CAPES corta bolsa pós-doc ao exterior em novo capítulo de ataque à degradação e extinção do ensino público a passos largos


Eis que a Capes resolveu abrir novo capítulo em seus métodos de validação e estímulo ao ensino e pesquisa. 

Essa gente quer ensinar ao sistema de ciência e pesquisa do país como se deve amarrar os sapatos, e mais uma vez inova.

E como?

Já não bastou a esse des-governo cortar mais e mais as várias políticas de estímulo à permanência e fixação na escola, extinguir os programa de combate ao analfabetismo (zero verba para esse fim em 2018), as bolsas de iniciação científica e à de iniciação docência. 

Ou acabar com o Ciência sem Fronteiras. 

Não.

Enquanto um de seus braços amputados, a Capes, atormenta a vida dos programas de graduação e pós-graduação conferindo espaço e pontuação a aventureiros que simulem processos de internacionalização de fachada, com destaque para certo programa metafísico na região de Brasília, essa instituição resolveu promover a internacionalização... amputando as condições dos pesquisadores viajarem.

A Capes decidiu cortar a bolsa pós-doc a professores que se especializem em suas áreas em programas e institutos localizados no exterior.

Isso mesmo, caro leitor: não tem mais bolsa e fim. 

Quer pesquisar?

Pegue a canequinha e se dirija ao CPD da Microsoft, Monsanto, Gessy Lever, Bayer, Volks, Natura e pergunte o que eles estão precisando e diga-lhes que você consegue dar alguma pista que resulte em mais remessa de lucros ao exterior e aumento de concentração de renda local.

É o que restará de acesso a verbas.

O projeto é esse e o recado aos cientistas brasileiros desde o Golpe de 2016 é bem claro.

O papel reservado à Universidade pública é tornar-se parte do sistema produtivo das grandes empresas e alguns monopólios (mas só daqueles que a República do Paraná ainda não quebrou), e fim

E assim, os condutores do desmanche da comunidade científica poderão, já a curto prazo, agraciar com pontuação Capes os aventureiros nada metafísicos que moldam aos "novos tempos" impostos a si e àquilo que se passe por suas "instituições de ensino superior" (IES) e suas vítimas desavisadas ou também mal-intencionadas que ingressem no que restar de universidade.

Não tardarão a surgirem matérias de capa dos panfletos do que se passa por mídia nessa latrina, nesse resto de aborto do que um dia quase foi uma potência regional, a louvar alguma quinquilharia qualquer que otimize a transformação de produtos primários nessa república bananeira. 

Claro que alguns monopólios ficarão felizes.

Claro que penas-paga na mídia e seus representantes/testas-de-ferro infiltrados nas agências de fomento e órgãos avaliadores e pró-reitorias ajudarão a reverberar tamanho acerto nas políticas de pesquisa.

Será unânime o louvor à recém-remodelada "função social da universidade" defendida com vigor por essas bocas (ainda, ainda, ainda) cheia de dentes.

Algumas patentes serão garantidas aos mais sagazes em fechar parcerias.

Quanto ao resto da comunidade científica, arremessada na sarjeta do improviso desmonetizado, terá de se virar o quanto puder com o desmanche e desaparição, já a médio prazo, de áreas inteiras de pesquisa.

Decisões como essas, somadas a tantas outras bem definidas e sem nenhum pudor empurradas goela abaixo do que resta de sociedade, desenham um cenário de horror que é imposto a todas as áreas.

Não me refiro apenas às áreas das ciências humanas não-funcionais.

O ataque atinge qualquer área que não seja passível de se tornarem dispositivos ou de produção de lucro rápido na produção ou circulação de bens e serviços, ou de técnicas e saberes visando a vigilância securitária e o controle de populações em seus fluxos e relações.

Saindo desse recorte funcional, qualquer ciência não-aplicada em desenvolver soluçõezinhas de fundo de quintal sob encomenda será recriminada, dilapidada e extinta por "como 'cases' de fracasso na adaptação aos novos tempos".

Por tanto (atenção, revisor, é separado mesmo) em tão pouco tempo, afinal o Golpe de Abril de 2016 foi logo ali, ainda mesmo no ano passado, um brinde aos novos tempos, o matadouro não pode esperar muito tempo, afinal, a fila dos seres matáveis anda. Alvíssaras!

spoiler: não haverá luz nos interruptores ao último que sair que possa ser apagada, terá sido desligada por falta de pagamento bem antes. 






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