intermezzo



"Série de ataques a mulheres no réveillon choca a Alemanha" - no caso, espanta como se forma uma indignação nacional quando o agressor é o "outro", como se inexistissem tanto suspeitos quanto problemas "domésticos" pelos quais se indignar!
nossos tempos estão mais, mas MUIIIIIITO MAIS sem chão, do que qualquer período do séc. XX... 
tempos insustentáveis por tanto conformismo, adesismo, vontade de dizer sim ao status quo e fim.
sem saída sequer no plano do imaginário.
nem mesmo no auge de crise dos mísseis ou dos tantos massacres vários que no séc.XX tiveram lugar [pois eles apenas pioraram nesse século] a certeza de falência da política, afetos, cultura, cotidiano, tudo, foi tão evidente, sólida, irrefutável e irreversível...
que as novas gerações escapem da letargia inscrita na testa de todo mundo entre 17 anos e 70 anos é a última carta na manga do anão da história nesse jogo de poker de cartas marcadas em que o viver se converteu após o colapso da modernização...
sabe o mais incrível? as pessoas nunca estiveram tão focadas em seus projetos e lutas do ponto de vista profissional, pessoal, individual, escolar, acadêmico, empresarial e no entanto... 
...nunca os frutos de tantos esforços foram tão pífios, nulos, pasteurizados e embalados a vácuo, cheirosinhos e previsíveis!
aí você olha pro lado à procura de projetos ou lutas coletivas, e o máximo que encontrará desse âmbito com alguma envergadura no tabuleiro são... os fundamentalistas evangélicos, deleuzianos, islâmicos, liberais, de mercado e afins, noves fora a turminha da balada uhuuu...
e seguimos a dormir com tanta monstruosidade à solta, tentando ao menos não perder os dedos, já que os anéis já se foram há muito tempo...
mas é claro que isso é só uma impressão de alguém exilado entre o nada e o lugar algum, e o mais provável é eu estar totalmente equivocado!
um bom 2016, cheio de paz e fortuna aos nossos lutadores e lutadoras das escolas públicas ocupadas em SP e Goiás, aos que sairão às ruas amanhã em defesa do Passe Livre e afins. 
vida loca, vida que segue.


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