o rolo compressor da pacificação pós-política


Algo me diz que o "substrato" da política, que é aquele movimento que parte dos diretamente envolvidos, é isso que sumiu

Sem isso, o que fazemos não passa de metafísica hipster pacificada sob a forma de posts e conversas de boteco.

O modo de fazer política nos bastidores em busca da "governabilidade", por um lado, e, por outro, o imaginário pós-político tingido de maio-68 [e toda a canga metafísica de abstrações políticas que dele se segue, da "lógica do comum" ao "xamã inteiramente outro" ou o "que se vayan todos"], ambos se esgotaram.

Insistir na sua defesa acusando imperfeições na sua realização é repetir a balela habermasiana da defesa da Modernidade como discurso inacabado ou, para ficar no debate local, do Rouanet quando repete esse mantra balofo na defesa do Iluminismo histórico.

De concreto, o que temos é: se Cunha quiser, convoca Constituinte com esse Parlamento que está aí e fazem eles, esse agregado de aberrações que vimos ontem, a tão desejada "reforma política" rumo às eleições gerais que antilulistas de esquerda como o Safatle ou a Genro deliram ser viável nas atuais circunstâncias.

A "pacificação" que se seguirá a tais passos, sob hegemonia dos fundamentalistas cristão e de mercado, fará inveja ao principado medieval que é o feudo da Casa dos Saud [ou vocês acham que se chama "Arábia Saudita" porquê?], que aliás também são gente de bem [uns dois mil príncipes, colegiado muito maior que o daqui a dividir o botim da riqueza de lá], gente muito temerosa a dels [um outro, mas tantúfas] e amante das netinhas e de tradições várias.

Para piorar tudo de vez: ficar nessas de "se ficar o bicho pega, se correr o bicho come" é apenas fugir do problema com o cinismo dos contentes.

Invocar a expressão "mato sem cachorro" mais uma vez se mostrou bastante adequado. 

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