Umbigo da Política

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Seu tempero nessa longa negra noite acabou sem uma palavra, uma que fosse.
E no meio longe, voz fatal clarim no escuro em conta-gotas:
lá fui eu, outra vez, como num refrão, abrir o caminho a tomar.

Memórias secas galopam no vento pedras mortas que catedram o coração.
Sentimento de fim de festa, chamas de trevas sem fim de anos atrás,
grito preso na garganta como não houvesse solidão, navalha cínica.

Pouco importa se há sombras no jardim ou uma lua provisória presa na cintura.
Ou se esgotos queimam mistérios no escuro. O resto
eu guardo sem poréns,
ainda é cedo e praia não há mais.

Súbito, ao mar, ao crime, ao lixo, à crua desgraça nua n'água, ao mal,
à fome, Obama, Terceiro Mundo, giro, circo, pau, pedra, ao fim do caminho,
na cara dura, nas barbas da revolta, o troco, a fogueira vai queimar,

a política sumir como fosse um cemitério de promessas?
e passa a hora de arriscar, não há reza, sono, sonhos:
outra vez e devora,
corro o risco.

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