Seria o saco de maldades dessa investida golpista um esquema que se encaixa na "Doutrina do Choque", da Klein?


Não parece descabida a hipótese. 

Ainda mais porque é público e notório que golpe de 2016 teve longa e elaborada assessoria made in USA, o primeiro lance público dessa investida com a nomeação aqui na Botocúndia da embaixatriz ianque lá em Asunción imediatamente despachada para cá após o golpe paraguayo que derrubou Lugo.

Mas se aceitarmos que se trata de impor pelo choque uma reversão completa das diretrizes econômicas, a impor o mais radical programa de arreganhamento neoliberal das políticas públicas, temos de verificar as três condições traçadas pela autora:

(1) o autoritarismo político mediante golpe de estado [Chile, com Pinochet],

(2) o colapso econômico [Bolívia, com Hugo Banzer], que é o que faz com que as medidas desçam goela abaixo "duela quien duela", ou, 

(3) o que talvez se aproxime do nosso caso, mudança de regime [Polônia, África do Sul].

Mas aí é que a coisa complica.

Será que a expulsão do lulismo da cena política seria algo análogo às viradas de regime com a subida do Solidarnosk ou a queda do Aparthaid?

Se a gente aceitar essa hipótese, então teremos de rever toda nossa crítica ao lulismo de resultados.

E tomá-lo com uma envergadura bem maior do que a concedida por nós à sua esquerda.

Será que, após o vôo da coruja, nós, em análise retrospectiva, daqui alguns anos, teremos mesmo de dar esse passo?

PS:

Não é possível que esteja tão podre assim o reino vermelho de nossas lutas! 


Não basta atribuir às alianças visando à governabilidade tamanho torpor generalizado...
A essa altura, não basta mais culpar o PT por todos os males, a "democracia de baixa intensidade" que as repressões aos protestos contra a copa, ou as remoções forçadas para os megaeventos ou dos amazônidas para as represas etc... não explicam o rolo compressor que adveio nem a incapacidade de uma efetiva oposição barrá-lo, tal como os bolivianos, argentinos ou venezuelanos o conseguiram quando confrontados com as investidas que os assolaram, aliás.

Mas não poderemos esperar esses anos todos: por via das dúvidas, melhor assumirmos que o torpor que se abate sobre nós se encaixa sim sob os efeitos psicológicos buscados com o Choque e Pavor, só que, ao invés de bombas como as enfiadas no traseiro iraquiano... foi um pato amarelo. 


Como pode UM PATO AMARELOOOOOOOOO quebrar desse modo a moral da nossa resistência?


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