a pólvora que explode em manifestações populares sob a apatia generalizada ante o massacre do povo pobre e negro no Brasil


PM massacra e mata negros e pobres no BR, liberou geral, e faz décadas isso já.

Qual a reação EM GRANDE ESCALA dos diretamente atingidos? NENHUMA.

Os negros no Brasil sequer, SEQUER, partem para as rebeliões de rua como os das quebradas dos EUA ou europeias.

Então, seis conclusões podem ser extraídas desses dois minutos com o historiador Perry Anderson  falando sobre a faísca do sentimento de injustiça que inflama e se torna o inconformismo que explode em manifestações populares:

(1) que os massacres sistemáticos de que são vítimas os negros e pobres não os incomodam, nem os vêem como injustiça...

(2) que a Casa Grande brazuca comete o que se pode chamar de crime perfeito, ao tornar invisíveis e esterilizar as explosões  que existem sim, e são muitas, de algum modo esvaziando seu potencial mobilizador e a carga de afetos nelas envolvidos.

(3) que a máscara de bronze que se apresenta como "O espírito pacífico brasileiro" é uma mordaça que cala os não consentem e um ventrículo que faz falar os que apenas se calarão.

(4) que ainda não conseguimos falar à imaginação desse contingente de muitas dezenas de milhões de vítimas em potencial,

(5) as quais, ao invés de ao menos sonharem acordadas com algo diferente do que essa ameaça cotidiana, preferem fantasiar, num procedimento que lembra o da família de Anne Frank, que esse é um pesadelo do qual jamais despertarão mas que jamais as atingirão, e que um dia tudo se ajeitará e a vida voltará ao normal,

(6) o problema é que esse "normal" fantasiado é exatamente esse para o qual se fecham os olhos e bocas.

Como ficamos? Pista: ação política, em mais esses minutinhos do mesmo autor.



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