Lula e a reforma do Palácio do Planalto: a financeirização do poder a olho nu

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A partir do próximo dia 16, após viagem em que se encontrará com Obama [vulgo, para os íntimos, OB: no melhor lugar, mas na hora errada], Lula usará as dependências do CCBB, por conta de uma reforma no Palácio do Planalto.

É pública e notória a autonomia desfrutada pelo BC desde os tempos da ditadura. A financeirização de suas ações e decisões, publicamente assumidas pelo Ministério da Fazenda sob collorido Marcílio Marques Moreira e pelos petucanismo que o sucedeu, o consolidou como um dos poderes de fato dessa pseudorrepública.

Agora a presidência ocupará as dependências de uma instituição ligada ao sistema bancário federal.

Como se sabe, o Banco do Brasil, ao menos neste governo, reforçou o comprometimento desenvolvimentista protokeynesiano de um projeto de fortalecimento geopolítico do país mediante subsídios, ainda que focalizados, à atividade produtiva e ao pequeno e médio produtor.

Um desenvolvimentismo um tanto anêmico e que poderia ser aprofundado por esse governo, caso seguisse receituário há tempos ensinado pela emérita Maria Conceição Tavares, que em recente palestra mais uma vez mostra como reverter a atual correlação de forças entre sistema bancário privado e setores produtivos, mediante ação em quatro eixos: "políticas sociais, a nova política habitacional, as obras do PAC e as licitações da Petrobras". Até a The Economist corrobora a tese da vantagem e influência dos bancos públicos brasileiros como uma vantagem local diante da crise sistêmica global.


Uma forte intervenção no perfil do COPOM, por exemplo, mediante a redução radical da taxa Selic, permitiria, ao direcionar menos bufunfa ao financista, garantir recursos ao PAC, reduzir IPI, antecipar pagamentos, contratar gente pra pintar faixa
e tapar buraco nas estradas.

O bom nessa história da mudança é que temos o seguinte: dois dos três poderes de fato estão instalados em instituições financeiras e o terceiro, comandado por Gilmar
Dantas, há muito agenda a sua pauta segundo interesses assemelhados – "Que o Deus de Justiça ilumine nosso País e o livre de juízes como Gilmar Mendes" [Coordenação Nacional da Pastoral da Terra, em nota contra a parcialidade e omissões de Gilmar Dantas e do Poder Judiciário em geral, divulgada ontem, 6.3.009].

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