dualismos 001: a era do "ou você se restringe às minhas derrotas ou você é coxinha"


Com o MPL voltando às ruas de todo o país, voltamos àquela quadra histórica que separa homens que fazem política de meninos governistas com pulmão cheios do fungo Governabilidadis Pro Mercadus et Fundamentalistis. Uma vez contaminados, o dano é irreversível. A confirmar o diagnóstico de que o governismo é a doença infantil do esquerdismo, passam a atacar todo dissenso como a serviço de coxinhas, globo, tucanos... O que os leva a projetarem suas derrotas sobre a pauta do MPL? O fato de ignorarem, faz tempo já, o que seja trabalho de base.
Por isso exigem, do nada, que outros assumam como suas as pautas que eles e seus tutores refastelados no poder desde 2002 abandonaram.


Por isso acusam de inconsequente a luta por passe livre, por evitar se acomodar aos impasses gerados pela postura conciliatória governista.

Acusam o MPL de ignorar a mais estrondosa revanche fascista a unir máquinas do MPF, STF, PF, RGT, FSP, IURD, FIESP et alli...
E cobram do MPL que deixe de lutar pelo que o move, o Passe Livre, o transporte público como direito e não uma mercadoria.

O que devemos fazer segundo o governismo? 

Lembrar que Fernando, O Belo, é o prefeito de SP e por isso devemos aceitar suas políticas públicas antipopulares e fim? 

Inferir que, com o Matarazzo ganhando as eleições de outubro para Prefeitura paulistana, o ano que vem será pior e então devemos fazer vistas grossas hoje e pronto? Sinto muito, mano: os governistas perderam de vez o trem da história.

O máximo que poderíamos esperar seria que, ao menos na hora da repressão, eles se somassem aos que hoje estão nas ruas face to face com a barbárie policial que o mesmo governismo tornou pensável, possível e trivial quando impôs a ferro e fogo os massacres dos tempos do "não vai ter Copa"... 


Sabe o que é pior? Sabe aquela jabuti colocada por Lula na árvore lá da Esplanada dos Ministérios que atende pelo nome de Gabinete Presidencial? 

Então, os golpistas estão balançando a árvore para derrubá-la de lá, né? Aí os governistas (1) hoje atacam a pauta do MPL, hoje nas ruas apanhando sozinho, e (2) aos massacrados de hoje amanhã apelarão em nome da unidade com uma ex-esquerda que se imagina na condução do trem da história, para que (3) enfrentemos a repressão banalizada pelos próprios governistas e com viés de piora graças à Lei Antiterrorista aprovada por eles mesmos.

Somar forças? OK, quem seria contrário?
Hoje, na hora das lutas de rua, com a clareza de não se perder nos labirintos de uma "real politik", é hora de separar os homens que fazem política dos meninos atolados na despolitização governista destas mesmas lutas. 

E não sei não, o Harvey, falando nisso, pelo último parágrafo dessa entrevista, parece que tá sendo atraído pelo canto da seria do vamos ver o que dá pra fazer, galera, sem radicalismos, vamos disputar o Estado!

Mas é cada uma, viu?, que se você inventasse, diriam ser péssima ficção, rasa e vulgar, mas que se passa por articulada análise de conjuntura em busca de uma imaginária correlação de forças, equívoco travestido de expertise política que, diga-se de passagem, está a arrastar também o MST para a mesma areia movediça dos governistas...

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