Mendes ou Lula, quem é o presidente? Mas a resposta é outra, então... outra é a pergunta


Quem governa esse país é pergunta que, a essa altura, pouco importa.

Suponha-se em Lula a figura de um estadista.

Afinal, não é sempre que alguém escapa de golpismos cotidianos de direitosos de diversos calibres [cf. a mídia oligárquica e os anões da oposição com seus estardalhaços em torno do caos-aéreo, mensalão, retorno da inflação, Lulinha, petização do Estado, bolsa-migalha e por aí afora], ao mesmo tempo em que quebra o joelho e reduz à míngua as contestações à esquerda da ordem econômica e do status quo, além de castrar os movimentos sociais de modo que os militares e seus herdeiros tucanos jamais almejaram alcançar [dinâmica de cooptação que os críticos da lulização da máquina jamais entenderão].

Suponha-se Lula um estadista?

É fácil a vida para quem destina mais de 50% do total do orçamento para o pagamento de juros de títulos da dívida pública [e respectivas migalhas devidamente repassadas a todos os que protegem seu pé-de-meia em fundos no banco de sua preferência].

É fácil a vida para quem autoriza o capitalista rural a nadar na inadimplência sem contrapartidas de qualquer espécie.

Isso para ficar em apenas dois exemplos que mostram a miúda estatura desse Lênin da direita.

Qual é a largura do ombro do estadista que, mais uma vez, passa recibo aos anões que o acossam? Que, dessa feita, dá curso à cantinela de grampos no STF em bola levantada reiteradamente pela Veja, sempre desmontada como mera mentira todas as outras vezes?

Qual é largura do ombro do estadista que deixa transformar o policial e o juiz em suspeitos, enquanto o vilão Dantas, em cujo bolso repousam plácidos homens honrados de todos os quadrantes desse quase-Estado chamado Brasil, passa por vítima indefesa?

Suponha-se Lula um estadista?

Então, qual é o sentido que há em demitir aquele que, mesmo para os anões da oposição, é tido como parte da banda honesta da Polícia Federal, já devidamente enfraquecido com sua "demissão para o alto", mediante sua promoção para o cargo de chefe da Abin? Enquanto isso, o vilão Dantas, especialista em grampos ilegais dentre outras mumunhas...

Suponha-se Lula um estadista.

De um quase-Estado chamado Brasil, cujos estadistas o são apenas por seu mérito em perpetuar o passado num eterno presente que nunca passa.

Suponha-se Lula um estadista?

Ou um anão de jardim [para não falar, ainda não, em jabuti] repousado no alto de uma árvore, insistentemente balançada pela alcatéia, pelos outros tantos anões instalados na mídia oligárquica, nas instâncias judiciais ou nas cátedras de diversos quilates?

Haverá algum gigante que possa arremessar esses pigmeus da história [Lula, como Obama, é apenas mais um deles] ao seu devido lugar, à lata de lixo, de onde nunca deviam ter saído?

Nesse caso, teríamos o usualmente nomeado pós-capitalismo, o qual não sairá do papel enquanto forças, propostas, atitudes e instituições anticapitalistas não colocarem abaixo as formas de vida social que alimentam e reproduzem o descalabro conhecido como mercado.


*enquanto eu escrevia esse texto, perdi o prazo de pagar uma conta, e agora lá vem uns 70 reais só de multa... Como diria o outro:
E segue rindo!!!! rsrsrs
A roda gira, o prazo também, e viva o sistema! Um brinde às suas
formalidades [por trás das quais, sempre algum ladino se empanturra com seu conteúdo nunca negado!]

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