tempos interessantes esses, hein?

[Jens Galschiot e sua escultura de uma Justiça obesa, mórbida, 
carregada por um povo notadamente miserável. 
Não te lembra o Brasil golpeado pelos entreguistas? [aqui]]


Se até o Wallerstein [aqui] joga a toalha, pede arrego e declara ser uma incógnita o que nos aguarda nesse 2017, então... voltemos os olhares aos cenários que ele mesmo nos ensinou a pensar, o sistema-mundo em ciclos de longa duração. 

Sob esse recorte, e agora é minha vez de especular. Parafraseando Clausewitz, Trump, assim como o golpe brazuca, é o acirramento do neoliberalismo por outros meios. 

Dois seriam os atores que poderiam barrar esse movimento: a força e mobilização populares, e o estado de direito. 

O segundo, morreu e seu cadáver se arrasta por aí carregado pelo sistema poder-dinheiro defecando regras como se justiça fosse. 

O primeiro, o povo, não está nem aí e tá mais interessado nos jogos da semana, na breja, no dízimo, no back, nos psicotrópicos, na sandália, na maromba, na balada, na deprê, tá tudo aí ao alcance da mão.

Enquanto se nomeia "vida" a esses farelos de povo e de justiça com que se melecam dedos, corações e mentes, tem uma galera aí nadando de braçada ao redor das certezas de seus umbigos identitários que manda lembranças, pouco se lixando pro tsunami que arrasta a todos. 

Por isso mesmo, só resta fechar o domingo citando Hobsbawm: tempos interessantes esses, hein? É de encher a boca!

Boa semana.








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