A crise que leva do nada ao além-da-Mercadoria


A crise é o lugar do sujeito “que não é nada” na era do vazio como exceção ocultada pelo Reino do Deus Mercadoria e seus servos espalhados pelos monitores, púlpitos, cátedras, tribunas, arenas e, last but not least, editorias



RT @joaquim_toledo quando chega a idade em que deixamos de ser alguém que será alguma coisa e passamos a ser alguém que não é nada?

Na crise.

Pois nada se é.

Disso só tomamos conta por inteiro, não mediante leituras.

Nem é bem ‘resposta’ o que construímos.

Sabe-se lá o porquê, de repente, o tranquilamente cravado lá nas entranhas sai arrombando as tantas certezas depuradas em pedestais vários ao longo da vida.

A crise é esse nada geralmente instaurado em fissuras que surgem nas belas coisas, e nas não tão belas também!

Seja no aspecto pessoal, seja no das gentes, não é desprezível o impacto generalizado por ignorarmos as tantas arestas sociais silenciadas a tacape.

Passemos logo ao que interessa, já que o assunto é crise.

Por exemplo, a compreensão e passagem da subjetividade da Era do Espetáculo à Era da Emancipação Generalizada, Igualitária e Socialista.

Que dizer dos impactos derivados de séculos de escravidão da Humanidade?

E se tal escravidão for tocada por um único senhor, mais e mais Senhor do Universo desde que, a ferro e fogo, graças à Lei de Terras inglesa, expulsou todos os não-proprietários dos campos, campos que antes e desde sempre eram propriedades comunais sob a proteção de nobres, e neles todos viviam, itinerantes ou não?

Interessante as origens das nobrezas por cima da carne seca nessa história toda.

Não precisamos ir tão longe. Ainda resta algo dessas formas pré-capitalistas de propriedade entre ribeirinhos atropelados pelos PAC’s na Amazônia Legal.

Esse senhor... Chamemo-lo capital, mercadoria, alienação, mais-valia.

Ele venceu todos os moradores, riquezas e futuros das Américas, Áfricas, Ásias [com o degelo, também capturaram os Pólos].

O pé-de-ouro venceu o Renascimento italiano, os iluministas, os revolucionários franceses, alemães e os tantos outros dos sertões mundo afora.

O sem-sangue saqueou ocas e comunas, Índias e mocambos, vilas, cemitérios e tudo o que rolasse pela frente.

Volta a pergunta: que se passa conosco, os submetidos à vampirização, nesta dança macabra a subvivermos nossos não-futuros nunca presentes apenas porque duas mil e quatrocentas gangs resolveram queimar o que ameace a sobrevida desse eterno presente que se recusa a ser passado?

Vamos abrir mão de visarmos alternativas, assim na boa, sem luta?

Eis um primeiro passo após assumirmos que “não somos nada”.

Distinguir quem nos trata como inimigo já é um bom começo.

Ante a clareza de sabermos quem é nosso inimigo, descobrimos entre eles muitos que sempre se terão na conta de serem algo porque, apenas e tão somente, assim o esperam para data não-prevista.

Quem sabe um dia chegue em que “deixamos de ser alguém que será alguma coisa e passamos a ser alguém que não é nada”.

Chegado esse dia... se o bicho pegar, melhor.

E sobrevém a crise.

Por ora, alguns dos neurotransmissores de 70% das vítimas do esbulho são desconectados via medicalização e drogadições diversas. Muito da massa restante se desconecta de outros modos; alguém falou em vida eterna, House M.D., Verdão?

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Comentários

Léo disse…
A julgar pela reação subjetiva à crise mundial, tá todo mundo louco para ser alguma coisa, apesar do ser de nossa época ser pura irrequieta mudança. Um tanto das gentes- suspeito que a maioria - anda desconectada de qualquer realidade que não seja simulacro de simulacro. Uma parte - que entende malemá o está acontecendo - está morrendo de MEDO de ter o eterno presente que imaginam conservar no futuro destruído e destroçado pela crise final do capital (ou do planeta, o que vier primeiro) que todos intuem ser nosso provável futuro verdadeiro.
Os ricos e poderosos dentre estes últimos direcionaram zilhões de horas de trabalho mundial futuro para impedir que o reino do fetiche se autodestruísse; a massa dos primeiros reza todo dia na prática para que o fetiche continue a existir. Questão: continuado este mundo em que ninguém tem coragem de ser o nada que é - um mundo sem política - o que nos reserva a pura revolução incremental do progresso das forças produtivas? Puro Hamletmaschine, ou haveria alguma inaudita dimensão emancipatória imanente à atual revolução industrial, tal como houve na segunda? E se descobrirmos o que se passa conosco antes de nos transformarmos em outra espécie, como utilizar racionalmente tudo o que temos?