Choque Gerencial Tucano e o sentido da Crítica na era da sustentação política garantida por verbas para inserções publicitárias

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Nessa sexta-feira 13, um ex-funcionário tucano, ex-ouvidor da Secretaria de Segurança Pública gaúcha, encaminhou à seção local da OAB uma série de gravações, que configuram uma série de crimes: realizadas sem autorização legal envolvendo diversas instâncias do governo estadual e prefeituras, foram realizadas com a finalidade de chantagem política.

Nessa sexta-feira 13, O Jornal Nacional silencia sobre o assunto e, no intervalo, propaganda paga pelo contribuinte guasca enaltece as realizações do tucanato gestão Yeda... na área de segurança pública.

Nada se ouvirá sobre estado policialesco, nada sobre corregedoria que fiscalize a polícia. Tampouco se lerá na Veja denúncias acerca da Grampolândia nem máquina de espionagem.

A razão da diferença de tratamento não são meros interesses publicitários, nem os oligárquicos e políticos a silenciar sobre tudo o que arranhe o projeto FSP, Força Serra Presidente.

A razão da diferença começa com a letra D.

De resto, a canoa furada tucana gaúcha só não soçobrou de vez por conta das verbas jogadas na publicidade.

Quanto à "surdez" do JN, Veja e alhures, uma entrevista de Aloísio Ruscheinsky ao IHU online, citada pelo Weissheimer, ajuda a juntar A com B: estamos diante de um governo pífio, que nada de notável realiza na área social, nem nada de marcante que caracterize a gestão tucana.

Lá, o que é o choque gerencial tucano? Terá o mesmo perfil do implantado por Serra? O Serra que põe alunos pra fazer faxina em escola no horário da aula? O que, não bastasse a média de R$5,90 de
pedágio a cada 40 km nas rodovias, deixa rolar pedágio de até 200 mil reais para um delegado assumir posto no Detran?

No RS o ardil se torna visível. O choque gerencial tucano, prossegue o entrevistado, é o "
choque de investimentos de legitimação através do uso intensivo da mídia. É algo como a compra da capacidade de opinião dos meios de comunicação, tanto que os grandes veículos de comunicação estão aleijados na sua capacidade de divergência em função desses substantivos investimentos que têm sido feitos nessa área de propaganda."

O efeito surpresa do ardil? Ensina Aloísio: cortar verbas das áreas que mais necessitam da intervenção do estado, as políticas para a população pobre, e bombar recursos nas áreas que garantem a sustentação eleitoral do governo: mídia e publicidade.

O choque gerencial tucano traz à superfície a espetacularização da política na era de seu esvaziamento, um conceito mais que fatos, tão fragmentados quanto costumam sê-lo e que demandam não uma interpretação, mas que se decifre aquilo a que eles dão forma.

Como trabalhar a tensão entre os fatos e seu sentido secreto, nem terrível nem ameaçador e que aparece como meramente trivial, que nos cabe criticamente sintetizar?

Dito de outro modo: a entrevista mostra haver muita coisa que podemos extrair dos fatos expostos pelo jornalismo sem nos restringirmos ao anedótico nem à narrativa de uma trama perversa.

A tarefa, portanto, é elaborar uma condensação conceitual crítica e radical dos sentidos da política hoje, tendo-se como base a história do que aparece, o visível nos limites do qual se detêm os apóstolos da mera objetividade factual, como se isso fosse possível, ou sequer relevante por si só.

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