firulas, facas e futebol




"A cidade acabou de eleger um cara 
que não garante que não tenha escravos em suas empresas. 
Ainda bem que o pais reage contra a corrupção." (aqui)


São Paulo elegeu Dória, o lixo biônico [que diz que não é político] movido a botox e dinheiro do Alckmin [que desqualifica qualquer mobilização sob "acusação" de ser "política"], NO PRIMEIRO TURNO?

Será menos que melancólico o fim da "esquerda" tingido de realismo eleitoral e governabilidade despolitizante.

De saída, um lembrete: a palhaçada eleitoral, como casamento, só funciona se houver cumplicidade entre os dois lados.

Serve de consolo lembrar: 

"Não vamos esquecer que o Maluf era um Bolsonaro mais 'polido'. 
E ele já se elegeu para tudo em São Paulo. 
Só perdeu para presidente."?

Não, não serve.

"Progressistas terão amplo material, a partir deste domingo, para avaliar a importância da frente ampla, sem a qual fica difícil enfrentar o golpe", twitta Carta Maior instantes após o oligarca biônico do botox ser eleito prefeito do terceiro maior orçamento da República das Bananas.

"Acredito que a esquerda irá se unir", diz Chico Buarque, em outra tuitada.

Unir-se, mas pelo quê?

Pelo quê mesmo, se, enquanto esteve na liderança do processo político, teve seu golpe de misericórdia desfechado, por mero cramunhão movido a viagra, a golpear a tal ex-querda em suas róseas plácidas gordas hipsters vísceras?




Dica ao andar de baixo: evitar qualquer espécie de dívida de longo ou médio prazo.

Arrocho terá proporções apocalípticas.

A meta que se configura nas políticas de doação das riquezas nacionais como pré-sal, de extermínio dos direitos dentre outros os trabalhistas, do corte radical das verbas para educação e saúde... não deixa margem para dúvidas.

Trata-se de proletarizar e lupenzinar o que resta de "mercado consumidor", voltando a vigorar o modelo pré-30. Submissão cúmplice, humilhação, desfaçatez de classe e extermínio, não nessa ordem, como convém.

As declarações de fé na resistência política são análogas a conselhos para que não compremos objetos de plástico porque não costumam durar muito e não haverá dinheiro para reposição.

À defesa do estado de Direito e das instituições da República vale o mesmo que para os refinamentos vários do mercado consumidor: aproveite e comece a se despedir deles, banho diário e liberdades fundamentais aí incluídos.

Ah, sim, ainda haverá eleições regularmente e sinal de TV aberta para acalentar o sono da galera nos guetos e quebradas.



Aliás, é recomendável votar e depois deixar a TV ligada para abafar o gritos dos linchamentos de ateus, gayzistas, bolivarianos, petralhas, antipatriotas e qualquer preto ou pobre que apareça pela frente das milícias selenike-tramontina-cristãs em suas incursões, e não só à noite e nem só nas quebradas.

Nessa toada, a dúvida se torna: haverá "intervenção" dos marines nos trazendo "toneladas de democracia" ou sequer será preciso isso para nos tornarmos a quinquagésima sei lá qual estrela da bandeira ianque?

Ante catástrofe generalizada que se desenha como "estado de exceção desejado", pouco importa os freixos que pipoquem aqui e ali, consideremos a seguinte premissa: 

"o discurso 'paz e amor' deu é com a faca em nossas goelas anos depois".

Qual a conclusão possível?

Mais precisamente: qual deve ser a postura para que tu seja tratado como gente, um igual, ao invés de carne de segunda a ser moída e rifada a preços amigos a multinacionais e ao grande capital?



A merda está servida.

Bom apetite para nóis tudim.

Recolonização é assim, em todas as frentes.

Mas a gente vota.

Participa.

Ocupa espaços.

Parte para a correlação de forças.

A governabilidade, a chefia da repartição pública, o vereador, o sindicato...

Pelo quê?

Não vamos falar para evitar cisão, perda de apoios.

Vamos disputar espaços.

Qualquer boquinha tá valendo para...

Ops, boquinha não, foi maus aí.

Chama-se "disputar poder".

A merda está à mesa.

Ocupemos nossos lugares na disputa.

E aí, vamos falar de futebol ou de socialismo?





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