"Foi bonita a festa, pá" e o resto sem sombras da liberdade

Grândola, vila morena / Terra da fraternidade/ O povo é quem mais ordena / Dentro de ti, ó cidade...


Quando a música, proibida pelo regime salazarista, Grandola - Herdade Torre Bela, cantada por Zeca Afonso, tocou numa rádio católica lisboeta logo após a meia noite de 25 de abril de 1974, estava dada a senha para o início da Revolta dos Capitães, primeiro movimento e designação de um processo social e político de sublevação e reforma posteriormente chamado de Revolução dos Cravos.

Há 25 anos, uma das mais libertárias revoluções do século XX punha abaixo uma ditadura personalista há mais de 5 décadas no poder.

Hoje, com os portugueses atolados sob a bola globalizante tardocapitalista da vez, e com um autonomeado socialismo tão adaptado a mitossofismas neoliberalizantes a la tucanalha brasileira, não
há muito o que comemorar por lá.

Sua polícia hoje espanca manifestantes anarquistas, mas faz vista grossas a ataques xenófobos contra imigrantes.

A compressão da massa salarial é vendida pela esquerda no poder como saída à crise do capitalismo.

Não são investigadas as responsabilidades pela autorização do uso do espaço aéreo e seus aereoportos pelas agências de informação dos EUA durante o governo Bush para transporte clandestino de prisioneiros para centros de tortura.

A censura, a repressão, a tortura ou a vista grossa à corrupção como decisões administrativas transcorrem sem grandes resistências.

Tudo somado, é curto a intervalo entre a era da Liberdade para Escolher um Outro Futuro e a constatação mais adequada à Era da Mercadoria: não te enganes! não és livre!

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