Dentista em posto de saúde na Era do Novo Colapso de Ideologias Vagabundas

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Que tal nos distrairmos com algo que não seja crise da realização do valor e o colapso de ideologias vagabundas?

Talvez seja raro um funcionário público, suponhamos, uma dentista de um posto municipal de saúde, dispensar, como fosse uma heroína de um conto de fadas alemão, dispensar um paciente por ter chegado atrasado alguns minutos à consulta e, em seguida, como fosse mariposa recém-nascida a abandonar seu casulo, fechar seu gabinete e dirigir-se livre, leve e solta à sala do cafezinho e lá permanecer por muito tempo, podendo lá ficar até a hora do fim do expediente, pois inexiste outro paciente para atender salvo o que ela dispensou, no caso, eu mesmo.


Como isso certamente é raro, melhor não reclamar...


Vai que na próxima consulta a pirilampa desconsidere anestesiar-me e, cureta em punho a cavoucar cavidades intragengivais, ignore as placas mais fundas. Ignoradas, as placas, vulgarmente conhecidas como tártaro, elas se multiplicariam, em um lento acúmulo no espaço intragengival, até o dia em que a mobilidade e queda do dente dispense nossa germânica mariposa de ter de lidar com um paciente cujo mundo não se adeque ao seu rigoroso horário marcado para o longo cafezinho.


Pensando bem, já é bom negócio se tal dentista de posto municipal de saúde, porque para tal fez um concurso público sem qualquer favorecimento nem gabaritos vendidos de antemão(1), já será de bom tamanho se nossa mariposa tedesca souber identificar as placas, souber nomear e identificar as curetas adequadas à sua remoção, houver tal equipamento no posto de saúde, e que nossa heroína as saiba manipular com eficácia.

Tal dúvida sequer é presente aos que tem algum dinheiro e podem pagar por consulta, pois, salvo alguns poucos casos e todos estes mediante extorsão, e a mera extorsão não garante ingresso nesse minúsculo universo, a regra é a ignorância e a ma fé nos consultórios privados.

Quanto à nossa heroína do posto de saúde... voltaremos ao assunto dia 20.

(1) "
porque para tal fez um concurso público sem qualquer favorecimento nem gabaritos vendidos de antemão" – uma típica falácia de ênfase, inserida com finalidade apenas pedagógica.

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