contra o presente eterno, que fazer?

Em qualquer nação democrática, louvar um torturador na tribuna do parlamento como o fez aquele senhor ontem seria razão o bastante para ser julgado por quebra de decoro. 

Mas aqui direita impõe à política aos ponteiros da história um sentido invertido, a contramão em que o passado é sempre presente, e isso já faz é muito tempo.

Enquanto isso, a plebe acha que Moro, voando em seu tucano alado, virá prender os trezentos picaretas de folha corrida que estão golpeando de morte o pouco que se construiu nessas três décadas

O que só prova o tamanho da pedra de gelo que teremos de enfrentar para atravessar o bloqueio da política que está posto como questão de fato e de direito.

Ao vazio de nossas derrotas, se seguirão novas gerações que, mais cedo ou mais tarde, avançarão contra os bolsanaros e malafaias hoje a cagar pela boca sob aplauso bovino das maiorias ensandecidas pela demanda de consumo reprimido e algum "som uhu-huuuu" no último volume a silenciar o nada que são, foram e serão enquanto nossas muitas derrotas não forem vingadas.

A força dos laços pessoais, por ora, é o que nos segura. Cairemos, mas só for de cabeça erguida.

É isso, ou o cinismo conformista da adesão ao status quo disfarçada de indiferença ou desinformação.

Ser pautado pela mídia já não é mais desculpa aos que seguem em estado de minoridade, são sim todos responsáveis pelo estado bovino em que refastelam seus corpos dóceis.

Com a atual derrota, sai de cena a geração forjada nas lutas anteriores, que está aí no embate desde os anos 60, que abriu um ciclo de lutas cujo apogeu foi 1988, ciclo político que vem agonizando desde os anos 80 sob o mantra da "governabilidade".

Sai de cena essa geração, e deixa o imenso vazio de bolsanaros e malafaias a pautar as novas gerações ["nossos inimigos ganharam" é o gosto desse day after que fica na boca].

Bem, volta a velha questão, "que fazer?"

Aos que não forem se fechar na biblioteca para estudar a Lógica, de Hegel [mesmo porque a chance de entender algo se não ler no idioma original será nenhuma, e no original, pífia], "bora ocupar as ruas"...

E o pior, a penetração de sensibilidade anticapitalista, socialista e libertária no solo social se dá de modo modo pontual e tornado invisível pela dinâmica das coisas.

Para além desses, onde é que fecundam as mudanças emancipatórias e antissistêmicas que não seja o mimimi de grupelhos relativistas em geral, o esquerdóide que se limita a afirmar identidades para reforçar diferenças e se satisfaz com esse joguinho blasée?

Os último guetos da sensibilidade de lutas coletivas estão caindo. 

O campo, com a maquinização da produção e o fim da economia de subsistência, foi capturado pela lógica da economia e espaço urbanos e fim.

Nas ocupações rurais e urbanas, após a vitória, sob a lógica da imissão na posse, os lutadores se atomizam como "proprietários" e lá se vão pro brejo as condições de possibilidade da experiência de coletivização do ser social cotidiano.

Resta a universidade e pessoas envolvidas com educação em geral.

Que o digam os adolescentes a ocupar escolas BR afora contra o rolo compressor privatista que assola ensinos básico e médio.

Privatizar a educação será o próximo e fácil alvo da Família Adams que lidera o golpe.

Quanto à universidade, no geral já está devidamente cooptada [e nem me refiro ao fato de apenas uma minoria de seus professores, p.ex., para ficar no meu cercadinho, se posicionarem contra].

A primeira pá de cal desse desmanche veio com  o Homo Lattes, a macdonaldizar sua carteira de negócios no fundo do poço de parcerias, patentes e publicações irrelevantes e docilmente cooptadas pelo mercado.

A privatização da educação é a caçapa da vez, após a doação já em andamento do que resta de recursos naturais pelos entreguistas de sempre liderados por morcegos-vampiros bicudos de "bela plumagem e carne ruim".

Mas, vamos lá, "ocupar as ruas", o que quer que isso signifique e pouco importa a repressão que se abata após o golpe...

Boa semana! Sempre tem alguma coisa boa pela frente, quando mais não o seja, por discernir com clareza contra quem a gente se posiciona nessas horas.

Para além de princípios abstratos desses aos montes em certa "esquerda" a pisar em nuvem flatulenta de diagnósticos que se limitam a dizer que é tudo igual.

Une heure avec les « hologrammes », de HoloLens

À luta!

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