Desaparecidos Políticos da Secretaria de Direitos Humanos já está solicitando à Advocacia Geral da União que não conteste a ação, que ela venha a ficar ao lado do Ministério Público Federal como autora nessa ação”, disse Fávero.

A ação pede ainda que os coronéis Carlos Alberto Brilhante Ulstra e Aldir Maciel, que comandaram o DOI-CODI, sejam condenados a pagar uma indenização de R$ 9 milhões aos cofres da União. Essa indenização é referende ao valor que o Estado brasileiro pagou em indenização a vítimas e parentes de vítimas de tortura durante o Regime Militar.

Países vizinhos ao Brasil, como Argentina e Chile já abriram os arquivos da ditadura. Na Argentina, dois Presidentes do Regime Militar estão presos em regime domiciliar. O general Augusto Pinochet, líder máximo do Regime Militar chileno, morreu trancafiado em casa e perseguido por um processo de lavagem de dinheiro nos Estados Unidos. Mais de 20 agentes do Serviço Secreto Chileno foram condenados, alguns à prisão perpétua. No Brasil, não se abriram sequer os arquivos do Regime Militar. Já se sabe quem foi torturado, mas não quem foram os torturadores.

Clique aqui para ver o vídeo da primeira parte da entrevista com os procuradores Marlon Alberto Weichert e Eugênia Augusta Fávero.

Clique aqui para ver o vídeo da segunda parte da entrevista com os procuradores Marlon Alberto Weichert e Eugênia Augusta Fávero.


Leia a íntegra da entrevista com os procuradores Marlon Alberto Weichert e Eugênia Augusta Fávero em Conversa Afiada

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