Zizek: eu não acredito em ferraduras enquanto amuletos, mas dizem-me que funcionam mesmo quando não acreditamos

Sábado, na esplanada da cinemateca, o Elvis da teoria crítica deu um recital de mais de duas horas; e foi igual a si mesmo: brilhante e divertidíssimo. Recorrendo a todo o seu arsenal filosófico e cultural, falou-nos de Hegel e Steven Spilberg, de São Paulo (o santo) e de pornografia, de Marx e Leonardo di Caprio. A estratégia de Zizek é conhecida: ele subverte o senso comum, expondo o elemento ideológico que, contra tudo o que se diz, continua a permear toda a nossa interpretação da realidade. Com o marxismo vulgar desacreditado (ao contrário do PCP, Zizek continua a pensar), e sem uma classe universal que resolva as contradições da sociedade, Zizek limita-se a expôr, muitas vezes de forma absolutamente brilhante, as contradições das fantasias que, segundo ele, estruturam a nossa percepção (constitutiva) da sociedade moderna. O forte do Zizek não passa propriamente por uma crítica da economia política sofisticada (aí ele, acho eu, é um Marxista ‘vulgar’), mas por uma subversão psicanalítica provocadora de determinadas categorias políticas e culturais que nos habituamos a considerar auto-evidentes.

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