Estado-nação... é de comer? — Rússia, hegemonia regional e... Palin: por que será que jogaram gasolina na fogueira dos falcões republicanos?


1.


A candidata a vice pelos republicanos
admitiu ontem, em entrevista à ABC News, a possibilidade de guerra com os russos, caso a Geórgia seja membro da Otan e se veja sob nova incursão militar russa.

Sabe-se que os russos há muito tempo estavam à espera da ocasião para o pulo do gato.


É de se imaginar que tenham calculado o efeito do recado a ser passado, o de que acabara a era, inaugurada após o colapso soviético, da unilateralidade nas relações internacionais.


A mensagem a ser passada: o retorno geopolítico da "área de influência" a fundar uma hegemonia regional não-americana, mediante uma ação a fragmentar o território georgiano com ares de fato consumado.


Tampouco escapariam aos russos o impacto desse galilaico banho de água fria nas pretensões dos falcões que controlam a política externa americana.


A dúvida é: qual cálculo geopolítico os levaram a provocar os EUA em pleno período eleitoral com uma ação que renderia discursos e votos aos radicais republicanos?


Não basta supor que os EUA não arriscariam aventurar-se contra um exército de primeira divisão, se mal conseguem se manter sobre as pernas enquanto enfrentam os times da várzea afegã e iraquiana.


Nas décadas da Guerra Fria, o confronto direto nunca esteve nos planos de ninguém nos bastidores; ao mesmo tempo, o jogo para as torcidas tendia à radicalização infinita.


2.


Enquanto isso, na América Latina, por um lado, Chávez prepara-se para uma invasão americana a médio prazo faz muito tempo, por outro, autonomistas fascistas põem as manguinhas pra fora na Argentina e na Bolívia, o Judiciário é reduzido a pó de traque logo pela sua instância hierarquicamente superiora no Brasil, onde, a exemplo da Colômbia, o crime organizado dá as cartas nos três poderes da república... e que república!


No Brasil, um certo FHC, atualiza num registro paulista a reivindicação dos que querem derrubar Evo Morales, ao defender uma cota maior dos royalties do pré-sal para São Paulo, em detrimento de diversos princípios que fundamentam o direito administrativo e constitucional, bem como a organização dos Estados-nação tal como os conhecemos.


3.


Após as recentes patranhas de Bush Jr. no Afeganistão e Iraque, as de Israel desde sempre na região, as que levaram ao bombardeio da Sérvia, à formação de Kosovo, à reincorporação de partes da Geórgia pelos russos... talvez a grande mensagem seja:


Estado-Nação... é de comer?

O mercado financeiro e a roda de expropriação de riquezas promovida por organismos multilaterais, empresas multinacionais e pelos países industrializados, mediante rapinagem generalizada das riquezas socialmente produzidas mundo afora, foi um mero capítulo de algum novo conto da carochinha ainda por ser escrito, um capítulo no qual as políticas neoliberais de sucateamento e desmanche das instituições políticas e direitos sociais duramente conquistados nos últimos 200 anos seria apenas uma pálida nota de rodapé.


4.


Acabou a festa... E agora, José? [versão drummondiana à pergunta
o que fazer?]

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