Luta de classes, coro dos contentes e uma elite tão ambientalista


O esbulho patrimonial local travestido de defesa do interesse público plenamente satisfeito pelas "forças do mercado" tem enfrentado dias difíceis após a ação do Queiroz e De Sanctis.


Resta-nos apenas acompanhar os desdobramentos jurídicos diante das sete mil páginas, 250 GB acumulados de dados e meia tonelada de materiais apreendidos há duas semanas?


A centralidade política conquistada pelos "donos do poder" [cf. Faoro] pauta-se pelo mantra "nada mudar para ver como é que fica" de fazer corar o mais radical dos ambientalistas.


O que falta nesse
imbroglio?

Bastará acompanharmos os limites meramente jurídicos a suas ações coordenadas de rapinagem e enriquecimento ilícito? Basta ver que o "vilão" na mídia oligárquica, no STF e no parlamento deixou de ser o tal banqueiro [que sequer é proprietário
formal do Opportunity]: é o delegado, o juiz, o uso da algema.

A política na era de seu fim, economicizada e transformada em "gerenciamento de exceções", quando chega perto de interesses de peixe graúdo, cai de quatro, servil – a socialização dos prejuízos dos credores pós-bolha imobiliária é só uma amostra disso.

Do prestativo STF ao Supremo americano a negar o "direito americano" aos "combatentes inimigos", por que haveria de ser diferente com a linha fina da vara de pescar da "justiça", a esfumaçar-se como colher de açúcar no oceano quando perto de algum tubarão, seja o mainstream caipira, seja o yankee?

As ações da PF no governo Lula trazem à luz, dia após dia, os capítulos da guerra entre os que fazem contratos, negociam privilégios e concessões, favores e margens de lucro, e os que são vendidos por essa malta como mercado formado por ortodoxos e atomizados consumidores racionais e livres.

Como garantir eficácia e amplitude ao desmanche das diversas alianças "nas instâncias superiores" [o andar de cima a que se refere o outro] – tão permeável às investidas de gangues autonomeadas elites de vencedores e gente de bem?

Elite do quê? Mas isso é a velha "guerra de classes", só que castrada, silenciada e proibida de dizer o seu nome pela elite da gente de bem cá tão fotogênica entre formadores de opinião, STF e páginas dos relatórios da PF e de um ou outro juiz que desafine o coro dos contentes.



P.S.: nova viagem, nova ausência... que surpresas terei na volta?

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