casamento gay nos EUA à maré de avatares iguaizinhos no facebook


Hoje a Suprema Corte dos EUA reconheceu que casamento não é exclusividade de pares heterossexuais. Massa, valeu, segue a luta mundo afora.

Entretanto, um curioso fenômeno abateu-se no facebook, devidamente estimulado por um app desenvolvido pela própria empresa: o efeito arco-íris nos avatares. 


Não basta dizer que cansa a vista o mesmo efeito em avatares os mais diversos... 

Não basta mandar pastar na soda tamanha defesa monotônica da pluriversidade sobre a pauta que for...

O curioso é uma caralhada de gente que nunca postou porra nenhuma sobre transfobia ou assassinatos de gays, pretos, ou as dogmáticas pautas impostas por fundamentalismos religiosos ou de mercado vários ou chacinas por PMs, ou a criminalização e massacre de quem quer que ouse questionar a lógica sistêmica do andar da carruagem, e, malgrado tantas ocorrências diárias sobre as quais não soltaram um único pio, e de repente, me aparecem hoje com a foto miguxa...

Que os nexos entre o particular e o universal estejam mediados por onanismos coletivos e solipsistas eu já ouvira falar.

Hoje tive a graça de presenciar uma de suas manifestações, como sempre, pautada por uma empresa, aquela máquina de espionagem a mais usada por toda a gente para informar a NSA do que estejam a pensar/fazer/sonhar, eu inclusive, é bom destacar.

Mas vamos brincar um pouco com a fantasia. 

Tamanha festa em torno de uma decisão norte-americana lamentaria exatamente o quê? 

Ao decidirem algo que se tornou consenso militante mundial [noves fora as centenas de arbitrariedades na relação dos EUA com demais Estados-nação], há um recado subliminar subscrito pelo planeta: queremos vossa proteção, oh ONU real dos nossos tempos unipolares, na defesa dos direitos dos gays.

Sabemos haver diversos países do planeta que criminalizam qualquer defesa aberta dos direitos dos homossexuais e difunde o interdito a misturá-lo como pedofilia e corrosão da família tradicional.

E que em um deles, na sua capital tem um juiz que negou autorização para uma Passeata Gay naquele ano. Um grupo de militantes pediu autorização para o ano seguinte, negada. Para o outro, negada, Para o outro ainda, negada. E assim foi, ano a ano, até 2112.

Pois bem: essa capital é Moscou, e esse país persegue e encarcera de modo implacável os ativistas.

Já que ambos, o liberticida e o libertador do armário gay, em tudo o mais são análogos em suas práticas, seria kafkiano, mas possível sim, a pauta gay entrar como direito humano sendo violado para... justificar nova intervenção militar e nova escalada de agressões à Rússia, dessa vez em defesa da causa miguxa... por que não?

Pouco importam as nossas maravilhosas intenções no apoio a uma causa. O que importa é saber a que aproveita o apoio simbólico global a essa decisão judicial dos EUA, e contra quem se coloca a defesa dessa pauta quando seu defensor tem usado dos mais diversos pretextos para impor o interesse de suas empresas nos espaços econômicos ao planeta.

As empresas, essas, entenderam rapidamente o piscar de olho dado pelo Comandante-em-Chefe da USArmy e, lado a lado com a provável vencedora das próximas eleições na Casa Grande, somam-se felizes à causa!




Por aqui na Botocúndia, os políticos PSDBistas todos, ao não embarcarem no arco-irização de seus avatares, mais uma vez, mostraram não fazer ideia do que se transformou o capitalismo hoje, mas isso não faz mal: operar a la antiqua entregando o petróleo às empresas norte-americanas sempre funcionou, a Casa Real Saudita que o diga. 


Que venha Napoleão com seu cavalo branco libertar os russos da opressão; eles já viram esse filme antes. 

Somos todos russos.



[Pós-escrito: e me veio analfabeto funcional me criticar por então estar a apoiar Putin... É, a situação está realmente russa e, de fato, tem gente a delirar com uma vocação libertadora da águia americana]

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