sem-fronteira


O quadro tal como pintado aqui é obra de um simpatizante de causas anticapitalistas, mas é o mínimo a ser dito diante de obras como
La Tigresa del Oriente.

Vale a pena conferir a letra-coreografia-cenografia desse grupo em missão religiosa de divulgação do "novo amanhecer" lá no you-to-be [é... você pode,
realmente; deve?]

Não é nenhuma maluquice afirmar uma harmonia carnal entre religião e capitalismo.


Expropriação do homem, bufunfa e salvação da alma convivem numa boa desde que concílios e bulas papais inventaram o pulgatório e emitiram passaporte celestial ao usurário.


Então tá.


Seis séculos depois, ruínas lançadas aos quatro ventos pelo capital fictício e pelo mundo da cultura, e o que temos?


Um lixão oceânico emerge como cultura de massas, popular, de elite, erudita ingerida feito grande xaropão.


Tal lixão é deglutido e propagado aos quatro ventos, raramente por boa fé sempre tão alvissareira, como conquista democrática, liberal e regulada pela mão invisível de um mercado.


Um mercado que se mostra, como o mostra a captura do petróleo
in loco promovida pelas gangs texanas que estão com Bush, cada vez mais ávido em libertar qualquer patamar social de quaisquer engrenagens social/afetiva/familiar/psíquica alheias à reprodução do sistema poder-dinheiro pelos seus bancos e oligopólios.

Resta a nós o papel de sujeito-consumidor, seja individual, seja coletivo, a ser controlado por instituições sempre desregulamentadas quando o sujeito é do andar de baixo.


Cabe ao Estado o papel diligente de garantidor da segurança jurídica e dos contratos entre as gangs de oligopólios que controlam todas as esferas da reprodução da vida social urbana e rural, tanto na periferia quanto no centro do sistema-mundo.


Num mundo assim, como funciona o
ópio do povo?

Em tempos de desemprego estrutural, um "novo amenhecer" é prometido aos ejetados dos lugares disponíveis na sala de visitas em que se converteu o espaço público, dos amazônidas aos favelados.


Não tardou para que o pior do mundo administrado encontrasse formas de difundir um denominador comum dos esforços de produção simbólica religiosa, artística e militante.


Não tardou para que o pior do mundo administrado tivesse a grande sacada de usar as novas tecnologias para a construção de sintaxe e semântica necessárias para a conversão das almas nesses novos tempos.


Como é o reconforto vendido a amazônidas favelados, aos sem-tetos vitimizados pelo esbulho, aos urbanóides todos, das vítimas de fornecedores de bugigangas a serem revendidas sem qualquer vínculos trabalhistas com quem te foderá quando o fiscal te pegar às mocinhas de família?


O youtube é o laboratório dessa nova forma de eternizar aos quatro ventos o maravilhoso mundo que querem todos nós consumemos.


O
modus operandi não é complicado, e se vale do velho truque de se apoiar no que de pior houver no leque de estratégias batidas e de eficácia garantida na sedução do leitor/expectador.

A dúvida que resta é: com tudo sendo permitido, que fim levaram os interditos necessários para a construção da Nova Ordem?

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