Puta da Barão e mídia assassinobranda: duas propostas contra-hegemônicas

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“O que me preocupa não são os gritos dos maus, é o silêncio dos bons”

{Martin Luther King, citado por Eduardo Guimarães, in Blog Cidadania)

Que o Lixão da Barão de Limeira [vulgo Força Serra Presidente, FSP] resvala no esgoto da direita anaeróbica isso já o sabemos todos, e muito antes da campanha de 1989. Veja-se, por exemplo, o matiz negativo conferido ao termo socialismo sempre que se referia ao PT, seja em entrevistas, seja em matérias bem antes da fatídica edição do JN a dias do primeiro turno de 1989.

De lá para cá, o Lixão pauta um perfil editorial a matérias sobre movimentos sociais como o MST, greves de servidores públicos, ocupações de imóveis que não cumprem sua função social pelos sem-teto urbanos com uma concepção de propriedade privada, Estado e políticas públicas cada vez mais afinadas com ideologias e discursos de partidos da extrema-direita mundo afora, e que por aqui tempera práticas de partidos autonomeados social-democratas, liberais, democratas et caterva.

O point of no return foi a ditadura do pensamento único instaurada durante o tronopólio da tucanostra sob a batuta da Maria Antonieta de Higienópolis, a versão local do fumei mas não traguei que assolou o mundo durante o apogeu da neoliberalização das políticas públicas: a anulação do universo da política como espaço de conflitos pela esfera da economia como um mecanicismo ortodoxo e anti-trabalho, anti-sociedade, anti-políticas sociais universalizantes.

E a Puta da Barão somou-se ao coro dos contentes em que se transformara oligarquias midiáticas mundo afora, então a recitar três mantras:
1) o mercado nunca erra;
2) o mercado sabe se auto-regular;
3) enquanto não afogarmos o Estado numa banheira, que ele se limite a, por diferentes meios, prender ou matar os deserdados pelo botim generalizado da riqueza socialmente produzida pelos çábios gestores do processo de mercantilização e financeirização de tudo o que existe, do futuro catastrófico à genoma ou saberes tradicionais.

A diretoria de marketing da Puta da Barão de Limeira, contudo, conquistou memorável feito de, a despeito do desmanche promovido no corpo e perfil editorial no começo dos 80 após a morte do pai-Frias, vender-se como isenta, livre, modernosa e porta-voz dos antenados, intelectuais e cosmopolitas.

Isso lhe rende até hoje a paradoxal conquista do voto do comprador na banca ou da assinatura.

Hoje, todo aquele que se tenha na [desenganada] conta de politicamente e/ou culturalmente alfabetizado, e mais, de todo aquele que se assuma do outro lado do espectro político representado pelo Estadão, tido, mediante fantasia coletiva de todo injusta com as demais publicações das cinco famiglias midiáticas [Marinho, Civita, Frias, Bloch, Bispo Macedo], tido como um jornal sem máscara que oculte o que ele é, carcomido defensor do status quo.

Desta feita, contudo, a Puta resolveu, em intervalo de dias, não só reescrever a história da Ditadura Militar, como, num contexto em que o movimento que questiona a anistia de torturadores ou estupradores autoconcedida pela Ditadura 64-85 é desancado pela Puta da Barão, num contexto em que decisões democráticas venezuelanas em nada discrepantes de legislações e fatos históricos suecos, franceses ou ingleses são desancadas pela Puta da Barão, eis que a Puta da Barão partiu para uma postura típica dos olavões, reinaldões e mainardis que formam a direita anaeróbica local, e se pôs achincalhar as impecáveis, combativas e antissistêmicas biografias de Maria Victória Benevides e Fábio Konder Komparato, ao identificar suas críticas à tentativa da Puta de reescrever a história como "'indignação' obviamente cínica e mentirosa".

Para quem não acompanhou esse capítulo da história da Puta da Barão, remeto o leitor ao texto do Biscoito, à matéria da Brasil de Fato, à análise de Gilson Caroni Filho, bem como ao chamamento à ordem por Eduardo Guimarães, para o qual não nos basta mais abaixo-assinados nem manifestos de repúdio.

O que Guimarães propõe, no seu blog Cidadania, é algo que nos permite retomar aqui a teoria da janela de Overton: é hora de radicalizarmos nossas posições políticas à esquerda, a fim de deslocarmos a janela do tido pela maioria como aceitável, publicável ou defensável de dentro do lixão político em que se encontra rumo a algo mais coletivo, pró-social, de esquerda, anti-mercado etc.

O que pode ser feito mediante a ironia do Blog do Mello, que reescreve a história a la Puta da Limeira: perto da pilha de 42 milhões de cadáveres por Mao Zedong, a de apenas oito milhões assassinados por Hitler faria dele um tiranobrando, ditadorbrando, assassinobrando?

Mas não nos basta a ironia. Os parágrafos finais escritos pelo Idelber merecem citação, por irem direto ao ponto que nos interessa quando o assunto é uma empresa que sobrevive à custa de assinaturas:

Com o insulto a Fábio Konder e Maria Benevides, o portal UOL perdeu de vez minha assinatura. O Biscoito entra em fase de apoio radical a qualquer ridicularização, boicote, ataque verbal, protesto, charges, manifestação ou sabotagem não violenta dirigida contra os Frias, os Marinho, os Civita e suas corjas de servidores. Cada assinatura que eles percam, cada desmoralização que sofram, cada restinho de credibilidade que escoe pelo ralo, é mais um tijolinho no prédio da democracia.

Na matéria da Brasil de Fato ficamos sabendo que Komparato, Benevides e muitos outros já cancelaram sua assinatura. E tu, o que está esperando?

Quanto à sabotagem não-violenta, é bom lembrar que muito do hoje considerado "violência" não o era ontem, e vice-versa. Só para caricaturizar uma radicalização do estado de exceção global imposto há anos pelo establishment: apelo a boicote é uma ação terrorista de "ataque ao livre-mercado", logo, aos fundamentos da sociedade ocidental, logo, passível de estadia em Guatánamo?

Concluindo.

Eis aqui duas posturas de ação contra-hegemônicas:

1) mover a Janela de Overton no debate e propostas defendidas;

2) minar a rentabilidade dos bons negócios da Puta da Barão, dentre outras prostitutas que exibem o traseiro desnudo de suas revistas e jornais diária, semanal ou mensalmente nas bancas ou portais.

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