o "fim do direito" em uma frase: após todo naufrágio só haverá ilha aos que buscarem não perecer


Enquanto Temer, o Minúsculo, e sua gang assumem como projeto arremessar à toda o capitalismo no Brasil, logo, sua relação entre as classes sociais ao patamar extrativista e sem espaço para qualquer negociação entre capital e trabalho, ou seja, modelo vigente de capitalismo no século XIX e que orienta os delírios dos discípulos de von Mises, eis que Wallerstein escreve isso: 

"visualizo la situación actual del mundo como una rivalidad entre dos grupos que están combatiendo no acerca de cómo administrar el actual sistema mundial, sino más bien sobre la sociedad que debe sustituir a un sistema capitalista que ya no es viable tanto para sus super-élites, como para las clases sociales y pueblos oprimidos." (aqui, falando sobre o sentido geral da postura chinesa ante colapso do atual sistema-mundo)

Nos termos dessa leitura, não é necessário muitos neurônios para desenhar o tamanho da nossa derrota à versão bananeira de "super-elite".

Aqui, essa "super-elite" entra em cena arrombando a porta do frágil equilíbrio tecido na Nova república de 1985.

E impôs, sem firulas nem desconversa, o projeto de avassalamento de todo um povo, a extorsão de seus pobres e a doação de suas riquezas e empresas públicas a toque de caixa após o Golpe de Abril. 


Qual foi a "bala de prata" nessa guerra perdida por nós?

Despir o direito dos "ideais normativos reguladores democrático-republicanos" (que ainda assim seguirão consolidando bem-fornidos Currículos Lattes e renhidas disputas por postos na gestão da barbárie).

Despir o direito das firulas axiológicas [ou antes, assumir outras, em vassalagem aos EUA, cf. textos de Aragão ou as várias reportagens e análises publicadas na página do Nassif, entre outros] foi um processo cujo movimento que o preparou durou onze anos.

Começa com a farsa do Mensalão, passa pelo inefável Jobim, mas é com o "grampo sem áudio" denunciado por Mendes que levara à queda do Paulo Lacerda da PF que se viu cair o último obstáculo ao "vale-tudo" e portas arrombadas que depois se seguiu.

Depois disso? A coisa toda escangalhou em diversas instâncias.

Hoje, na lama chafurdam, em orgia inenarrável, polícia, perseguição política, magistratura, justiça, MP, MPF, PGR, legislativos e exceção. 

Aliás, o Alto Comando do Exército, lê-se em entrevistas, já está colocando as manguinhas de fora.

Então, tudo somado, tornou-se desnecessária a fachada ideológica que torna o direito um ideal a ser buscado.

O direito foi assumido como privilégio e instrumento de perseguição e chacina de um projeto de país, de nação e de governo.

O direito tornou-se instrumento de um projeto de poder entreguista, precarizador, genocida, racista, misantropo [não vou perder meu tempo nem resumindo nem linkando textos do Aragão e do Nassif organizando uma narrativa que dê conta disso tudo a que remeto de modo alegórico, cace-os e leia-os].

O direito, articulado à política, à economia e às corporações midiotizantes, solidifica o projeto de poder de um presente que se recusa, desde começo do XX, a ser passado.


As diversas ações levadas a cabo nos últimos meses reduzem a população desse território à condição de povo sem-história cuja única história "permitida" a ser escrita é a da desfaçatez de classe.

Estamos diante de um projeto de poder e de classe. 

Nada é sem-sentido, nem fruto de incompetência. 

O plano é esse mesmo: destruir território, canibalizar sua força de trabalho, destruir populações, nos jogar de volta à idade da pedra se for necessário. 

Não foi necessário destruir com bombas ou marines.

Pois aqui, ao contrário da Síria, Líbia ou Venezuela, felizmente o onguismo já perdeu sua aura de "vamos que dá" após o derretimento ao sol tanto do MBL quanto do MPL.

Aqui, ou a esquerda se restringe à mera governabilidade, ou a menos que isso e sequer incomoda, e prefere ou usar alargador, tingir cabelo de azul e tocar tambor para a lua, ou pior, fazer postagens que poucos lerão mas que tu lês, que só servem para aliviar aquela gastura que rói a gente por dentro, se tanto, e pelo menos seja um bom começo do fim de tudo e por cada um de nós nessa longa estrada da vida a ser escrita com sangue, e que não seja só o nosso. 

Porque a conta dos anteriores estão todas aí na fatura que só acumula, Feliz Ano Velho

Cobraremos com juros e correção essa desfaçatez toda. 

E pode colocar a dentadura e o "direito" no copo com água. 

Não servirá para nada do que temos de fazer, porque servem em demasia para o que nos acomete e destrói.



Comentários