O progresso e a barbárie das mortes dos pobres – x Mardonio Barros (Observatório da Indústria Cultural)


Vivemos em tempos estranhos, onde podemos encontrar nas ruas de uma cidade como Berlim um jovem dirigindo um carro com o que há de mais avançado na indústria automobilística, movido a álcool (energia supostamente limpa) produzido por trabalho escravo no nordeste do Brasil. Cada vez que olho para esse mundo, vejo mais razão nas palavras de Benjamin, não consigo olhar essa realidade sem horror, e nem seguir o cortejo triunfal dos vencedores, que segue marchando sobre “os corpos dos que estão prostrados no chão”.

Quando tive notícias do assassinato dos jovens Marcos Paulo da Silva Correia, Wellington Gonzaga da Costa, e David Wilson Florêncio da Silva fiquei tomado de uma revolta e de uma angústia, que se fundiam em uma tristeza advinda de um sentimento de impotência frente ao avanço da barbárie. Vivemos “em tempos (...) de sangrenta desorientação, de arbítrio planejado, de desordem induzida, de humanidade desumanizada[1]”, que nos exige estarmos alertas e prontos para combater a barbárie que nos embota o espírito. Esse crime nos mostra muito dessa realidade complexa que vivemos. Jovens mortos por outros jovens, em uma luta de todos contra todos, de pobres massacrados contra pobres massacrados, entre soldados desumanizados, de um lado os chamados “soldados do tráfico” e do outro (ou do mesmo) os soldados das forças do estado.

Cf. versão integral em: Observatório da Indústria Cultural

Comentários