PIRATAS DO MUNDO INTEIRO, UNI-VOS! – Cid Andrade aponta a importância da obra de Kakim Bey

Hakim Bey é o pseudônimo de Peter Lamborn Wilson, americano, escritor, poeta e anarquista radical. Dos anos 70 pra cá lançou uma série de ensaios e livros avassaladores, tendo se tornado ícone da contracultura, admirado por jovens esquerdistas e libertários em todo o mundo; tendo inclusive influenciado personagens célebres contemporâneos (e eles já o admitiram publicamente) como Michael Moore e Marilyn Manson.

Diz-se que Bey também foi uma importante influência para os ideais e métodos guerrilheiros do sub-comandante Marcos. O depoimento de seus leitores e admiradores é sempre muito parecido: "Ler Hakim Bey foi um soco no estômago, me fez ver coisas que estavam ali diante do meu nariz e me alertou para outras sobre as quais nem desconfiava".

Já Hakim Bey, enquanto persona, é envolto em mistério: não dá entrevistas, não se deixa filmar, não revela seu endereço. Dá aula em uma universidade de Nova York e sabe-se que mora numa cidadezinha a 200 km de Manhattan. E só. Não tem computador, muito menos e-mail. E segundo algumas poucas entrevistas, não esperava que fosse tornar-se um ídolo da atual juventude guerrilheira.

Sua obra-prima é o livro T.A.Z, sigla para Temporary Autonomous Zone, que segundo ele são a chave e o método para o bem sucedimento da revolução que está em curso. Hakim prevê o choque, cada vez mais intenso, entre o atual modelo de sociedade baseado em grandes corporações, capitalismo selvagem, exclusão social e ausência de privacidade, e a parcela da população que visa a interrupção deste processo e a retomada de antigos (ou a tentativa de novos) sistemas sociais.

Em seus ensaios, desenvolve o conceito das utopias piratas, como exemplo recente de sociedades justas e calcadas na mais extrema das democracias. Explica que, ao contrário do que a Igreja e a história moderna contam, os piratas não devem ser confundidos com meros ladrões marítimos e, sim, vistos como renegados, expulsos de seus países, invariavelmente por terem ideais que batiam de frente com a ordem. Partiam em barcos e aportavam em algum cantão do mundo para criarem sociedades alternativas. A mais célebre, e teoricamente mais bem sucedida, foi Libertatia, na ilha de Madagascar, costa leste da África.

Hakim também transcorre sobre o conceito da jihad, normalmente traduzida pelos ocidentais como "guerra santa" e usada para dar nome ao radicalismo islâmico, mas que na verdade quer dizer "revolução permanente e onipresente, em cada ato, em cada momento". Diz que após a Terceira Guerra Mundial, estamos vivendo a Quarta, entre as corporações e qualquer coisa que possa dificultar suas ações rumo ao crescimento e lucro cada vez maior. E é justamente por ocasião desta Quarta Guerra Mundial – que prevê a conquista de territórios em áreas como genética, nanotecnologia e cyberespaço, ou seja, aspectos que podem mudar o destino da humanidade – que Hakim defende o uso das TAZ, guerrilha, arte e música como principais mecanismos de resistência.

Pesquise sobre esse cara e suas obras e você vai descobrir indícios do tamanho da resistência jovem existente hoje no mundo (que é menor do que deveria ser e bem maior do que imaginamos). Bey é referência de grupos democratas nos EUA, de ecologistas radicais, defensores das liberdades individuais, músicos e piratas contemporâneos como os que lotam todo ano a Defcon, ou ainda os dinamarqueses dos BlackBlocks, que tocam o rebu em qualquer manifestação anti-corporativa.

Pesquise sobre este cara e você vai descobrir que tudo isto que eu citei aqui, aparentemente sem muito pé nem cabeça, é apenas a pontinha do iceberg que ele criou ao longo dos últimos 30 anos.

Cf.: Blog do Turquinho, que, por sua vez, copiou do JB on-line, mas sem citá-lo

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