RANKING DO AUTISMO –as três reações européias ao NÃO no referendo irlandês ao Tratado de Lisboa [ex-Constituição Européia pós-não franco-holandês]

3 - Respeitamos o resultado irlandês, mas o processo de ratificações deve continuar. A Irlanda deverá resolver o seu problema.

Ou seja, não respeitamos o resultado irlandês e continuamos como se não fosse nada. Acabado o processo de ratificações parlamentares, a Irlanda forçará um novo referendo. Testada e provada na Dinamarca, a trafulhice em out-sourcing. Como disse o primeiro-ministro polaco: «Seguramente que a Irlanda encontrará uma forma de ratificar este Tratado.»

Seguramente.

2 - O não ganhou com argumentos conservadores e de Direita

Ou seja, a democracia vale desde que se utilize os argumentos certos. E os irlandeses estão confusos. Não deixa de ser curioso como mesmo opositores do Tratado compram acriticamente este argumento. No entanto, os serviços públicos, os direitos laborais, a democracia na Europa, o ambiente, a paz, foram alguns dos temas levantados pela esquerda irlandesa. Não se trata propriamente de uma agenda reaccionária.

Claro que há um não de direita ao Tratado, mas deixarei o argumento das más companhias para quem gosta de estar com Sarkozy, Berlusconi e Paulo Portas.

And the winner is...

1 - 1% dos europeus não podem impôr a sua vontade ao resto dos europeus.

A competição é apertada, mas este é o meu preferido. O único país que referendou o Tratado de Lisboa, rejeitou-o. A conclusão é a de que temos 1% da população europeia a impôr a sua vontade aos outros 99% entre os quais se contam os que ainda não tiveram oportunidade de referendar nem este tratado nem o anterior (como Portugal) e os que, tendo referendado e rejeitado um texto igual, foram agora enganados pelos seus governos (França e Holanda).

Cf.: Ladrões de Bicicletas

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