dualismo terrorista na Era da Exceção


o importante aos Estados é o equilíbrio fiscal 
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multidões de miseráveis aderem a todas as formas de fundamentalismos

Enquanto o pensamento dominante for "mais polícia aumenta segurança", e que "é tudo uma questão de aumentar a vigilância", o colapso só agrava.

Quanto ao ataque em Nice, como convém, fiquei observando as minhas próprias reações ao assistir o vídeo postado pelo wikileaks [link]. 

São cenas fortes que vemos após passagem do caminhão. [aqui, o video dele passando].

Primeira impressão é lembrar que são daquelas cenas comuns a lugares bombardeados, com civis estraçalhados pelo chão por dezenas de metros a fio, que é uma cena cotidiana a palestinos ou sírios ou líbios ou sudaneses ou ucranianos...

Que esse tipo de cena agora também é parte do cotidiano de franceses ou ingleses.

E que, tal como o ataque às Torres Gêmeas, temos ali algo da ordem do cinematográfico, que fala muito à imaginação urbanóide, bastante explorada naquele primeiro filme do Spielberg, O Acossado.

É o tipo de cena que faz a pessoa pensar que (1) podia ser ela ali e (2) caminhões são mesmo muito perigosos, como a gente não pensou nisso antes?

Eis que, se após as Torres Gêmeas não podemos mais nem embarcar com um mísero cortador de unha, não tardará a surgirem novas e absurdas proibições agora envolvendo veículos de grande magnitude.

Agora, acabar com o padrão de acumulação de riqueza e poder em vigor há seissentos anos, nada, né?

Denunciar a última volta no torniquete com a qual o capitalismo nos asfixia de vez em sua escalada irracional após ascensão de Tatcher e Reagan ao poder desde os anos 80 ninguém quer, né?

Mexer com o grande elefante bêbado que é a financeirização da riqueza, que é a precarização dos direitos sociais, que é a mão invisível do Reino da Mercadoria que está na sala de nossas casas, vidas e traseiros, por gerações a fio zoando nóis tudo, isso ninguém fala, né? 

Quantos milhares terão de morrer até as pessoas se derem ao trabalho de assumir o custo político que é abandonar o modelo de sociabilidade imposta pelo deus do Livre Mercado, e seus quatro Cavaleiros do Apocalipse, os tão adorados São Propriedade Privada, São Mais-Valia, Santa Finança e São Precariato?

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