próximos passos após o tiro na nuca que todos estamos tomando


"La brutalidad e informalidad de las guerras actuales responden a un momento en el que el capitalismo pierde legitimidad y capacidad de seducción sobre el conjunto de la sociedad. La desigualdad y la exclusión empujan a nuevas formas del ejercicio del poder, que limita su oferta de persuasión a un tercio de la población mientras desarrolla mecanismos de coerción y de limitación democrática para el resto. La legitimación del poder necesitan un proyecto a largo plazo que hoy el capitalismo no tiene, que se está redefiniendo en la administración, la justicia y la educación. Por eso, hoy, el núcleo duro, compuesto por las fuerzas económicas y las fuerzas del orden necesitan dar la cara, salir a la intemperie. Solo los medios de comunicación aparecen como un baluarte efectivo en esta época convulsa. Las guerras asimétricas y las políticas de cerco son expresión de la contundencia con la que se preparan los conflictos." (Ignacio Muro Benayas. Las “guerras asimétricas” que Gramsci no conoció, aqui)

Hora de assumirmos novos recortes para lidarmos com o fim da quase-trégua aberta pela própria Ditadura Militar quando articulou o período que ora se finda, a Nova República. 

O desmanche dos direitos sociais já é fato. 

Fim da isonomia jurídica básica em qualquer democracia foi assumido de vez no modo como nada atinge os tucanos e uma mancha de batom na calça dum petista já é motivo para prisão preventiva. 

A última peça que faltava ser assumida, já é favas contadas: a cassação dos direitos políticos dos dissonantes é uma questão de tempo. 

Já estamos sob guerra civil com as chacinas aleatórias de pretos e pobres há tempos nas quebradas. 

Com a nova fase instaurada com o Golpe de Abril, um golpe civil-midiático-jurídico-policial, se fez picadinho do pacto social que ainda dava algum alento aos sobreviventes desses massacres nas quebradas.

Se faz picadinho daquilo que, a duras penas, os mantinha com a perspectiva de integração no espaço político e econômico, ainda sob o registro restrito e frágil  das políticas compensatórias e focalizadas.

Ante esse quadro, o que temos sinalizado de concreto como embate, enfrentamento e superação, precisamente? 

Basta-nos a mera fantasia de repor o status quo ante, como se o problema não fosse o fim de um ciclo histórico que o teve como último e esterilizado capítulo? 

O fim desse ciclo o encontrou de tal modo reduzido à impotência da mera governamentalidade que foi soterrado por esse bando de múmias e zumbis que vimos sair em andrajos retóricos de propostas. 

Destaque-se aqui o "Escola Sem Partido", malgrado ser apenas um dos adereços esfarrapados ostentados, pois são os que atacam a universidade mais de perto.

É sim o fim de um ciclo e sem volta: estamos sob uma guerra de massacre das nossas posições, conquistas, direitos, instituições arduamente construídos em quase um século de enfrentamentos [lembrar que a CLT é do período getulista].

Os direitos sociais estão sendo pisoteados nessa guerra civil declarada pelos Mendes, Cunhas, Editora Abril, Moros, PF, STF, Globo, Temer, Folha de S.Paulo, PSDB et alli

Estão sendo triturados com requintes de crueldade por zumbis políticos que saíram de suas tumbas e esgotos com a força dos dinossauros em fúria.

O aleatório dos massacres por milícias em chacinas sem julgamento nem culpabilidade desenhada virando técnica de gestão urbana, o modo como se coleta provas contra black blocks e as prisões arbitrárias fundadas em denúncias pela República  Moro é o tira-gosto do prato principal que tá chegando e a dilatação anal dos paneleiros já é conhecida, então pode-se fazer o que quiser que aceitarão calados. 

Já se assiste ao retorno de reações pré-políticas: começou a temporada das ações desesperadas com os robins woods os mais diversos começando a vicejar, com a volta do banditismo social... Os que roubaram caminhão-pipa para distribuir água nos municípios sob seca no interior paulista e periferias da Grande São Paulo foram apenas os primeiros dessa nova leva.

Enquanto isso, o pessoal dos guetos da "minha diferença minhas regras", claro, baterá palma, ao menos enquanto conseguirem se lembrar para que mesmo é que serve a palma da mão que não seja para tirar sebo do umbigo de suas particularidades desejantes.

E nós, a turminha do contra que insiste em tomar a contradição básica que é a sociabilidade imposta pelo capitalismo como contradição dominante que metaboliza esse conjunto aparentemente dissonante e diverso de tantas manifestações sem nexo nem correia de transmissão direta citadas aqui?

Ademais, como lidar com uma reação popular menor ainda do que o muxoxo resignado emitido pela torcida canarinha quando o juiz apitou o fim do sete a um há cerca de dois anos?



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