AIG, Unibanco, o BC brasileiro e o Titanic


Ontem, numa avenida movimentada da zona nobre paulistana, vi numa agência... de investimentos o logo
Unibanco lado a lado com o... AIG.

Ontem, o BC daqui ontem injetou liquidez no sistema brasileiro, em operação que resulta em algo como ampliação em 13,2 bilhões no "total de dinheiro disponível no sistema financeiro" [cf. detalhes e análise
didática aqui, na página do J.P.Kupfer], mediante aumento "do valor que pode ser deduzido da chamada exigibilidade adicional sobre depósitos à vista, a prazo e poupança" de 100 para 300 milhões e adiamento do "prazo de início da cobrança do depósito compulsório de 20% sobre as operações de leasing" para 16.01.2009, inicialmente previsto para 14.11 próximo. Uma ação louvada como rápida antecipação a repercussões futuras mediante antecipação da demanda [de quem, cara pálida?, me pergunto, quando me lembro da placa anunciando operações de seguros com as duas instituições em operações conjuntas].

Ontem, como sempre, os ricos continuam sendo os primeiros a serem salvos.


E a história do presente, com suas estatísticas e manchetes em seus panfletos distribuídos por oligarquias midiáticas, continua sendo contada do ponto de vista dos interesses financistas, por meio de autêntico e cínico recorte que, sob o registro das lutas sociais, privilegia sem pestanejar os interesses do grande capital.


Aliás, falar em
grande capital é sequer eufemismo ou pleonasmo. É mau uso do conceito mesmo. O pequeno capital, se um dia foi relevante, deixou de sê-lo há muito, com a entrada em cena do Estado imperialista e da grande empresa, com seus oligopólios e trustes, lá em algum ponto entre fins do séc. XIX e a passagem para o XX.

O pouco que restasse de sua autonomia ante o
grande capital foi pro vinagre de vez com a financeirização das atividades produtivas e a subsunção de sua lógica às do capital financeiro em geral, sobretudo às do especulativo, dominante no jogo jogado no frigir dos ovos das últimas três décadas.

Acompanhar como se vende o omelete da crescente polarização social nos dias que correm é exercício bastante didático.


E não só por expor a cambaleante retórica anti-Estado bacorejada em defesa do livre mercado por leitões na
opinião publicada, pocilga que se passa por esfera pública aqui e alhures desde o advento da tal grande empresa e da Era dos Impérios.

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