os movimentos estruturais do desmanche brasileiro em curso




Esse cartum pode ser um desabafo mas não explica a causa de nada.

Para tanto, é necessário uma leitura que trate dos movimentos do grande capital que levam à captura das peças do falecido Estado de Direito e à cama de gato servida sob a cortina de fumaça da lavagem cerebral midiotizante em curso.


A meta é um entendimento que seja crítico e dialético e que dê conta do porquê que o modelo de gestão consensual das contradições sociais sob a hegemonia petista é tão ostensivamente rifado por outro em que o pau no lombo das conquistas das últimas oito décadas passa a ser imposto com mão de gato enquanto perdemos tempo com a espuma espetacularizante de um golpe de estado judicializado.


Eis que me cai às mãos esse
loooongo texto do Perry Anderson, escrito há algumas semanas, cujo miolo divide-se em duas partes bem nitidamente, e dá conta de dois movimentos, os de curta e os de longa duração.

A primeira trata dos fundamentos econômicos do modelo da governabilidade cardosista, lulista e dilmista. A segunda sintetiza a ópera-bufa encenada por um legislativo e judiciário que nos reduzem à dimensão de republiqueta de golpistas para derrubar o PT, valendo-se do ardil de uma Operação Lava-Jato, adequação bananeira da italiana Mãos Limpas [também ela conspurcada lá no molho servido aos italianos e da qual emergiu o furacão Berlusconi, após o qual quem está com todo o vapor ao colapso é o próprio Estado italiano].


O artigo tem ainda uma introdução a situar o colapso dos BRICs e um fechamento fazendo as exéquias da exceção latino-americana ao colapso global, da qual cito seu último parágrafo:

Na América do Sul, um ciclo está chegando ao fim. Por uma década e meia, sem a pressão direta dos Estados Unidos, fortalecidos pelo boom das commodities, e amparando-se em grandes reservas de tradição popular, o continente foi a única parte do mundo em que movimentos sociais rebeldes coexistiram com governos heterodoxos. No despertar de 2008, há agora cada vez mais desses movimentos. Mas não há mais nenhum desses governos. Uma exceção global está chegando ao seu fim e sem nenhum sinal de mudança positiva no horizonte.

Ao invés de tu perder tempo com o farfalhar da lavagem cerebral midiotizante em curso, gaste-o aqui com o citado texto [
link], e será muito bem gasto teu tempo!

Tudo somado, minha mensagem pessimista de hoje é: que nossa morte seja rápida, porque dolorosa ela será. 


E a otimista é: lutemos nas ruas para barrar o golpe e possamos seguir a enfrentar o abacaxi do capeta que é a pauta política que nos empurra goela abaixo um quase-Estado em rota de dissolução rumo à sua africanização ou mexicanização 
com status de campo de concentração fundamentalista high-tech.
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