somos lindos selfies de todos os fluxos sob botas e bostas, e tudo bem?




dúvida do dia: selfies de todos os fluxos sob botas, importa apenas parcelar no cartão e preservar algum o ar nesse inferno?

fomos todos sequestrados por certa dinâmica privatizante, homofóbica, misógina, classista, racista, voluntarista, obscurantista, unidimensional e golpista na política, economia, cultura, saberes, para onde quer que voltemos o olhar.

as articulações, reações e mobilizações ostensivamente contrastantes, como se sabe, vão bem, obrigado.

o enterro passa e todos baixamos respeitosamente o olhar por instantes, depois nos voltamos às coisas e seu curso normal.

e quanto à cegueira e à impotência coletivas, de massas, os plurais, o comum ou o que seja, ante o congelamento da história e a anulação de horizontes alternativos de práticas e invenções que mobilizem imaginações e pautas?

curso que é o dos espasmos localizados, resistências massacradas ou silenciadas e, sobretudo, mistificações e autoenganos travestidos de vida alternativa pós-política e modinhas conceituais as mais diversas, sempre com muita diversidade e oportunidades para todos.

vamos todos louvar, em cacofonia de Améns, diretrizes e exigências a atualizarem interesses e demandas postas por Washington-BCE-Moscou-Pequim mais umas 150 empresas, 30 bancos e alguma bíblia, invisíveis de tão inevitáveis, como um fato da natureza, essa também tampouco muito boa das pernas não.

a anulação e rebaixamento generalizado do porvir restrito à confirmação de pautas impostas pelo passado que se recusa a deixar de ser presente, tal como um elefante escondido sob o tapete da sala, a gente faz de conta que não é com a gente não.

tocamos o barco de nossas vidinhas inócuas aceitando o andar da carruagem posto em marcha pelas instituições e cunhas a serviço do "status quo".

os dissidentes nos damos por satisfeitos por termos emitido sinais de alerta movidos pela nossa sábia resignação cotidiana ou pretensa escrita denuncista e práticas alternativas dispersas em coletivos, cidades, e postagens registram e autenticam nossas pluriversidades fofas que somos uns aos outros iguais a nós e dane-se o resto.




todos somos lindos selfies de todos os fluxos de mimimi criador, transgressivo, alternativo, pós-tudo, rizomas satisfeitos com os próprios umbigos descentrados em rede, dessubjetivados a flanar esquizóides em planilhas, índices e gadgets e existências parceladas no cartão.

somos tão fofos e então sorrimos uma boca cheia de dentes aos que já pisam em nossos jardins, agradecidos que somos de tão apascentados pela ótica do plural e da tolerância cidadãs que nos permite agradecer-lhes por adubarem nossas flores e revolverem nossos territórios privados e felizes com suas bostas e botas, tudo bem que esquecemos como chutar a bola na rede e a rede da bola, o que importa é a bolsa.

lembrando que inexiste quem ouça ou se importe com nosso último suspiro e que o ar para respirar nesse inferno não durará para sempre, bom domingo e passe bem.

ah, eu ia me esquecendo: a professora Maria da Conceição Tavares foi descredenciada da pós, porque é improdutiva, tá? 





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