PMDB: do botim organizado do baixo escalão à pergunta sem resposta


O texto do Marcos Nobre de ontem, "O PMDB, sempre o PMDB" [link aqui], escancara algo que falta ser explicitado: desde que surgiu, a Nova República é um arranjo de compadres de baixo escalão [nunca a palavra "baixo" teve seus diversos sentidos tão simultaneamente contemplados] na divisão do botim dos fundos públicos... 

Se assumirmos zerar o que se passa por "governbilidade" imposta por esse condomínio de fazer corar Dom Corleone e chamar a coisa pelo nome, o esbulho generalizado, a patrimonialização organizada que se traveste [à exceção de umas poucas agremiações de esquerda] como "PMDB" e quase toda a sopa de letras que lhe segue o rastro,  talvez daí desse patamar nossas mobilizações a médio prazo plantem o abalo necessário da estática posição do "tudo fica como está até 2018 para evitar o pior", que parece ser o cenário mais provável caso as ruas se tinjam de "não vai ter golpe".

Só tem um probleminha nessa minha hipótese: esse abalo "a médio prazo" foi o que nutriu o PT em seu nascedouro, ou seja, estaríamos cegamente a girar em círculos sob a ilusão de que a história pudesse se repetir, tal como o círculo menor governista sonhou que um neokeynesianismo o sustentaria no poder [neokeynesianismo, bom lembrar, de fachada, ao seguir refém do capital financeiro e sua tunga à larga dos fundos públicos, ou as grandes fortunas seguirem intactas e a conta da bancarrota ser passada ao andar de baixo, como o reza qualquer ortodoxia barata de manual escolar, com os conhecidos custos políticos fascistóides dos quais estamos mais uma vez encharcados].

O que isso significa? 

Que, incluídas as vociferações moralizantes de praxe e todas elas já de direita [lamento informar: e é também de direita quem nega existir esse recorte], todas elas já de direita ainda no útero "a la Tea Party" em que estão aninhadas hoje,  estamos realmente perdidos num mato sem cachorro na quadra histórica que atravessamos e não é de hoje.

Ao fundo, em moto perpetuo, a trilha: "Pergunta sem resposta", de Charles Ives.

Dado esse texto do Marcos Nobre de ontem, que distopias temer, ou nem isso nos será dado?




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