45 anos de golpe de Estado e Ditadura Militar e a velha boa nova de sempre

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Às vésperas de completar 45 anos da implantação do Estado de Exceção pelos meganhas tupiniquins, para a qual colaboram os petits comités conspiradores udenistas, setores da Igreja Católica e 99% da mídia, o que temos?


1. tal como alguns revisionistas ante o Holocausto, pipocam redescrições semânticas a esvaziar o seu conteúdo, o mais recente deles o editorial do Lixão da Limeira ao referir ao perído de exceção como "ditabranda";


2. redescrição hoje, mas lado a lado ao passado que insiste em permanecer presente: prossegue nos quartéis a velha cantinela da caserna como se nada tivesse acontecido após Garrastazu Médici. Um general da ativa, em cerimônia de transmissão do cargo de comandante do Comando Militar Leste [que abrange as tropas no RJ, MG e ES], com o próprio comandante do Exército na platéia, tece elogios ao Médici, o qual lhe ensinara a exigir da história que "lhes reserve uma página consagradora". E não só: o sátrapa requenta todo o mantra golpista. O golpe de Estado e a Ditadura Militar são "revolução democrática" e "memorável acontecimento".

O comandante do Exército fez que não ouviu; o ministério da Defesa fez de conta que não tem nada a ver com o assunto, ninguém diz nada e fica tudo por isso mesmo... até quando?

Pois bem. A questão é: até quando evitarão serem denunciados pelos crimes em que se envolveram?

Até quando não lhes reservaremos a mesma responsabilidade já atribuída pelos nossos irmãos portenhos ou chilenos aos sicofantas [= caluniador mentiroso] responsáveis pelas suas ditaduras?


Como fazer para que TODOS, inclusive os conspiradores civis, todos os envolvidos na patranha [patranha = história mentirosa, POIS INEXISTIA AMEAÇA COMUNISTA NEM QUALQUER AMEAÇA ÀS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS DO PAÍS. Ou seja: o pretexto golpista tem a mesma consistência das denúncias de armas de destruição em massa usadas para justificar o massacre dos iraquianos], quando conseguiremos que todos eles sejam denunciados, processados, condenados e presos?


Essa é a única via para evitar que novas "vivandeiras alvoraçadas", azeitadas por púpitos do Marinho, Civita e Frias, incomodados todos porque o povinho insiste em não votar aqui ou ali nas oligarquias de sempre, acabem por voltar às ruas a bulir granadeiros em busca de sucesso em nova estravagância golpista que os reconduza de volta ao esbulho dos fundos públicos.

É disso que se trata: basta algum controle social à destinação dos fundos públicos,
bastam pequenas marolinhas redistributivas de renda conduzidas por espasmos políticos reformistas que apenas atenuem com algum sucesso os efeitos mais perversos do processo de polarização social para os golpistas saírem das tocas.

Na Argentina eles estão pegando prisão perpétua por violações dos direitos humanos; por aqui, enquanto a eles reservarmos o céu de brigadeiro,
o discurso do meganha cinco estrelas lança aos quatro ventos a velha boa nova de sempre: não é por falta de granadeiros que os golpistas fracassam.

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