necrológio de um sistema que se reproduz muito bem, obrigado!


visando o lucro e a defesa da propriedade privada, 
1% toca o terror em cima dos 99% da humanidade, 
dentre os quais vicejam vermes psicopatas que ainda defendem 
o direito de serem esfolados, vermes movidos pela abstração real 
de serem sócios do mata-esfola, embora às vezes 
fiquem chocados com o que eles mesmos aprontam 
por aí em nome desses 1%, mas não dura muito o discômodo, 
e no dia seguinte aplaudem nova chacina pela PM e saem por aí 
com suas bocas cheias de merda e dentes em selfies com ratos fardados, 
e saem por aí disputando editais para novos estudos muito sábios 
a atestarem a validade d'alguma peça dessa engrenagem maluca 
movida a sangue, suor e lágrimas, e saem por aí latindo
inexistirem alternativas à exploração do homem pelo homem,
e saem por aí rosnando não haver esse negócio de luta de classes,
enquanto reclamam da pilha de cadáveres que lhes atravanca o caminho
ao shopping dos novos celulares feitos em regime de escravidão
a serem pagos no cartão, felizes todos com a maior definição
das novas selfies de suas bocas cheias de dentes, merda, frases feitas
encharcadas daquela autenticidade verdadeira de seu interior mais íntimo,
muito cinismo, indiferença e um grande fodam-se todos em novas selfies,
e outras e outras e outras e mais outras ainda,
a fugirem daquela selfie que lhes chegará mais cedo ou mais tarde,

e todos eles sabem muito bem disso e fingem não saber enquanto soltam a franga, supondo-se incólumes a tudo isso, e saem todos felizes a caçarem a próxima balada, regada a massacres cotidianos dos deserdados da terra. Até quando andaremos em círculos? O que fazer que não seja mais do mesmo?
E os dispositivos de segurança seguem impávidos
a meta de duplicarem esforços, recursos e técnicas que mantenham a paz dos cemitérios nessa guerra civil que segue a mil por hora e fazemos de conta que não vemos. 
Hungria acaba de aprovar encarceramento em massa por três anos dos imigrantes ilegais, noticiado como "pena de prisão".
Que o senhor vai querer? Vamos às compras?

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