ato dia 7 em frente à FSP: Ditabranda, o Lixão da Barão e o neoliberalismo

... Para começo de conversa: a única "ditabranda" nessa história toda é a sustentação conferida pelas famílias oligárquicas midiáticas aos projetos políticos, valores, práticas sociais e institucionais das diferentes formas de expropriação do mundo do trabalho pelo andar de cima em suas diferentes manifestações mundo afora.

Vamos, por ora, ao mais imediato:



Há um aspecto não destacado no post anterior acerca desse novo capítulo da história da Puta da Barão [Folha de S.Paulo, panfleto editado por empresa cuja sede é no único ponto da rua Barão de Limeira, SP, que é perigoso andar também antes das 22 horas].

A velha cafetina da Barão de Limeira retoma o modo Pinochet de ver as coisas [cf. dentre outros, vídeo com o ditador aqui no Paulo Amorim], e desconstrói [para citar neologismo flatulento pós-modernizante tão em moda nos cadernos culturais (sic) do Lixão], retomando, e desconstrói, como fosse um consenso, o sentido geral da obra imposta pelos gorilas da caserna goela abaixo durante a Ditadura Militar 64-85.

Agora a Ditadura é mera ditabranda, neologismo criado por Pinochet.

Pinochet, não custa lembrar, arreganhou as pernas do Cone Sul para as experiências neoliberais.

Para ser mais exato: sufocou com mão de ferro qualquer resistência, popular ou não, institucionalizada ou não, e transformou o Chile no laboratório do primeiro experimento de desmanche do Estado, privatização e abertura comercial, tripé sobre o qual se apóia o receituário
então chamado de monetarismo ortodoxo, um receituário que, como ensina Perry Anderson, também se vale de outra experiência, lá na Bolívia sob Hugo Banzer.

Tais companhias mostram o ambiente político-institucional requerido pelos arautos do livre-mercado para lá fazerem valer seus consensos, receituário hoje tão alegremente defendido por Leitoas e afins em panfletagens fascistizantes antissociais, antipopulares e antimudanças travestida de jornalismo, panfletagem a infestar o que se passa por noticiário econômico.

Pinochet e Banzer inauguram o que a vitória de Tatcher e Reagan na passagem dos 70 para os 80 viabiliza ser implantado mundo afora.

Com o ato falho [para sermos generosos] de retomar Pinochet, o Lixão da Barão acaba por ressemantizar [termo tão apreciado por cultivadas amebas muy cosmopolitas] o valor político e visão de mundo dos patronos das políticas até hoje sustentadas por tucanos sempre mal-intencionados, já que sempre as mascaram sob a rubrica de choque de gestão, ou ainda, choque gerencial [veja-se como a linguagem revela o projeto tucano nada sublimado por impor-se mediante o caos e a catástrofe, de chapéu panamá, gengiva interminável e não muito mais na cabeça].

E como a máfia política neoliberal efetiva seu projeto? Uma analogia: mata o bebê ao invés de consertar o vazamento da banheira. Ao invés de consertar o que não funciona no Estado, transferem fundos públicos para oligopólios e a grupos de amigos subsidiados por financiamentos a perder de vista e juros de mãe pelo BNDEs.

Não custa acrescentar: só arrematou o botim os empreendedores municiados por informações privilegiadas passadas por meliantes hoje tão arautos da ética, desde nunca submetidos a qualquer espécie de quarentena digna de nota, arautos sempre presentes nos dois lados do balcão, promiscuidade presente em outras esferas institucionais – promiscuidade que transformaria o caso Gilmar Mendes, esse mesmo, em algo a ser destacado [fulanizemos 2010, conclama FHC? Façamo-lo, pois!], mas essa já é outra história.

Para encerrar, próximo sábado, o Movimento dos Sem-Mídia organiza um protesto em frente à sede da FSP para protestar contra o antijornalismo que por lá viceja. Mais detalhes, cf. a página do Blog Cidadania, [sabe-se lá porque cargas d'água ainda hospedado numa das empresas do grupo Folha].

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