Paris, 13.11, outro dia de uma loooonga guerra


Aquilo lá na França ontem à noite é parte de movimento de mata-esfola que já dura um rol de décadas consecutivas.

Seu início pode ser a invasão das Colinas de Golã por Israel nos anos 60? Ou o que fez o Estado francês na Guerra da Argélia? Ou a geopolítica norte-americana, em sua pragmática busca de bons resultados imediatos para o grande capital, azeitar ditaduras fundamentalistas com petrodólares e fazer vistas grossas aos corvos que isso gera? Uma coisa é certa: é parte de um ciclo de longa duração que faz a Guerra dos Cem anos parecer festinha de igreja.

A piorar as cosas, sabemos que outrora a solução foi a criação do Leviatã e a defesa do monopólio da violência pelo Estado.

Uma solução que hoje, somando-se às novas tecnologias, ruma ao Estado de Vigilância Total.

Como sempre, seja contra os Diggers e Levers lááááá longe, antes da Revolução Gloriosa, seja contra lutadores sociais anti-sistêmicos e socialistas desde 1848, seja contra os novos movimentos e identidades tecidas nas lutas travadas nas décadas recentes, tudo se arma apenas visando a reprodução do status quo.

E sabe o que é pior? 

Estarmos limitados ou a mimimi de governistas radicais (sic) acusando as lutas à esquerda hoje como piração esquerdóide de uma elite mimada ou aos uivos de lobos em pele de carneiros liberais sentados sobre pilhas de cadáveres pranteando a violência e a corrupção apenas à espera de capturarem o Leviatã andróide e marombado e seguirem em busca de seus bons negócios entre amigos com juros subsidiados por todos nós.

O problema é sim político.

Faz parte dele a carapaça que os interesses econômicos adquiriram para deitar e rolar sobre a vontade e luta política democrática, socialista e popular. 

A gente pode fazer de conta que está tudo bem, e sofismar sobre a construção da intersubjetividade emancipada em lutas pela satisfação de um patamar mínimo de necessidades sociais como um direito, a tecer loas ao Estado de Direito e assim dormiremos todos com a consciência tranquila pelo dever cumprido.

Até o dia em que a lama de um fundamentalista religioso ou de mercado bater à porta.

Não tem problema: quando só restar chorar sobre o leite derramado, haverá uma empresa lucrando na reposição do estoque de leite da mamadeira dos infantilizados urbanóides que tiverem saldo azul no cartão.

Aos demais, l'enfer, afinal, l'enfer, c'est les autres #sqn.

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