TSE x LIBERDADE DE IMPRENSA... de quê? Mídia global é 20 conglomerados, U$5-35 bi, produz 2/3 de informações e conteúdos culturais do planeta

Essa semana o Ministério Público Eleitoral, contrariando boa parte da grande imprensa, ingressou com mais duas representações contra as editoras proprietárias do jornal A Folha de São Paulo, e da revista Veja. Ambos os periódicos publicaram reportagens com entrevistas de Marta Suplicy, indo de encontro a legislação eleitoral, segundo o próprio MPE.

Nessa noite de Sexta-Feira o Jornal Nacional, através de sua apresentadora, criticou aquela ação do MPE, deixando claro que isso seria um ataque à liberdade de expressão.

Vira e mexe estamos ficando frente a frente com abordagens de órgãos jornalísticos que criticam ações do governo, ou de partidos, ou de grupos organizados, acusados de dificultar o trabalho dos jornais e dos jornalistas.

Também acredito que o trabalho de uma imprensa livre é fundamental para a manutenção da democracia. Mas há um outro lado da moeda que precisamos debater.

Já houve gente pelo mundo dizendo que a tal Liberdade de Expressão é na realidade a Liberdade de Empresas à sua Expressão. Isso porque é de conhecimento público que a maioria das redes de comunicação e informação, pelo Brasil e pelo mundo, é de propriedade de poucas famílias, ou de grandes corporações.

Denis de Moraes, organizador do livro Por Uma Outra Comunicação, dá uma boa visão da formação desse oligopólio:

“A mídia global está nas mãos de duas dezenas de conglomerados, com receitas entre 5 e 35 bilhões de dólares. Eles veiculam dois terços das informações e dos conteúdos culturais disponíveis no planeta. Entrelaçam a propriedade de estúdios, produtoras, distribuidoras e exibidoras de filmes, gravadoras de discos, editoras, parques de diversão, TVs abertas e pagas, emissoras de rádio, revistas, jornais, serviços online, portais e provedores de internet, vídeos, videogames, jogos, softwares, CD-ROM, DVD, equipes esportivas, megastores, agências de publicidade e marketing, telefonia celular, telecomunicações, transmissão de dados, agências de notícias e casas de espetáculos”.

Os interesses daqueles grupos e das corporações se declinariam, na hora H da notícia, para dar lugar a um enfoque isento, e que busque a verdade e a justiça ? A luta pela tal da Liberdade de Expressão não seria na realidade uma falácia, com a função de mascarar os verdadeiros objetivos dos donos da informação ?

Mesmo não querendo maniqueizar o meu discurso (com donos de empresas mauzinhos, de um lado, contra a população boazinha, de outro lado), fica óbvio que existe um grande poder aqui envolvido, e temos de estar atentos a isso. Este poder pode privilegiar crenças, ideologias, modos de vida, imáginários sociais... e é óbvio também que isto pode favorecer a um ou outro grupo social.

E daí ? O que fazer com toda essa informação, ao mesmo tempo tão complexa e cética até a espinha ?

Cf. versão integral em: Mídia Rebelde, 20.jun.2008

Comentários